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LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO DE EQUIPAS
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SEPARATA
Acha que sabe delegar?
LIDERANÇA
E MOTIVAÇÃO
DE EQUIPAS
11g
estores e formadores
abril a junho 2015
ISSN
2182-7532
3
ISSN
2182-7532
3
MINISTÉRIO DA SOLIDARIEDADE ,
EMPREGO E SEGURANÇA SOCIAL
,I.P.

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Estamos perto de si
www.iefp.pt
A janela
que lhe abre
portas.
Apoios à contratação, criação do próprio emprego
e empreendedorismo, ofertas de emprego, estágios,
formação profissional, integração de pessoas com
deficiência e incapacidade. É tudo isto e muito mais, o
que pode esperar quem bate a uma das nossas muitas
portas, em todo o país. Porque, sempre que precisar, o
IEFP estará cá para o ajudar. Perto de si.

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PROPRIEDADE Instituto do Emprego
e Formação Profissional, I.P.
DIRETOR Jorge Gaspar
RESPONSÁVEL EDITORIAL
Maria Fernanda Gonçalves
COORDENADORA
Lídia Spencer Branco
COLABORADORES Ana M. Passos, Ana Teresa Penim,
António Caetano, Arménio Rego, Etelberto Costa,
Fernando Ferreira, Gisela Nunes, João Alberto Catalão,
João Godinho Soares, Luís Martins, Mário Ceitil,
Miguel Pina Cunha, Nelson Ramalho, Nuno Gama de
Oliveira Pinto, Ruben Eiras, Susana C. Santos, Vanda
Vieira, Vitalino José Santos.
REVISÃO Laurinda Brandão
ILUSTRAÇÕES Opticreative®
REDAÇÃO E ASSINATURAS
Gabinete de Comunicação e Relações Externas
Revista DIRIGIR&FORMAR
Tel.: 21 861 41 00
Ext.: 662342 e 662106
Rua de Xabregas, n.º 52 - 1949-003 Lisboa
e-mail: dirigir&formar@iefp.pt
DATA DE PUBLICAÇÃO junho 2015
PERIODICIDADE 4 números/ano
CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO
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NOTADA NO ICS
REGISTO
Anotada na Entidade Reguladora para a Comunicação
Social
DEPÓSITO LEGAL 348445/12
ISSN 2182-7532
Todos os artigos assinados são de exclusiva
responsabilidade dos autores, não coincidindo
necessariamente com as opiniões do Conselho
Diretivo do IEFP. É permitida a reprodução
dos artigos publicados, para fins não comerciais,
desde que indicada a fonte e informada a Revista.
NOTA
Os artigos constantes da presente edição da Revista
foram escritos entre Abril e Maio de 2015.
FICHA TÉCNICA
T
P
G
D
I
E
TEMA DE CAPA
03 Liderança e motivação:
explorando caminhos no contexto português
12 Gestão de talentos e equipas de alta performance
17 Novos desafios na gestão de pessoas
20 Queremos continuar a ser um great place to be
26 ABC do conflito
PONTO DE VISTA
Em Foco
32 Comunicação e trabalho em equipa
40 Liderar para oportunidades empreendedoras
Radar Global
46 Bússola Geopolítica e Banco de Ideias Verdes
GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
Temas de Gestão
48 «A importância de um plano de comunicação interna –
menos é mais!»
Temas de Formação
52 Aprendizagem ao longo da vida: conceito e políticas
58 Liderar, motivar e comunicar com o Skype
PáGINA INSTITUCIONAL
62 Apoios à criação de emprego
EUROPA EM NOTíCIAS
68 Euroflash
DIVULGAçÃO
Breves
70 Novo instrumento para as PME apoia liderança em
tecnologias industriais
71 Fundos estruturais apoiam emprego e inclusão social
72 Livros a ler
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revista Dirigir&Formar n.º 11
I
ÍNDICE

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Liderar e motivar equipas é fundamental para aumentar
a competitividade de uma empresa e o bom desempe-
nho de qualquer organização.
Um bom líder, mais do que gerir um grupo de pessoas,
tem de desenvolver uma equipa de trabalho que se sinta
inspirada e motivada. E, para poder motivar os outros,
tem ele próprio de se sentir motivado para liderar. Ob-
viamente que só essa motivação não basta, é necessário
que o líder detenha as competências apropriadas e que
esteja empenhado num desenvolvimento contínuo das
suas capacidades.
Neste processo muitas são as questões que se colocam:
como criar um sentimento de equipa? Como implemen-
tar uma cultura de disciplina coletiva, dedicação e pro-
fissionalismo?
Quando se refere «líder» quer dizer-se «líderes», por-
que a implementação de uma estratégia de sucesso que
assegure a sustentabilidade organizacional requer a in-
tervenção ativa não só dos líderes de topo mas também
das chefias intermédias e de primeira linha.
Mais do que transmissores de instruções, têm de ser
capazes de dar sentido aos acontecimentos e eventos
diários, interpretá-los à luz da estratégia organizacional
que têm de concretizar e resolver problemas não ante-
cipados gerando soluções congruentes com essa estra-
tégia.
A um bom líder não basta ser tecnicamente compe-
tente. A liderança, em diferentes níveis, requer quatro
núcleos de competências: técnicas (lidar eficazmente
com «coisas» e com «tecnologias»); sociais (desenvol-
ver relacionamentos sociais frutuosos e criar organiza-
ções exigentes e humanizadas); concetuais (pensar a
EDITORIAL
organização como um todo holístico e a sua presença
no mercado para lá do presente); de liderança pessoal
(gerir devidamente a vida pessoal e compreender como
os comportamentos próprios podem melhorar ou piorar
a organização).
«Acha que sabe delegar?» é o tema da Separata onde,
através da aplicação de um questionário, cada líder
encontra indicadores de como pode potenciar a sua
liderança e a autonomia da sua equipa, não perdendo
de vista o pressuposto de que delegar não é abdicar da
tarefa em causa e, muito menos, desresponsabilizar-se
dos resultados que vierem a ser alcançados.
«O talento vence jogos, mas só o trabalho em equipa
ganha campeonatos.»
Jorge Gaspar
E
revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
2|

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Liderança e motivação são duas faces
da mesma moeda. Não há boa liderança
se os liderados não forem motivados e
empenhados. Esta verdade lapalissiana está,
porém, envolta em inúmeras incertezas:
(1) diferentes líderes podem motivar de
modos diferentes; (2) os liderados estão
motivados por razões diferentes; (3)
diferentes situações e contextos geram
diferentes motivações e requerem diferentes
LIDERANÇA
E mOTIVAÇÃO:
EXPLORANDO CAMINHOS
NO CONTEXTO PORTUGUÊS
Por: Arménio Rego; Miguel Pina e Cunha - Universidade de Aveiro: Nova
School of Business and Economics
Fotografias e ilustrações: Opticreative®
abordagens de liderança. Ou seja: a boa
liderança é a que motiva os liderados,
mas as vias motivadoras são complexas.
Neste texto damos conta de algumas
pistas que ajudem os líderes a enfrentarem
esta complexidade. Apontamos reflexões
e orientações para a ação que poderão
aumentar as possibilidades de um líder
ser mais motivador, isto é, mobilizador das
energias dos liderados
|3
revista Dirigir&Formar n.º 11
T
LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO: EXPLORANDO CAMINHOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS

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Introdução
Boa liderança requer capaci-
dade de motivar os liderados.
Naturalmente, esta motivação
pode ser canalizada para as mais
virtuosas realizações ou para as
mais perversas. Hitler foi um pode-
roso motivador. E era carismático.
Outros líderes «motivam» de tal
modo os liderados que estes sacrifi-
cam as suas vidas em prol da causa
e do líder (carismático). Não é esse
tipo de «motivação» que pretende-
mos aqui discutir. Interessa-nos a
liderança que motiva os liderados
para trabalharem em prol de causas
e objetivos meritórios e moralmen-
te aceitáveis.
O nosso foco orienta-se para as
organizações com fins lucrativos,
embora a maioria das temáticas e
orientações aqui abordadas seja
aplicável a líderes de organizações
sem fins lucrativos. O texto co-
meça por dar conta de seis fontes
motivacionais, enfatizando que os
humanos estão motivados quando
as organizações lhes permitem sa-
tisfazer essas seis necessidades.
Argumentamos, depois, que a ati-
vação desses seis fatores motivado-
res requer que os líderes detenham
mais do que competências técnicas.
Discutimos, então, algumas parti-
cularidades do contexto português
que dificultam a ativação desses
fatores. E concluímos com diversas
linhas de orientação que podem
ajudar os líderes a mobilizarem as
energias dos colaboradores.
Seis fontes motivacionais
Seis grandes fatores mobilizam os
esforços das pessoas. Estão rela-
cionados entre si e influenciam-se
mutuamente. Mas podem existir se-
paradamente.
Primeiro fator: as pessoas preten-
dem adquirir bens e serviços que
lhes permitem alcançar maior bem-
-estar. Quase todos valorizamos as
possibilidades de adquirir um me-
lhor automóvel, fazer uma refeição
no restaurante preferido, viajar,
financiar os estudos dos nossos
filhos, comprar uma casa melhor
num espaço prestigiado e melhorar
o nosso nível de bem-estar mate-
rial. Esta necessidade é satisfeita
sobretudo através da compensação
financeira e dos benefícios que
as organizações facultam. Natu-
ralmente, a nossa satisfação com
essas «recompensas» depende do
grau em que são justas. Se nos em-
penhamos arduamente no trabalho
e obtemos bons resultados, mas a
organização nos concede tratamen-
to igual ao que faculta aos menos
empenhados, a nossa satisfação
declina e a nossa motivação tende
a decair.
Segundo fator: as pessoas preten-
dem desenvolver relacionamentos
sociais positivos. Gostam de per-
tencer a coletivos organizacionais
que as valorizam e nos quais impera
um clima de confiança e justiça. Um
salário superior numa organização
que é um «ninho de víboras» rara-
mente impele alguém a abandonar
uma organização com clima social
saudável – exceto se o salário atual
for de tal modo baixo que não per-
mite a satisfação de necessidades
fundamentais.
Terceiro fator: as pessoas apreciam
a possibilidade de fazerem uso do
seu potencial, desenvolver compe-
tências e capacidades e explorar
o mundo que as rodeia. As organi-
zações podem acalentar essa mo-
tivação através de várias medidas:
1) permitindo que os colaborado-
res aprendam e se desenvolvam; 2)
criando condições para que as pes-
soas façam uso das suas melhores
competências e desenvolvam o seu
potencial.
Quarto fator: as pessoas gostam de
se sentir seguras. Essa segurança
pode ser facultada por diversas con-
dições, que as pessoas avaliam me-
diante a resposta a questões como:
1) Posso confiar nos meus chefes e
nos meus colegas? 2) Sou tratado/a
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TEMA DE CAPA

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com justiça? 3) Os processos e pro-
cedimentos são transparentes? 4)
Posso expressar o que penso, aju-
dar e pedir ajuda sem que daí adve-
nham riscos para a minha carreira e
a minha identidade?
Quinto fator: as pessoas gostam
de sentir que controlam as suas vi-
das e que podem agir com sentido
de autodeterminação. Esta neces-
sidade pode ser satisfeita quando
diversas condições são satisfeitas,
designadamente: 1) Os colaborado-
res dispõem de suficiente autono-
mia para realizarem o trabalho; 2)
Podem conciliar o trabalho com as
suas responsabilidades familiares e
comunitárias. Ou seja: a necessida-
de de autodeterminação é satisfeita
quando as pessoas sentem que são
donas dos seus destinos e são trata-
das como adultas – e não como «re-
cursos» descartáveis ou «crianças».
Sexto fator: as pessoas pretendem
realizar trabalho com significado
para as suas vidas. Gostam de sen-
tir que trabalham em prol de algo
que é útil para os outros, dentro
ou fora da organização. Gostam de
trabalhar em prol de um propósito
nobre. As pessoas satisfazem esta
necessidade quando respondem
favoravelmente a questões como:
1) O meu trabalho tem significado
para mim? 2) Os deveres e as in-
cumbências inerentes ao meu tra-
balho fazem sentido para mim? 3)
Sinto-me com energia quando tra-
balho? 4) Na organização em que
trabalho as pessoas movem-se em
prol de uma causa comum? 5) Sin-
to que o meu trabalho é útil para
melhorar a vida de outras pessoas?
6) Sinto que a minha organização
é uma comunidade de pessoas que
se respeitam e apoiam mutuamen-
te? 7) O trabalho que realizo está
de acordo com o que considero
mais importante na vida?
O papel destes seis fatores é sinérgico.
O resultado motivacional global não
é simplesmente o fruto da soma dos
seis fatores. Um fraco desempenho
da organização num fator diminui o
efeito de outros fatores. E o bom de-
sempenho num fator não compensa
o mau desempenho noutros fatores.
Por exemplo, uma organização que
remunera bem e justamente os seus
colaboradores pode ver o seu po-
tencial motivador prejudicado se as
pessoas não realizarem trabalho com
significado ou desconfiarem umas
das outras. Outro exemplo: uma or-
ganização que procura motivar os
colaboradores pela via do significado
do trabalho pode ver os seus intentos
hipotecados se não adotar práticas
salariais justas.
Importa compreender que estas ne-
cessidades não são perfilhadas do
mesmo modo por todas as pessoas.
Alguns colaboradores são menos
orientados para a autodetermina-
ção do que outros. Alguns valori-
zam mais o poder aquisitivo do que
outros. Os propósitos de vida que
cada um prossegue também são
distintos. Por conseguinte, é neces-
sário que a organização e os seus
líderes estejam conscientes das es-
pecificidades de cada colaborador
e permitam a cada um cumprir os
seus desígnios – naturalmente num
quadro de justiça e equidade. Mas,
globalmente, o que importa consi-
derar é que os líderes e as organi-
zações apenas poderão mobilizar
as energias das pessoas se ativa-
rem os seis sistemas motivadores.
O Quadro 1 faculta orientações so-
bre como as organizações podem
atuar com esse intuito.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO: EXPLORANDO CAMINHOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS

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QUADRO 1
COMO ATIVAR OS SEIS FATORES MOTIVADORES1
NECESSIDADES QUE AS
PESSOAS PROCURAM
SATISFAzER
SISTEMAS
ORGANIzACIONAIS QUE
SATISFAzEM ESSAS
NECESSIDADES
COMO AS ORGANIzAçõES E OS SEUS LíDERES PODEM ATUAR
(ILUSTRAçõES)
Aquisição
Sistema de
compensação
• Pague salários dignos que permitam às pessoas terem vidas
dignas.
• Tenha em atenção os salários pagos pelos concorrentes.
• Pratique justiça no modo como recompensa. Ou seja, recompense
o mérito e não a bajulação ou as manobras «politiqueiras».
• Não crie disparidades salariais que firam a dignidade das pessoas
e as alienem do coletivo a que pertencem.
Relacionamento
e pertença
Clima social
e cultura
organizacional
• Promova relações de amizade e confiança.
• Valorize a colaboração e o espírito de equipa.
• Não premeie apenas o desempenho individual – mas também o
coletivo.
• Sinalize que ajudar e ser ajudado é essencial à vida organizacional
e da equipa.
• Encoraje a partilha de ideias, de conhecimento e de boas práticas.
Exploração
Sistema de
formação e
desenvolvimento
• Atribua às pessoas oportunidades de aprenderem e desenvolverem
o seu potencial.
• Como líder, atue como coach, isto é, como agente
desenvolvimentista dos liderados.
• Crie condições para a formação e a aprendizagem contínuas.
Segurança e
proteção contra
riscos
Gestão do
desempenho e
processos de
afetação
de recursos
• Crie procedimentos transparentes e justos, nos quais as pessoas
confiem.
• Pratique justiça nos processos de seleção, de promoção, de
avaliação de desempenho e de compensação.
• Não mate o mensageiro da má notícia.
• Crie condições para que as pessoas, respeitando os outros, sejam
«elas próprias».
• Crie um contexto favorável à expressão livre, embora sensata, de
opiniões e perspetivas.
Autodeterminação
Desenho do
trabalho e
práticas de
liderança
empoderadora
• Conceda margem de liberdade às pessoas para que possam gerir
as suas vidas.
• Crie condições para que as pessoas possam fazer jus aos seus
compromissos familiares e levem a cabo atividades extratrabalho
(e. g., ao nível comunitário).
• Trate as pessoas como adultos.
Sentido de
propósito e
significado no
trabalho
Desenho do
trabalho e
objetivos e
missão da equipa
e da organização
• Crie condições para que as pessoas sintam que fazem trabalho útil
e nobre e no qual sentem orgulho.
• Mostre às pessoas como o seu trabalho, assim como os produtos e
serviços que daí resultam, são valorosos.
• Ajude as pessoas a compreenderem o propósito último que a
organização prossegue.
• Não trate a organização como uma mera máquina de «fazer
dinheiro». O lucro é como o ar: precisamos do ar para respirar, mas
não vivemos para respirar.
1 Construído e adaptado de: Kets de Vries (2001); Nohria, Groysberg, & Lee (2008).
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TEMA DE CAPA

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Competências de
liderança necessárias
à ativação das fontes
motivacionais
O que fica exposto é uma demons-
tração cabal de que aos líderes não
basta serem tecnicamente compe-
tentes. A liderança, em diferentes
níveis, requer quatro núcleos de
competências: 1) técnicas (lidar efi-
cazmente com «coisas» e com «tec-
nologias»); 2) sociais (desenvolver
relacionamentos sociais frutuosos e
criar organizações exigentes e hu-
manizadas); 3) concetuais (pensar a
organização como um todo holístico
e a sua presença no mercado para lá
do presente); 4) de liderança pessoal
(gerir devidamente a vida pessoal e
compreender como os comporta-
mentos próprios podem melhorar ou
piorar a organização). Tratamos este
assunto noutro texto, para o qual re-
metemos o leitor. Aqui, importa ape-
nas sintetizar quatro pontos:
• Líderes tecnicamente competen-
tes não serão capazes de mobili-
zar as energias das pessoas que
lideram se forem desprovidos des-
sas outras competências.
• Essoutras competências adquirem
especial relevância à medida que
os líderes progridem na carreira e
na «escada» organizacional.
• Muitas competências de liderança
podem ser desenvolvidas, mas al-
gumas pessoas não são capazes,
ou não pretendem, desenvolvê-las.
• Qualquer processo de desen-
volvimento de competências de
liderança requer autoconheci-
mento. Quem não está disposto
a conhecer as suas fragilidades e
limitações dificilmente se dispõe
a enveredar por processos de de-
senvolvimento pessoal.
Uma ilustração paradigmática da
pertinência destes quatro tipos de
competências pode ser encontra-
da na Google, uma «empresa de
engenheiros feita por engenhei-
ros». Através de investigação leva-
da a cabo no interior da empresa,
a Google identificou oito compe-
tências caraterizadoras dos melho-
res gestores (Quadro 2). Usou esse
elenco para selecionar, formar e
desenvolver líderes. Entre as oito
competências identificadas, ape-
nas uma é de natureza estritamente
técnica. O Quadro 2 ajuda a com-
preender como essas competências
podem apoiar as seis fontes motiva-
doras antes descritas.
As organizações que pretendam
ativar processos de liderança mais
motivadores devem atender, pois, a
três aspetos fundamentais. Primei-
ro: devem ser cuidadosas na seleção
e na promoção de líderes. Segundo:
devem promover as condições que
permitam aos líderes conhecerem-
-se a si próprios e desenvolverem as
suas competências. Terceiro: devem
criar condições para que os líderes
façam uso dos fatores motivadores
antes descritos. Em algumas orga-
nizações (designadamente do Esta-
do) os líderes veem o seu trabalho
neutralizado por fatores de contex-
to que, por exemplo, os impedem de
recompensar o mérito ou de inves-
tir na formação e desenvolvimento
dos liderados. Os líderes fazem as
organizações. Mas as organizações
também fazem os líderes.
O contexto motivacional
português
O contexto motivacional português
apresenta algumas peculiaridades
que dificultam a ativação de alguns
fatores motivacionais. Destacamos,
aqui, duas. A primeira relaciona-se
com a recompensa do mérito. A boa
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO: EXPLORANDO CAMINHOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS

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QUADRO 2
AS COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DOS MELHORES GESTORES DA GOOGLE — E COMO
OS LíDERES PODEM USá-LAS PARA NUTRIR OS SEIS FATORES MOTIVACIONAIS
COMPETÊNCIAS DE LIDERANçA
EXEMPLOS DE FATORES MOTIVACIONAIS
QUE ESTAS COMPETÊNCIAS PODEM NUTRIR
NOS LIDERADOS
1 É um bom coach, ajudando os liderados
a desenvolverem o respetivo potencial.
• Autodeterminação.
• Exploração.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
• Segurança e proteção contra riscos.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
2 Empodera a equipa, não faz microgestão. Preserva
o sentido de autodeterminação dos liderados.
• Autodeterminação
• Exploração.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
3 Denota e interesse e preocupação pelo sucesso da
equipa e pelo bem-estar das pessoas. Não as trata
como simples «recursos» ou «instrumentos».
• Autodeterminação.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
• Segurança e proteção contra riscos.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
4 É produtivo e orientado para resultados.
Estimula a obtenção de resultados.
• Aquisição.
• Autodeterminação.
• Exploração.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
5 É um bom comunicador – escuta e partilha
informação. Assim obtém informação pertinente
para a tomada de decisão – a sua e a dos liderados.
• Autodeterminação.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
• Segurança e proteção contra riscos.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
6 Apoia as pessoas no desenvolvimento
das suas carreiras.
• Aquisição.
• Autodeterminação.
• Exploração.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
7 Tem uma visão e uma estratégia
claras para a equipa.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
• Sentido de propósito e significado no trabalho.
8 Tem competências técnicas que
o ajudam a aconselhar a equipa.
• Autodeterminação.
• Exploração.
• Relacionamentos sociais e sentido de pertença.
8| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

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gestão de pessoas envolve, sobretu-
do, três práticas: 1) definição de ob-
jetivos, 2) respetiva monitorização
(isto é, acompanhamento do grau
em que os mesmos são prossegui-
dos e alcançados) e 3) atribuição de
incentivos a quem mais contribui
para tais objetivos, isto é, recom-
pensa do mérito. Em comparações
internacionais Portugal posiciona-
-se mal nestes três domínios, mas
sobretudo no último. A fraca ges-
tão de incentivos reflete uma fraca
orientação para o desempenho e
tem como consequência
a pobre recompensa do
mérito. O Relatório do
Capital Humano do Fó-
rum Económico Mundial,
de 2013 (envolvendo 122
países), coloca Portugal
em 102.º lugar nesse cri-
tério. No ranking do Glo-
bal Talent Competitive-
ness Index (que envolve
103 países) o país classi-
fica-se em 91.º lugar.
A segunda peculiarida-
de denominámo-la «sín-
drome do respeitinho».
Radica numa caraterísti-
ca cultural denominada
«distância de poder».
«Haja respeitinho» trans-
mite uma mensagem cla-
ra: é preciso estar «cala-
dinho» e não contrariar
o superior. Como consequência,
os liderados (a) têm dificuldade
em questionar as chefias, mesmo
quando estas estão prestes a come-
ter erros ou a tomar fracas decisões,
e (b) receiam transmitir a «verdade»
desagradável às chefias, permitin-
do que estas persistam em más de-
cisões.
Um sintoma da cultura do «respei-
tinho» é o fraco pendor das práti-
cas de liderança participativa. Em
muitas organizações os líderes rara-
mente convidam os liderados a par-
ticiparem no processo de tomada de
decisão. E os próprios liderados re-
velam fraco desejo de participação –
porque receiam as consequências de
uma sugestão menos «respeitado-
ra» ou porque sentem simplesmente
que, se «eles são pagos para decidir,
que decidam». Consequentemente,
o potencial, o conhecimento e as
ideias dos liderados não são canali-
zados para a tomada de decisão. As
decisões acabam por ser de quali-
dade inferior. E, frequentemente, a
implementação das decisões é difi-
cultada – pois os liderados, por não
se reverem nas decisões, não se em-
penham na implementação das mes-
mas. Compreende-se, pois, como
esta perda de potencial, multiplica-
da por milhares de organizações e
milhões de decisões, se traduz em
menores índices de produtividade e
menor desenvolvimento económico
do país.
Facilmente se compreende que
estes dois atributos, presentes
em muitas organizações portu-
guesas, dificultam a ativação de
vários fatores motivadores. A má
recompensa do mérito conduz a
sentimentos de iniquidade e pre-
judica a satisfação das necessi-
dades de aquisição, de relaciona-
mento e pertença, de segurança e
mesmo as de sentido de significa-
do no trabalho. As fracas práticas
de liderança participativa dificul-
tam a satisfação de necessidades
de relacionamento e pertença, de
exploração, de autodeterminação
e de sentido de significado no tra-
balho. Por conseguinte, o «mero»
aumento salarial (o «pão»), se
não for acompanhado dos restan-
tes sistemas motiva-
cionais (as «rosas»),
pode surtir efeitos
modestos ou nulos.
Note-se que não pre-
tendemos subestimar
o papel do incremento
salarial. E sublinha-
mos que a mera ati-
vação de fontes moti-
vacionais «baratas»,
se estiver desacompa-
nhada de recompen-
sas materiais, pode
resultar em cinismo.
O que pretendemos
enfatizar é que, para
motivarem os seus co-
laboradores, as orga-
nizações e os líderes
devem facultar tanto
«pão» como «rosas».
Orientações para a ação
Da argumentação anterior podem
ser extraídas linhas de orientação.
Baseamo-nos sobretudo na nos-
sa experiência, na investigação
diversa que temos realizado e no
trabalho que tem vindo a ser desen-
volvido pela Gallup e os seus investi-
gadores no domínio do engagement.
O engagement representa o envol-
vimento emocional e dedicado ao
trabalho e pode ser medido através
das doze questões contempladas no
Quadro 3.
Quadro 3
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LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO: EXPLORANDO CAMINHOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS

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QUADRO 3
Os liderados revelam
elevado engagement
se responderem
afirmativamente às
seguintes questões
1 Sei bem o que é esperado
de mim no trabalho?
2 Tenho os materiais e o
equipamento de que
necessito para fazer o meu
trabalho corretamente?
3 No trabalho, todos os dias
tenho a oportunidade de
fazer o que sei fazer melhor?
4 Os meus colegas estão
empenhados em fazerem
trabalho de boa qualidade?
5 A missão ou o propósito da
minha empresa faz-me sentir
que o meu trabalho
é importante?
6 Tenho um bom amigo no meu
local de trabalho?
7 No trabalho, as minhas
opiniões contam?
8 O meu superior preocupa-se
comigo como pessoa?
9 Existe alguém, no meu
trabalho, que encoraja o meu
desenvolvimento?
10 No último ano tenho tido
oportunidades, no trabalho,
de aprender e desenvolver-
-me?
11 Nos últimos sete dias recebi
reconhecimento e elogios por
ter feito um bom trabalho?
12 No decurso dos últimos
seis meses alguém no meu
trabalho falou comigo sobre
o meu progresso?
Dados obtidos em quase centena e
meia de países permitem duas con-
clusões fundamentais. Primeira: o
engagement está associado a me-
lhor bem-estar dos empregados e
a níveis superiores de desempenho
individual e de eficácia organiza-
cional. Segunda: na generalidade
dos países, apenas uma peque-
na minoria de pessoas (menos de
20% em Portugal) está ativamente
empenhada no seu trabalho. Com-
preende-se, pois, a enorme quan-
tidade de potencial humano que,
a cada momento, é desperdiçado
– com efeitos perversos para as
pessoas, as organizações e as so-
ciedades. Do nosso ponto de vis-
ta, a promoção do engagement
nas empresas portuguesas pode
ser promovido do seguinte modo:
• Sem gerar fossos salariais inde-
corosos, crie condições para que
o mérito seja premiado. Não pre-
miar o mérito equivale a premiar
o demérito e a «preguiça social».
• Adote uma perspetiva baseada
nas forças em vez de encarar a
organização como uma «loja de
reparações» destinada a resolver
problemas e minorar deficiên-
cias. Reparar o que funciona mal
é necessário – mas o foco essen-
cial deve ser a orientação para a
potenciação das forças.
• Dentro do possível, permita que
as pessoas façam aquilo que sa-
bem fazer melhor. Não coloque
«Cristiano Ronaldo» a jogar à de-
fesa, sob pena de o prejudicar e à
equipa.
• Clarifique o que espera das pes-
soas e faculte-lhes condições para
que realizem um bom trabalho.
• Fomente um clima de cooperação
e ajuda mútua, no qual a confian-
ça impere. Crie um clima social
positivo, caraterizado por relacio-
namentos de elevada qualidade.
• Convide as pessoas a participa-
rem nos processos decisórios,
fazendo-as sentir que as suas opi-
niões contam. Pratique a «autori-
dade participativa».
• Trate as pessoas como pessoas –
e, sobretudo, como adultas.
• Permita-lhes que sejam elas pró-
prias e que se expressem com as-
sertividade respeitadora (ou com
«desrespeito saudável»).
• Promova a aprendizagem e o de-
senvolvimento das pessoas, desig-
nadamente através do coaching
e do investimento em eventos de
formação e desenvolvimento.
10| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
T
TEMA DE CAPA

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• Preste reconhecimento, elogie e
agradeça os contributos.
• Assegure-se de que a organização
e a equipa prosseguem um pro-
pósito valioso e que as pessoas
experimentam significado ao
contribuírem para a prossecução
desse propósito.
Estas são orientações gerais. Di-
ferentes medidas poderão ser ati-
vadas em diferentes organizações
e com diferentes colaboradores.
Todavia, globalmente, estas linhas
podem ajudar as organizações a de-
senvolverem, não apenas superior
capital intelectual e técnico, mas
também níveis superiores de capital
social e de capital psicológico.
Súmula conclusiva
Liderar é, em boa medida, o exer-
cício de gerar e sustentar ener-
gia psicológica, isto é, motivação.
Nesse sentido, os bons líderes são
dínamos, energizadores humanos.
Este texto fornece um conjunto de
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World Economic Forum, The human capital report
(in collaboration with Mercer), Genebra, World
Economic Forum, 2013.
pistas sobre como usar alavancas
organizacionais para motivar. Mas
uma última nota, pessoal, é devida:
para poderem motivar os outros, os
líderes devem estar motivados para
liderar. Naturalmente essa motiva-
ção não basta, sendo também ne-
cessária a posse das competências
apropriadas e o empenhamento no
desenvolvimento contínuo. A eficá-
cia da liderança depende, em gran-
de medida, da multiplicação desses
três fatores:
Motivação para liderar x
competências apropriadas x
desenvolvimento
Da interação entre estes fatores e a
ativação dos fatores motivacionais
antes citados poderá resultar o me-
lhor desempenho das equipas e das
organizações, assim como o sentido
de realização de líderes e liderados.
Embora o empreendimento seja
complexo, desafiante e repleto de
dificuldades, é preferível enfrentá-
-lo do que esperar que os resultados
surjam espontaneamente.
|11
revista Dirigir&Formar n.º 11
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LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO: EXPLORANDO CAMINHOS NO CONTEXTO PORTUGUÊS

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GESTÃO DE
TALENTOS E
EQUIPAS DE ALTA
PERFORmANCE
Da lógica do power over
à prática do power with
Por: Mário Ceitil, Managing Partner da Cegoc,
Professor Universitário e Vice-Presidente da APG
Ilustrações: Opticreative®
Oconceito de «talento» e as
metodologias de intervenção
centradas sobre a sua me-
dida, avaliação e desenvolvimento
constituem, hoje, um domínio de
grande relevância para a gestão das
pessoas, sendo uma das suas prin-
cipais prioridades para os próximos
anos de acordo com um estudo rea-
lizado em 2014, pela Boston Consul-
ting Group, em colaboração com a
Federação Mundial das Associações
de Gestão das Pessoas (WFPMA).
Apesar disso (ou talvez por isso mes-
mo) o tema tem vindo a ser aborda-
do através de múltiplas perspetivas,
sendo-lhe mesmo atribuídas cono-
tações semânticas diferentes que
podem gerar algumas ambiguidades
nas práticas de gestão orientadas
especificamente para o domínio da
«gestão do talento».
Nesta linha, a finalidade do pre-
sente artigo é, em primeiro lugar,
procurar estabelecer as referências
concetuais da noção de «talento»,
problematizando aspetos da sua
fenomenologia no contexto especí-
fico do funcionamento das equipas,
e analisar alguns dos requisitos e
condições que podem contribuir
para gerar «equipas de elevada per-
formance».
A propósito da noção
de talento
A título de pretexto introdutório,
convoca-se para esta reflexão os ei-
xos de análise que oportunamente
foram apresentados pelo autor, no
âmbito da APG (Associação Portu-
guesa de Gestão das Pessoas) sobre
esta mesma temática.
12| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
T
TEMA DE CAPA

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das capacidades de uma pessoa – as
suas aptidões intrínsecas, as suas
competências operacionais e trans-
versais, o seu conhecimento, expe-
riência, inteligência, julgamento,
atitude, caráter e motivação» (Mi-
chaels et al., 2001), os seguidores
desta perspetiva sustentam que as
políticas de «gestão de talentos» se
devem focalizar nos superkeepers,
ou seja, aquele grupo reduzido de
pessoas que «demonstraram en-
tregar resultados superiores, inspi-
raram outros a alcançarem resulta-
dos superiores e têm interiorizada
a missão, as competências core e
os valores da organização» (Berger
& Berger, ed., 2011). As razões que
justificam este enfoque de gestão
estão sustentadas na premissa de
que «a perda ou ausência destas
pessoas prejudica seriamente o
crescimento da organização, devido
ao impacto, desproporcionadamen-
te poderoso, que têm na sua perfor-
mance atual e futura» (op. cit.).
– A segunda categoria, à qual atri-
buímos a designação «gestão do ta-
lento», constitui uma outra corren-
te de pensamento e de intervenção,
protagonizada por autores como
Marcus Buckingham (2001), entre
outros, segundo a qual «o talento»
(no singular) é uma coisa que uma
pessoa faz melhor do que a maioria฀
e com menos esforço. Nesta conce-
ção, o «talento» não é considerado
uma categoria elitista, uma espécie
de gift, por assim dizer, que é ape-
nas apanágio de uns poucos (as
best people), mas uma abordagem
focalizada na criação de condições
para fazer emergir o melhor que
cada pessoa conseguir dar (o best
in people).
Partilhando, ambas as perspetivas,
da ideia de que os «núcleos de ta-
lento» constituem as principais ala-
vancas da performance de elevado
nível, a diferença entre si está no
foco específico das respetivas prá-
ticas de gestão:
– A primeira sustenta, em alinha-
mento com a famosa «Lei de Pare-
to», que 80% dos resultados de uma
empresa dependem dos «talentos»
de 20% das pessoas.
– A segunda propõe que 80% das
pessoas possuem, pelo menos, 20%
de núcleos de «talento» que, se fo-
rem identificados e adequadamente
desenvolvidos, podem ser reverti-
dos como valor acrescentado para
as organizações.
Colocadas estas balizas concetuais,
que nos parecem de grande relevân-
cia para o tema em referência, trata-
-se agora de analisar em que medida
as duas perspetivas consideradas
têm impacto na problematização do
conceito de «elevada performance»
no domínio específico do funcio-
namento das equipas em contexto
Em linha com esses eixos de aná-
lise, e de acordo com revisões de
literatura, tanto académica como
de divulgação, e ainda com base
em diversas experiências e práti-
cas de intervenção organizacional,
identificamos duas perspetivas de
abordagem que, embora tenham
naturalmente pontos comuns, apre-
sentam diferenças assinaláveis que
permitem a sua classificação em ca-
tegorias distintas:
– A primeira categoria, à qual atri-
buímos a designação «gestão dos
talentos» (usando o substantivo no
plural), parte da premissa de que as
pessoas que ocupam as «funções-
-chave» de uma organização não
constituem, em média, mais do que
20% do seu efetivo total, e centra-
-se nas respetivas competências
requeridas e nos processos de atra-
ção, desenvolvimento e retenção
das pessoas a quem é reconhecida
a capacidade para o exercício, atual
e futuro, dessas competências (as
best people).
Partilhando da noção expandida,
proposta no livro The War for Talent,
de que o «talento» é «o conjunto
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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GESTÃO DE TALENTOS E EQUIPAS DE ALTA PERFORMANCE

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organizacional. Com efeito, a pers-
petivação da noção de «talento» no
singular (o talento) ou no plural (os
talentos) não é indiferente para a
produção de referenciais de inter-
venção, na medida em que poderão
induzir práticas com impactos e con-
sequências diferentes nos níveis de
eficiência e de eficácia no funciona-
mento das equipas.
Consideremos que, por exemplo,
em determinado contexto organi-
zacional uma equipa se apercebe
de que a sua chefia formula juízos a
priori sobre os que têm «talento»฀ e
os que o não têm e pratica um estilo
ou modalidade de gestão que clara-
mente privilegia aqueles que, com
base nesse juízo (fundamentado
ou não), considera como os «mais
dotados», votando os outros para a
obscuridade silenciosa de uma im-
putada (e porventura incondicional)
mediocridade.
Ou, noutro contexto, a situação de
um professor universitário que,
inspirado por certas ideias, muito
mainstream, sobre a excelência do
ensino, considera um predicado da
sua qualidade como docente o deli-
near de uma estratégia pedagógica
dirigida e focalizada preferencial-
mente para os «melhores alunos»,
desqualificando os que, por razões
diversas, evidenciam maiores difi-
culdades em acompanhar o ritmo
imposto. A consequência previsí-
vel é que estes últimos, que vão
interiorizando o estigma de serem
«apenas os outros», tenderão a
alhear-se cada vez mais do proces-
so pedagógico, seja por falta de es-
tímulo, por vergonha, culpabilidade
ou ainda por oposição silenciosa,
podendo mesmo vir a resvalar para
um insidioso e cada menos recupe-
rável alheamento.
Além de possíveis juízos valorativos,
que serão sempre equívocos, parece
óbvio que os resultados obtidos com
este tipo de estratégias de interven-
ção, inequivocamente inspiradas
na noção de «talento» que defini-
mos como pertencente à primeira
categoria (a gestão dos talentos),
seriam previsivelmente diferentes
caso os respetivos responsáveis se
orientassem mais para a descoberta
e valorização daquilo que, em cada
pessoa, constitui o seu «núcleo de
talento» (segunda categoria) que,
naturalmente, pode ser diferente de
pessoa para pessoa.
Cabe, então, na continuidade des-
ta reflexão, questionar qual destas
duas conceções sobre «talento»
e as práticas por estas suscitadas
permite um mais integral desenvol-
vimento do potencial das pessoas e
das equipas, de modo a conseguir
gerar performances de nível mais
elevado. Para tal, é necessário ain-
da esboçar alguns elementos de
análise sobre a especificidade das
equipas, procurando estabelecer al-
guns dos requisitos e competências
requeridos para que o seu funcio-
namento possa ser enquadrável na
categoria de «equipas de elevada
performance».
Poderemos, então, passar da análi-
se descritiva e compreensiva para a
proposta de um conjunto de prescri-
ções que permitam potenciar o ta-
lento das equipas, na busca da pos-
sível confirmação de uma antiga,
embora persistente, crença de que
uma equipa que funciona «bem»
entrega resultados que são quan-
titativa e qualitativamente muito
superiores ao mero somatório das
partes que a constituem.
Os critérios de eficácia
de uma equipa
Há, no vasto campo disciplinar
das ciências organizacionais, um
conjunto de temas cujo léxico, pela
sua ampla divulgação e popularida-
de, faz já parte do património cul-
tural da coloquialidade quotidiana.
Termos como, por exemplo, motiva-
ção, personalidade, emoção, senti-
mento, carreira, expetativa, caráter,
inteligência, capacidade, aptidão e,
mais recentemente, talento, com-
petência, conhecimento e capital
humano, são termos com os quais
coabitamos com tanta familiarida-
de que, muitas vezes, nem sequer
nos apercebemos que:
– ou não dominamos completamen-
te o seu significado e alcance;
– ou assumimos como verdadeiro o
significado que espontaneamente
lhe atribuímos, sem cuidar de nos
certificarmos se o nosso interlocu-
tor perfilha a mesma conotação.
Em alguma medida este efeito
ocorre também quando falamos da
14| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

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noção de «equipa» (deixando, des-
de já, a referência de que utilizamos
o vocábulo na semântica de «bom
português» e não na versão, com
vagas ressonâncias galicistas, de
«equipe»).
É assim que, conforme refere Hack-
man (2002), existem algumas as-
serções sobre a ideia de equipa que,
salvo as exceções dos espíritos mais
renitentes, não serão, em princípio,
objeto de grande controvérsia.
Consideremos, por exemplo, as se-
guintes duas afirmações:
• As equipas cujos membros tra-
balham harmoniosamente em con-
junto funcionam melhor do que
aquelas onde os membros discutem
muito sobre os métodos a adotar no
trabalho.
• As equipas que mantêm a mesma
composição durante muito tempo
Por contraponto à fenomenolo-
gia dos «grupos informais», que
constituem uma realidade socio-
lógica que responde diretamente
às necessidades gregárias, uma
equipa perde sentido, substância
e a sua verdadeira razão de ser se
não existir um imperativo de per-
formance que a mobilize. Assim,
os autores citados concluem que,
embora a abertura, o envolvimen-
to, o relacionamento e a confian-
ça continuem a ser considerados
elementos importantes para o bom
funcionamento das equipas, toda-
via, o «focus» num propósito cla-
ro e firme, partilhado por todos, e
a disciplina coletiva direcionada
para um resultado comum é que
constituem os verdadeiros alicer-
ces para poderem alcançar uma
grande e sustentada performance.
A «grandeza das
equipas»
A linha de reflexão que temos vin-
do a seguir convoca as seguintes
questões finais com possível re-
levância para a definição de uma
orientação prescritiva nos domí-
nios da gestão dos talentos e da
construção de equipas de elevada
performance:
– Em que medida as equipas cons-
tituem uma forma de organização
social do trabalho que permite po-
tenciar os talentos dos indivíduos?
– Em que medida a performance de
uma equipa supera os somatórios
das performances individuais?
– Quais as condições que permitem
criar, promover e expandir, nas or-
ganizações, as «equipas de elevada
performance»?
funcionam melhor porque as pes-
soas vão adquirindo hábitos que
facilitam um melhor trabalho em
conjunto.
Apesar de estas afirmações pode-
rem ser relativamente consensuais
no chamado «senso comum» não
exprimem, no entanto, aquilo que
algumas correntes de investigação
identificam como o «verdadeiro
caráter» das equipas de elevada
performance. Hackman (2002) che-
ga mesmo a afirmar que estas as-
sunções em relação às equipas são
«falsas», sustentando que, embora
a harmonia e a boa convivialidade
sejam ingredientes importantes
para o seu bom funcionamento, não
é, todavia, por esses aspetos que as
grandes equipas se diferenciam.
Na mesma linha, outros autores
(Katzenbach et al., 1999; Clutter-
buck, 2007; Glaser, 2014) propõem
que, embora os aspetos relacionais
continuem a merecer uma grande
atenção por parte dos líderes, tor-
na-se imperativo, nas condições da
sociedade e das organizações mo-
dernas, o desenvolvimento de três
outras competências, consideradas
de importância crítica para que as
equipas possam alcançar grandes
resultados: execução, focus e disci-
plina.
Nesta revisão dos critérios de eficá-
cia das equipas os autores afirmam
que os resultados a alcançar e a na-
tureza dos desafios devem consti-
tuir os principais critérios para a es-
colha das equipas e não o facto de
as pessoas se darem mais os menos
bem ou terem simplesmente vonta-
de de trabalhar em conjunto. Se o
móbil principal de uma equipa for
do domínio de motivações gregárias
ou sociais, o seu modo de funcio-
namento pode correr facilmente o
risco de começar a transformar-se
numa espécie de «grupo de ami-
gos» e perder a orientação pró-ativa
para a excelência.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
T
GESTÃO DE TALENTOS E EQUIPAS DE ALTA PERFORMANCE

Page 18
De acordo com os elementos de
análise expostos nos pontos ante-
riores, sustentamos que a realida-
de social de uma equipa, perspeti-
vada, a partir da definição de David
Clutterbuck, como «um número re-
duzido de pessoas com competên-
cias complementares, que estão
comprometidas com um propósito
e objetivos de performance co-
muns, partilham uma mesma pers-
petiva de organização da ação e se
assumem como individualmente
responsáveis pelos resultados do
conjunto» (2007), constitui, de fac-
to, «a unidade mais flexível e mais
poderosa que uma organização
pode ter para gerar performance,
aprendizagem e mudança» (Glaser,
2014).
No entanto, a criação de equipas
que entreguem resultados de ele-
vado nível, de uma forma constan-
te, sustentada e crescente, pressu-
põe uma «cadeia de valor» onde,
entre outros elementos, é essen-
cial existir também um alinhamen-
to de responsabilidades, objetivos
e perspetivas de gestão dos dife-
rentes níveis de decisão, alicerça-
dos numa cultura empresarial de
propósito claro, de envolvimento e
de compromisso.
Tendo em conta a linha de refle-
xão que propusemos no presente
texto, parece-nos difícil conseguir
este objetivo se a organização se-
gregar uma conceção elitista e
«segregacionista» de «talento»,
deixando transparecer que, na prá-
tica e para os efeitos realmente im-
portantes, há uns «que contam» e
outros que฀ não.
Bem gerida e com condições propí-
cias, uma equipa permite potenciar
as performances a um nível que se-
ria difícil (ou mesmo impossível) de
alcançar em termos meramente in-
dividuais. Mas para isso ser possível,
cada membro da equipa deve fazer
sempre prevalecer o interesse cole-
tivo aos seus objetivos individuais e
fazer do sucesso do conjunto o seu
principal driver motivacional. Em-
bora no interior de uma equipa os
«talentos» dos membros sejam na-
turalmente diferentes, o verdadeiro
desafio é conseguir estabelecer as
relações de complementaridade e
de sinergia que permitam otimizar
o resultado comum e não permitir
que se instale a insidiosa sensação
de que alguns talentos são «mais
diferentes do que outros».
Por isso, e nos contextos de acen-
tuada competitividade externa e
interna, cada equipa terá de resol-
ver, em permanência, alguma con-
flitualidade resultante do confronto
da expressão de individualidades
diferentes, algumas com egos mais
exacerbados ou com ambições me-
nos autorreguladas, mas nunca
permitir que a dinâmica de conjun-
to se possa diluir na exibição narci-
sista daqueles que tentam utilizar a
equipa como mero instrumento da
sua vontade e da sua estratégia de
poder pessoais.
Em síntese, sustentamos que, nas
empresas e nas organizações, o
desenvolvimento de uma adequa-
da estratégica de potenciação dos
talentos individuais passa por in-
centivar a criação de equipas «an-
tropogénicas» que, através de um
modo de funcionamento carateriza-
do pela existência de um propósito
claro e partilhado por todos e da
responsabilidade recíproca, consi-
gam alcançar resultados que sejam
quantitativa e qualitativamente su-
periores àqueles que os seus mem-
bros poderiam alcançar individual-
mente. Equipas que sejam capazes
de, pela sua prática, demonstrar
que o paradigma do «poder através
das pessoas» (power over), que ins-
pirou a tecnocracia e a autocracia
da «era industrial», se confronta
hoje com a evidência de que o po-
der transformador da realidade que
se obtém através da cocriação com
os outros (power with) é não só mui-
to superior como, sobretudo, gera
as condições propícias para a sua
sustentação no longo prazo.
É que a grandeza de uma equipa, tal
como a grandeza de uma pessoa,
não está só em criar grandes resul-
tados para si própria mas, sobretu-
do, na perenidade do seu contributo
e no legado que deixa para a criação
de um mundo menos imperfeito.
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16| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

Page 19
NOVOS DESAFIOS
NA GESTÃO DE
PESSOAS
A liderança empreendedora nas
chefias intermédias e diretas
Por: António Caetano, Susana C. Santos, Ana M. Passos, Nelson Ramalho
Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), BRU – Business Research Unit (BRU-IUL)
Ilustrações: Opticreative®
Na atual dinâmica da economia mundial as organizações
necessitam de uma liderança empreendedora em todos
os seus níveis, de forma a promover a inovação organiza-
cional, a resolução de problemas e a eficiência através da maxi-
mização das suas competências, talentos e energia coletiva. Mas
a implementação de uma estratégia de sucesso que assegure a
sustentabilidade organizacional requer a intervenção ativa não
só dos líderes de topo mas também das chefias intermédias e de
primeira linha. De facto, são essas que têm de mobilizar os recur-
sos e a energia dos indivíduos e das equipas de trabalho para se
concretizar a estratégia da organização.
As chefias intermédias são o elemento fundamental de ligação
entre aquilo que a organização a nível de topo pretende fazer
e aquilo que realmente é realizado todos os dias. Mais do que
transmissores de instruções, têm de ser capazes de dar sentido
aos acontecimentos e eventos diários, interpretá-los à luz da es-
tratégia organizacional que têm de concretizar e resolver proble-
mas não antecipados gerando soluções congruentes com essa
estratégia.
Todavia, pouca atenção tem sido
dada ao papel crucial que as che-
fias intermédias têm para assegu-
rar eficazmente a concretização das
iniciativas e inovações decorrentes
das decisões estratégicas. Na ver-
dade, as práticas de gestão e a lite-
ratura sobre o tema têm dado uma
atenção privilegiada à liderança de
topo.
O papel central das
chefias intermédias
Atualmente, é cada vez mais eviden-
te que é necessário deslocar o foco
de análise da eficácia individual dos
líderes de topo, frequentemente as-
sociada a narrativas heroicas, para
a forma como eles interagem com
as lideranças intermédias e diretas
e o modo como estas se sentem
«empoderadas» para executarem
com eficácia e eficiência a estraté-
gia da organização.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
T
NOVOS DESAFIOS NA GESTÃO DE PESSOAS

Page 20
A dinâmica do funcionamento operativo de muitas or-
ganizações é determinada por múltiplas forças contra-
ditórias que as chefias intermédias têm de saber gerir.
É-lhes exigida uma orientação para o sucesso com obje-
tivos altamente competitivos e com níveis de qualidade
elevados e, simultaneamente, têm uma forte carga de
trabalho, com uma grande pressão para a eficiência e
com um número de colaboradores cada vez mais redu-
zido. Adicionalmente, é frequente estes terem vínculos
laborais que não estimulam o comprometimento com
o trabalho nem o desenvolvimento das competências
requeridas para um desempenho competitivo. Nesta
dinâmica, as chefias intermédias, e diretas, têm de pro-
curar maximizar as competências desses colaboradores
para obterem os níveis de desempenho exigidos e, ao
mesmo tempo, têm de ter em consideração as suas rea-
ções emocionais e atitudes face aos eventos diários que
afetam a sua qualidade de vida no trabalho. A gestão
eficaz destes processos quotidianos requer capacidades
e competências de liderança para assegurar um nível
adequado de motivação e de bem-estar subjetivo por
parte dos colaboradores, bem como para catalisar os
seus esforços e identificar oportunidades de inovação e
de melhoria da eficiência dos processos organizativos.
Assim, às chefias intermédias e diretas cabe um papel
crítico para o sucesso da organização, salientando-se
a sua capacidade para: interpretar e concretizar a es-
tratégia da organização; integrar e alinhar estrategi-
camente, no contexto concreto do trabalho, as ativida-
des que criam valor; atribuir sentido consistente com
a estratégia aos eventos diários positivos ou negativos
que afetam o desempenho; gerir permanentemente a
tensão entre estabilidade organizativa e pressão para a
mudança e inovação; catalisar competências, motiva-
ção e emoções dos colaboradores, dar-lhes suporte e
promover o seu desenvolvimento profissional; e assegu-
rar os níveis de eficiência e de eficácia no desempenho
individual e coletivo que garantam a sustentabilidade
organizacional.
Para poderem assumir eficazmente um papel com esta
multiplicidade de responsabilidades, as chefias inter-
médias e diretas têm de ser perspetivadas como pilares
essenciais para o sucesso da organização e para a sua
continuidade. Assim, é fundamental que a liderança de
topo, além de se focalizar nas oportunidades na envol-
vente externa, reconheça explicitamente esse papel, dê
suporte e estimule as chefias intermédias e diretas no
sentido de identificarem oportunidades de inovação e
de melhoria nos processos internos, proporcionando-
-lhes o desenvolvimento das suas competências de li-
derança para poderem consistentemente concretizar a
estratégia pretendida.
18| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
T
TEMA DE CAPA

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Desenvolver o espírito empreendedor
nas organizações
A capacidade empreendedora afigura-se hoje como
uma dessas competências que pode contribuir decisiva-
mente para combinar a qualidade e o valor dos produtos
e serviços para o cliente, a inovação dos processos inter-
nos e o envolvimento ativo e devidamente reconhecido
dos colaboradores nas iniciativas a implementar.
Deste modo, é fundamental que as chefias intermédias
e diretas sejam capazes de pensar e agir com um espí-
rito empreendedor, permitindo «ligar os pontos» entre
a estratégia corporativa da organização, os objetivos e
as tarefas diárias, e a energia, a agilidade cognitiva, a
adaptação emocional e o esforço dos indivíduos e das
equipas.
A liderança de topo tem de promover o progresso e o
desenvolvimento das pessoas que nos diferentes níveis
se esforçam para concretizarem a estratégia organiza-
cional. Importa estar também ciente de que as chefias
intermédias e as suas equipas podem não apoiar as ini-
ciativas estratégicas da organização, mostrando inércia
e intenções contrárias às orientações provenientes do
topo. Para que tal não aconteça, é necessário que as
organizações também olhem para dentro, identifiquem
e explorem oportunidades de otimização dos recursos,
processos tangíveis e intangíveis. Deste modo, as che-
fias intermédias, e diretas, têm o papel crucial de esti-
mular, mas também de serem recetivas à emergência de
ideias inovadoras por parte dos indivíduos e das equipas
que gerem, canalizando-as para o sistema organizacio-
nal. Por outras palavras, além dos outros papéis que
desempenham, têm também de adotar um estilo de li-
derança empreendedora.
Promover a liderança empreendedora
Para se conseguir alguma consistência e integração é ne-
cessário que as organizações também olhem para dentro,
identifiquem e explorem oportunidades de otimização
dos recursos e de processos tangíveis e intangíveis.
A liderança empreendedora é um estilo distintivo de li-
derança que pode operar em qualquer organização, in-
dependentemente da sua dimensão ou área de atividade.
A liderança empreendedora pode definir-se como a ca-
pacidade para influenciar e dirigir os membros de uma
equipa para a realização de objetivos organizacionais que
envolvem o reconhecimento e a exploração de oportuni-
dades inovadoras. De um modo geral, o empreendedoris-
mo é definido como um processo de descoberta, avalia-
ção e exploração de oportunidades que permitem inovar
serviços, produtos ou processos organizacionais.
Ao desenvolverem competências de liderança empreen-
dedora as chefias intermédias e diretas estão também a
contribuir para a renovação da organização, através da
descoberta pró-ativa de oportunidades com base na ex-
periência e conhecimento dos seus colaboradores que
podem ser exploradas e implementadas tenho em vista
a revitalização interna e o desempenho organizacional.
Uma das questões mais críticas do momento é identi-
ficar de que forma as chefias intermédias e diretas po-
dem promover ou inibir o processo de reconhecimento
de oportunidades empreendedoras e a sua consequente
exploração nas suas equipas de trabalho. A liderança
empreendedora nesses níveis pode ser determinan-
te para se enfrentarem com mais sucesso os efeitos
dos ambientes turbulentos e incertos no desempenho
da organização. E é importante para gerir a energia, a
criatividade e o esforço individual e coletivo dos colabo-
radores na identificação de oportunidades de inovação
organizacional que podem contribuir para resolver pro-
blemas, melhorar a eficiência interna e a qualidade de
vida no trabalho.
Resumidamente, é hoje relevante refletir sobre os pro-
cessos através dos quais as chefias intermédias e di-
retas se sentem «empoderadas» e reconhecidas para
implementarem iniciativas de liderança (intra)em-
preendedora que maximizem e deem o devido reconhe-
cimento à energia criativa dos talentos individuais e das
equipas de trabalho para concretizarem a estratégia da
organização e desenvolverem o seu potencial e as suas
competências.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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NOVOS DESAFIOS NA GESTÃO DE PESSOAS

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«QUEREMOS
CONTINUAR A SER UM
GREAT PLACE TO BE»
Por: Gisela Nunes – Jornalista e Luís Martins
Fotografias: cedidas pela empresa MARS Portugal
É pelos chocolates e pela comida para
animais que conhecemos a Mars, mas a
companhia distingue-se também noutras áreas.
Recentemente foi considerada uma das dez
melhores empresas para trabalhar. Entre outras
condições, este reconhecimento deve-se à ética
da liderança e ao impacto positivo que a atividade
da Mars tem na comunidade. A Dirigir&Formar
falou com a diretora de Recursos Humanos, Marta
Rocha, para perceber quais são os seus princípios
orientadores em matéria de gestão de pessoas
«A mars é uma
empresa apaixonante,
e a forma como a
atenção está centrada
em garantir que as
pessoas estejam
motivadas e se sintam
bem foi sempre uma
caraterística que
me deu motivo de
orgulho.»
Marta Rocha
20| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

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Marta Rocha assumiu a dire-
ção de Recursos Humanos
da Mars Portugal no final
de 2011. Além da gestão e desen-
volvimento dos colaboradores (a
quem chamam «associados»), as
suas funções passam pela captação
e gestão do talento, comunicação e
responsabilidade social da empresa.
Questionada sobre os valores que
diferenciam a Mars de outras com-
panhias concorrentes, Marta Rocha
aponta a Qualidade, Responsabili-
dade, Mutualidade, Eficiência e Li-
berdade – os «cinco princípios» que
fazem parte da herança e história da
Mars e constituem a razão do seu
sucesso. Valores que, segundo conta
a diretora, mantêm a identidade da
empresa em tempos de crescimento
e orientam perante os desafios.
Dirigir&Formar: Em janeiro de
2015 a Mars foi uma das vencedo-
ras dos Best Place to Work. A que
se deve este reconhecimento? O
que diferencia a Mars Portugal?
Marta Rocha: Este foi o primeiro
ano em que nos candidatámos ao
Great Place to Work em conjunto
com a Royal Canin, que também faz
parte do Grupo Mars. O resultado
foi muito bom e temos muito orgu-
lho por estarmos no top 10 do ran-
king geral. O que nos distingue são
os nossos cinco princípios, pois não
são apenas palavras que temos es-
critas na parede, são realmente a
forma como vivemos e gerimos o
nosso negócio.
D&F: O que significa este prémio
para um diretor de Recursos Hu-
manos?
M. R.: Tem, obviamente, um signi-
ficado muito especial. Não apenas
enquanto responsável de Recursos
Humanos mas, sobretudo, como
«associada» desta empresa. É o re-
flexo do orgulho que sentimos pela
família que somos e a confirmação
de que todos contribuímos para fa-
zer da Mars não apenas um Great
Place to Work mas acima de tudo
um Great Place to Be.
D&F: De que forma é que a Mars
tem inovado no desenvolvimento e
na motivação das suas pessoas?
M. R.: Nos últimos dois anos os
líderes de cada mercado onde a
Mars está presente reuniram-se
para determinarem, em conjunto,
portugal
Número de
colaboradores
(Portugal): 70
Idade média: 35
Áreas de trabalho:
Vendas, Marketing,
Corporate Affairs,
Logística, Finanças,
Recursos Humanos, IT.
o nosso compromisso e plano de
ação sobre o talento nos próxi-
mos tempos. Talento é umas das
prioridades da Mars. Trabalhamos
não só a formação, mas também
os planos de desenvolvimento e
de sucessão, bem como a atração
e a retenção de talento. Por outro
lado, localmente temos o tema Be
the best version of you que permi-
te a cada associado estar na sua
melhor versão e contribuir para um
mundo melhor – motivar os nossos
clientes, consumidores e colegas
de equipa e construírem um futuro
melhor. Em troca, são reconheci-
dos e recompensados por estarem
na sua melhor versão.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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QUEREMOS CONTINUAR A SER UM GREAT PLACE TO BE

Page 24
A Mars emprega aproximadamente 70 000 colaboradores
e está presente em 74 países espalhados pelo mundo. Em
Portugal atua essencialmente no setor de bens de grande
consumo, em cinco áreas de negócio com marcas bem
conhecidas, em Icecram e Confectionary com M&M’S®,
TWIX®, SNICKERS®, MARS®, MALTESERS® e BOUNTY®;
em Petfood com PEDIGREE®, WHISKAS®, PERFECT FIT®,
SHEBA®, CESAR®; em Food com UNCLE BEN’S®; Gum com
ORBIT®, SUGUS® e SKITLES®.
D&F: Qual é a chave para ter cola-
boradores motivados, comprometi-
dos e empenhados no crescimento
do negócio? Têm alguma política e/
ou programa específico no âmbito
da motivação e do engagement dos
colaboradores?
M. R.: As políticas de RH da Mars
em Portugal derivam da estraté-
gia global mas são naturalmente
enquadradas nas necessidades
locais: think global, act local. As
nossas áreas de foco são manter
a nossa cultura única sempre viva,
desenvolver e motivar os nossos
associados, captar e gerir talento
e continuar a trabalhar para que a
Mars Portugal seja um Great Place
to Be.
D&F: De que forma e em que medi-
da é que os colaboradores da Mars
estão envolvidos e empenhados no
crescimento do negócio?
M. R.: Na Mars acredita-se que o
êxito depende essencialmente das
competências, dos conhecimentos
e do contributo das pessoas que
nela trabalham. Por esta razão, os
trabalhadores da Mars são designa-
dos «associados». Forrest Mars (o
fundador) acreditava que a empresa
só pode crescer e prosperar se for
possível estabelecer uma genuína
comunhão de interesses entre to-
dos os que a compõem e todos os
que estão implicados nas suas ativi-
dades – por isso o uso do termo «as-
sociados», em vez de empregados
que, tal como uma família, apenas
um aspecto os distingue entre si, o
nível de responsabilidade na orga-
nização.
D&F: Mais do que uma boa estra-
tégia de marketing, as empresas
socialmente responsáveis apostam
na estratégia de endomarketing.
Quais são as vossas linhas de atua-
ção neste contexto?
M. R.: Penso que, desde que a Mars
surgiu, sempre existiu o marketing
interno. Tudo começa por chamar-
mos associados aos colaboradores.
Não queremos que as pessoas ape-
nas trabalhem aqui mas que façam
parte de tudo o que a Mars represen-
ta. Trabalhamos em várias vertentes
como, por exemplo, a comunicação
interna, o programa de saúde e bem-
-estar, eventos da empresa, progra-
mas de reconhecimento, ações de
voluntariado e formação, entre mui-
tas outras iniciativas.
D&F: Acredita que uma boa estra-
tégia de endomarketing faz a dife-
rença?
M. R.: Sem dúvida. O que faz a Mars
são as pessoas, ponto! E por isso é
essencial continuarmos uma estra-
tégia de endomarketing para que
continuemos a ser um Great Place
to Work.
22| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
T
TEMA DE CAPA

Page 25
D&F: Existe algum programa que
fomente a participação dos colabo-
radores no que se refere à melhoria
e crescimento do negócio?
M. R.: Temos mais que um progra-
ma. Por exemplo, o Prémio Global
da Mars – Make the Difference que
acontece de dois em dois anos e tem
como principal objetivo premiar a
inovação, a excelência na gestão de
pessoas, o impacto nas pessoas e
na comunidade e o impacto positivo
no planeta e no meio ambiente nas
unidades Mars Incorporated. Esta
iniciativa está dividida em três fases
de atribuição de prémios: local, eu-
ropeia e global. Este prémio encora-
ja e reconhece a inovação em todas
as áreas do negócio e constitui um
ato de ratificação e de celebração
pelos desafios alcançados com es-
forço por parte dos associados.
D&F: Que estratégia está definida
em matéria de atratividade, aqui-
sição de novos talentos e compe-
tências e desenvolvimento das
pessoas?
M. R.: Estamos presentes anual-
mente nos Fóruns Universitários
da Universidade Nova de Lisboa,
Universidade Católica Portuguesa e
ISCTE com o objetivo de captar no-
vos talentos. Temos também vários
protocolos de estágio estabelecidos
com universidades estratégicas. Por
outro lado, aderimos cada vez mais
às novas tecnologias, utilizando
plataformas como o Linkedin onde
identificamos possíveis talentos
para a organização. Relativamen-
te ao desenvolvimento dos nossos
associados, uma área de extrema
importância e foco para a Mars, utili-
zamos processos internos claros, as-
sim como ferramentas específicas.
D&F: E no que se refere à qualifica-
ções, apoio à valorização pessoal e
profissional de todo o ativo huma-
no. Existe um plano de formação?
Que áreas fazem parte deste plano?
M. R.: Existe um plano de formação
definido em conjunto com cada line
manager. Este plano visa sobretudo
assegurar que os nossos associados
dispõem de todas as ferramentas/
conhecimentos e informação de
que necessitam para se desenvol-
verem e estarem na sua melhor
versão. O plano de formação está
dividido em quatro grandes áreas:
1) Know why – cultura e formas de
atuação da Mars, destinado a novos
associados; 2) Know what – forma-
ção funcional com vista a desenvol-
ver as competências funcionais dos
nossos associados; 3) Know How –
formação em soft skills; e 4) Know
who – coahing e mentoring com
vista a incentivar a partilha de ex-
periências, conhecimentos e boas
práticas entre os associados.
D&F: Reconhecer a performance,
identificar e recompensar o mérito
e orientar o desenvolvimento e as
oportunidades de carreira são al-
guns dos objetivos das estratégias
de avaliação dos colaboradores.
Como concretiza a Mars esta polí-
tica?
M. R.: Na Mars acreditamos que
qualquer pessoa, independente-
mente do seu desempenho profis-
sional, tem espaço para crescer e
ser bem-sucedida. É por isso que
acreditamos na melhoria e na capa-
cidade evolutiva de cada um.
Damos aos nossos associados a
liberdade, estrutura, incentivo e
recursos para fazer fluir o seu po-
tencial e desenvolver as suas ca-
pacidades em várias áreas. Apren-
der e evoluir é parte integrante da
nossa cultura e é considerada uma
parceria entre os associados e o
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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QUEREMOS CONTINUAR A SER UM GREAT PLACE TO BE

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negócio. A cada associado é dada a
responsabilidade total pelo desen-
volvimento da sua carreira através
do «plano de desenvolvimento pes-
soal», obviamente suportado pelo
line manager e pela organização.
Enfatizamos o valor da aprendiza-
gem em diferentes áreas com o in-
tuito de transmitir aos associados
as capacidades e o conhecimento
para que sejam bem-sucedidos
num mundo em constante mu-
dança. Os associados podem fazer
progressões verticais e/ou laterais
além-fronteiras, entre funções, ou
testar-se através da participação
em projetos especiais.
D&F: Além da remuneração fixa
existem outros benefícios para os
colaboradores?
M. R.: Queremos continuar a ser
um great place to be. Neste senti-
do existem várias iniciativas, como
massagens de relaxamento, consul-
tas médicas, consultas de nutrição,
workshops, fruta, chocolates, gela-
dos, horários flexíveis que permi-
tem aos associados terem a tarde de
sexta-feira livre, entre vários outros
momentos de reconhecimento e ce-
lebração.
D&F: Num momento em que muito
se fala na importância do equilí-
brio entre a vida pessoal e familiar
e a profissional, a Mars definiu al-
gum programa ou tem orientações
que favoreçam este equilíbrio?
M. R.: Na Mars é muito importante
manter o life-work balance. Como já
referi, temos o horário flexível que
permite que os associados possam
gerir o seu horário, e damos a op-
ção de trabalhar a partir de casa.
Na Mars todos têm quatro dias ex-
tra de férias e uma ponte adicional
por ano, com tolerância de ponto no
Natal.
D&F: A comunicação desempenha
um papel essencial em matéria
de partilha de informação sobre a
empresa, o negócio, a organização,
a estratégia, os processos e as ini-
ciativas de envolvimento e mobi-
lização dos colaboradores. De que
forma é que a Mars comunica com
os seus colaboradores?
M. R.: O negócio da Mars é desen-
volvido através do compromisso de
oferecer uma comunicação aberta
e efetiva, pautada pela livre cir-
culação e partilha de ideias. Este
compromisso é suportado pelo con-
ceito de open space, através do qual
todos os associados da Mars parti-
lham o mesmo espaço com a equi-
pa de direção, e pela ausência de
gabinetes privados nas nossas ins-
talações. Também temos espaços
próprios de comunicação, envio de
e-mails e as reuniões mensais com
todos os associados.
D&F: Como é que a Mars mede os
níveis de satisfação dos seus cola-
boradores?
M. R.: Realizamos anualmente o es-
tudo de Gallup através do qual me-
dimos diferentes variáveis e que nos
permite entender as áreas que es-
tamos a trabalhar bem e as que ne-
cessitam de melhoria. Os resultados
têm sido positivos.
As ações de team building fazem parte da
cultura da Mars
24| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

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Iniciativas inovadoras
D&F: No final do ano passado orga-
nizaram uma campanha que resul-
tou na oferta de 100 000 refeições
para animais. Fale-nos um pouco
sobre essa iniciativa.
M. R.: Todos os anos são abando-
nados mais de 10 000 animais.
Por este motivo, desde 2008 que a
Mars, através da marca Pedigree,
tem sensibilizado a sociedade civil
para o problema do abandono dos
animais e alertado para importân-
cia da adoção. Ao fazer parcerias
com câmaras municipais, trabalhar
em conjunto com associações, or-
ganizar o Dia Mundial do Animal e
convidar algumas figuras públicas,
esta causa tem permitido fazer
chegar a mensagem a um maior
número de pessoas. Esta campanha
vem no seguimento do trabalho que
temos vindo a desenvolver ao longo
dos anos.
D&F: Outra prática comum é a pos-
sibilidade de os colaboradores tra-
zerem o seu animal de estimação
para o local de trabalho. Como rea-
gem os colaboradores a esta possi-
bilidade?
M. R.: Na Mars incentivamos os co-
laboradores a trazerem os seus ani-
mais de estimação para o local de
trabalho. A nossa visão é criar um
mundo melhor para os animais por-
que eles também criam um mundo
melhor para nós. Embora possa pa-
recer algo de muito diferente, para
nós é muito comum estarmos a tra-
balhar com cães a correrem pelo es-
critório ou simplesmente deitados
aos nossos pés.
D&F: Que outras iniciativas dife-
renciadoras têm em curso?
M. R.: Neste momento, a título de
exemplo, está a decorrer o Mars
Ambassador Program, um pro-
grama de voluntariado global que
permite que os associados ponham
em prática o seu conhecimento e
experiência profissional para aju-
dar ONG e/ou parceiros espalhados
pelo mundo inteiro. Os associados
(de todo o mundo) têm a possibi-
lidade de se candidatarem a uma
missão, um projeto em que podem
ficar a trabalhar entre uma a seis
semanas. Os projetos podem ser
desde revitalizar o coral na Indoné-
sia, ir para plantações de cacau, chá
ou arroz e ajudar os agricultores,
entre muitos outros. Em Portugal já
tivemos duas portuguesas selecio-
nadas que foram para um projeto
na índia ajudar mulheres agriculto-
ras a serem mais autoeficientes em
temas como gestão, negociação,
liderança, finanças e comunicação.
Todos os custos são suportados pela
Mars.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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QUEREMOS CONTINUAR A SER UM GREAT PLACE TO BE

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«O conflito é
como a água:
ou sacia ou
afoga.»
Se muito se escreveu, ainda mais
se disse sobre a gestão de con-
flitos. Porquê então voltar ao
tema neste momento? Porque o tema
está intrinsecamente ligado às emo-
ções humanas e estas nunca se esgo-
tam.
Talvez pela sua forte componente
emotiva, a palavra conflito é, como
muitas outras, utilizada quase sem-
pre associada a algo negativo, mau,
indesejável. Mas, vendo bem, confli-
to é, por definição, confronto, anta-
gonismo, troca, interação, permuta,
luta, diálogo e muitas outras coisas
em que os antagonistas somos nós,
num processo motivado pelas dife-
renças que nos caraterizam e nos fa-
zem฀... humanos.
O conflito é uma consequência da nossa
natureza. O conflito pode ser o meio neces-
sário para um fim desejado. Nem sempre o
conflito é mau. E a sua completa ausência
é certamente uma anomalia. «Da discus-
são, nasce a luz!», diz a sabedoria popular.
Por isso as ditaduras são escuridão.
A gestão de conflitos é estudada em
muitos contextos, mas onde mais nos
interessa neste momento é na área pro-
fissional, onde saber gerir conflitos é um
must na formação de qualquer dirigente
que se preze.
Dado que esta é apenas uma breve cróni-
ca, abordaremos o tema numa perspetiva
e num contexto específicos, contando a
história do Alberto, da Beatriz e do Carlos
antes, durante e depois do conflito.
Breve crónica sobre
a gestão de conflitos
Por: João Godinho Soares, engenheiro
Ilustrações: Opticreative®
ABC DO
CONFLITO
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T
TEMA DE CAPA

Page 29
Alberto e Beatriz tinham a mesma
idade. Conheciam-se desde caloi-
ros na universidade. Ambos enge-
nheiros, ele numa especialidade,
ela noutra, de colegas a namorados
foi um passinho. Os seus caminhos
seguiram paralelos até muito de-
pois de esgotados os tempos revo-
lucionários que Abril lhes propicia-
ra. Terminaram os cursos quase ao
mesmo tempo e, quase ao mesmo
tempo, empregaram-se, ele numa
empresa pública, ela numa direção-
-geral. Sem filhos, complementa-
vam-se. Uma década depois foram
aliciados por um novel instituto, de
onde lhes acenaram com melhores
salários. Entraram no mesmo dia.
Com a novidade de trabalharem na
mesma instituição revelaram-se as
primeiras diferenças. Alberto era
rigoroso, leal, mas conservador e
prudente. Resistia aos entusiasmos
fáceis das «modas» que se suce-
diam umas atrás das outras, como
consequência das alternâncias
políticas da direção do instituto,
enquanto Beatriz apenas via a sua
carreira e pactuava com qualquer
opinião que fosse prevalecente no
momento, concentrada em ganhar
posições e subir na hierarquia. Isso
era por de mais evidente sobretudo
ao fim do dia quando, já em casa,
comentavam primeiro e discutiam
depois o seu dia de trabalho. Não
se soube se terá sido por isso, se
terá sido a erosão normal dos anos
a passarem inexoravelmente, a au-
sência de filhos ou se algo/alguém
se terá intrometido entre ambos,
fazendo quebrar as amarras de uma
união até aí construída «apenas»
com afetos. Divorciaram-se, num
processo inesperadamente violento
que os deixou rancorosos. Corta-
ram todos os pontos de contacto.
Deixaram de se ver e falar. Beatriz
acabou por sair do instituto, atrás
de um lugar de superior importân-
cia e responsabilidade, como era
seu desejo. Alberto ficou, cada vez
mais cético e solene na sua visão do
trabalho.
Qual não foi o espanto de ambos
quando, alguns anos depois, se vol-
taram a encontrar no mesmo ins-
tituto. Depois de alguns anos sem
saberem um do outro, o encontro de
Alberto e Beatriz foi genuinamente
uma enorme surpresa. Apanhados
ambos desprevenidos, esqueceram-
-se por momentos que haviam de-
cidido nunca mais se falar. Talvez
por um resquício de cavalheirismo,
Alberto falou:
Alberto (sombrio) – Olá,
Beatriz! Tu, aqui?
Beatriz (parecendo querer
voltar para trás) – Tu não me
digas que trabalhas aqui...
Alberto (sem emoção) – Ah,
sim, agora estou aqui, sim.
Beatriz (impaciente) – Eu…
agora também estou aqui.
Alberto (assumindo o espanto)
– Espera aí! Tu… tu não me
digas que és a engenheira que
está para entrar há uma data
de tempo e que...
Beatriz (com evidente enfado)
– Sim, se calhar sou eu…...
Durante os poucos segundos em
que ficaram silenciosos, olhando-
-se com sincera incredulidade, Car-
los, o diretor, aproximou-se cumpri-
mentando-os.
Carlos – Olá engenheira.
Olá Alberto, apresento-lhe a
engenheira Beatriz, que vem
trabalhar connosco.
Alberto – Sim, sim, já nos
conhecemos…
Beatriz – O Alberto é meu
ex-marido.
Assim! De chofre! Beatriz era assim,
não perdia tempo. Foi a vez de Car-
los se mostrar surpreso. À medida
que a explicação prosseguia, Carlos
intuiu imediatamente o que se pas-
sava. Aqueles dois ainda não tinham
enterrado o machado de guerra.
A mais pequena faísca e todo o pas-
sado lhes explodiria na cara.
Logo que a oportunidade surgiu,
Carlos esticou o braço convidan-
do Beatriz a entrar no seu gabine-
te, enquanto olhava intensamente
para Alberto, que se deixou ficar,
especado, no corredor.
Antes do conflito
Ação I
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ABC DO CONFLITO

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Reação I
Carlos não conhecia os anteceden-
tes de Alberto e Beatriz mas aqueles
poucos minutos no corredor tinham
sido um dilúvio de informação.
Dirigente experiente, na conversa
que se seguiu com Beatriz, Carlos
usou de diplomacia e prudência.
Evitando remexer feridas, levou a
conversa para o estrito âmbito pro-
fissional, sem nunca perder de vis-
ta a nova realidade: adivinhava-se
uma relação complicada entre dois
dos seus colaboradores. Havia que
saber gerir essa dificuldade. Feliz-
mente, Carlos não era pessoa para
desistências, fugas ou facilitismos,
por isso encarou aquela situação
como mais um desafio profissional
a que ele, como mentor da equipa,
não voltaria a cara. Não havia lugar
para otimismos ingénuos. O proble-
ma existia, era necessário lidar com
ele da melhor forma possível a fim
de prevenir e/ou minimizar estra-
gos.
Carlos precisava de Beatriz. Alberto
era uma peça importante na equi-
pa. Não podia dar-se ao luxo de os
perder. Assim que chegou a esta
conclusão, Carlos formulou mental-
mente alguns princípios para uma
estratégia de prevenção:
1.º – tratá-los a ambos em pé de
igualdade, sem preconceitos ou
protecionismos, pugnando, na me-
dida do possível, para que todos
naquela direção fizessem o mesmo;
2.º – distribuir o trabalho a ambos
definindo claramente as respeti-
va tarefas, impedindo conflitos de
competências1;
1 Os conflitos de competências podem ser de dois
tipos: convergentes, se a mesma tarefa ou função
for reivindicada por ambas as partes; divergentes,
se ambos os intervenientes rejeitarem a mesma
tarefa ou função.
3.º – não subordinar o trabalho de
um ao do outro e vice-versa.
Sem o saber, Carlos escrevia um ca-
pítulo de um Manual de Gestão de
Conflitos: o dedicado à prevenção.
Além da solução óbvia de evitar
criar condições a um eventual con-
fronto entre os seus colaboradores,
em geral, e entre estes dois em par-
ticular, Carlos sabia que a criação e
manutenção de um bom ambiente
de trabalho na direção era impres-
cindível.
Fazemos aqui um pequeno parên-
tesis para abordar rapidamente o
significado desse verdadeiro lugar-
-comum: «um bom ambiente de
trabalho». Não é, contrariamente
ao que muitos pensarão, um lugar
onde os trabalhadores se sentem
como em sua casa, ou seja, com o
à-vontade de fazerem praticamente
o que querem, como querem, quan-
do querem, etc. Nada disso. Não nos
podemos esquecer da necessidade
de conciliar dois fatores fundamen-
tais: a consciência profissional e
ética dos trabalhadores e a neces-
sidade de garantir a produtividade
necessária imposta pela organiza-
ção. Também este aspeto tem de
ser satisfeito, sob pena de não se
conseguir o tal «bom ambiente de
trabalho». Obtidos o conforto e a
motivação de todos os trabalha-
dores e atingidos ou superados os
objetivos da organização, só então
haverá realmente um bom ambien-
te de trabalho.
Por isso Carlos, ao preocupar-se
com a harmonia na equipa, propi-
ciadora da tranquilidade necessária
a um bom desempenho, não se es-
queceu, por um segundo, que havia
que garantir igualmente a produ-
tividade que o instituto esperava
da sua direção. E tudo isto apesar
de um contexto pleno de dificul-
dades, que nada tinham a ver com
a sua gestão mas que a afetavam
inexoravelmente, como: volumes
de trabalho a rondar o impossível,
política de remunerações desade-
quada, falta de recursos materiais
e humanos, circuitos de informação
pesados e estrutura da organização
em permanente sobressalto.
Mas, como dissemos, Carlos não de-
sistia facilmente e, sobretudo, não
fazia de conta que os problemas
não existiam. Não escondia a cabe-
ça na areia. Estava atento.
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TEMA DE CAPA

Page 31
Durante o conflito
Ação II
A iniciativa de Carlos na prevenção
dos conflitos, de que Alberto e Bea-
triz eram putativos protagonistas,
foi eficaz durante algum tempo.
Semanas depois do reencontro do
casal, tudo corria com normalidade
e até parecia que afinal nem se jus-
tificaria a preocupação inicial com
a ocorrência de qualquer problema
entre eles. No entanto, apesar de
o céu ser sempre azul para lá das
nuvens, a bonança deu lugar à tem-
pestade, sem qualquer pré-aviso.
Um dia, durante uma reunião de
técnicos onde Alberto e Beatriz par-
ticipavam, Carlos fazia o balanço da
execução do plano anual da direção:
Carlos – … e peço a vossa
especial atenção para esta
obra, que tem de estar pronta
de t o do p azo ue dei i os.
O concurso público tem de sair
já…
Beatriz – Ó Carlos, desculpe,
mas se o prazo é assim tão
importante, porque é que
Beatriz – A quem é que tu está
a chamar Maquiavel, hã? É por
causa de empatas como tu que
isto está como está!
Alberto – E é por causa de
pessoas como tu, egoístas, que
há ta to sof i e to e i jusiça!
Estavam imparáveis, visivelmente
exaltados. Era evidente que o tema
já não era o trabalho, mas a opor-
tunidade, que os dois agarravam
com as duas mãos, de dar voz aos
ressentimentos mútuos. Se con-
tinuassem não tardariam a entrar
por caminhos ainda mais pessoais,
indiferentes ao local e à presença
dos colegas que, ora os olhavam,
ora desviavam os olhos, surpresos e
incomodados.
Passados os primeiros instantes,
em que tinha sido apanhado des-
prevenido, Carlos reagiu, imperioso
mas com calma e imparcialidade:
Carlos – Já chega, meus
amigos! Vamos deixar esta
uestão da dei ição ou ão
do prazo para uma conversa
ais espe íi a, pa a a ual
desde já convido o Alberto e
a Beatriz logo que acabarmos
esta eu ião. Va os o i ua .
Passando agora a outro
assunto…
As coisas acalmaram e a reunião
prosseguiu, apenas mais alguns mi-
nutos, pois o silêncio a que Alberto
e Beatriz se haviam remetido com a
intervenção do diretor era simples-
mente aterrador e tinha dissipado o
tal «bom ambiente de trabalho».
não é também um fator de
escolha? Ganhava o que
apresentasse o prazo mais
curto.
Alberto – Nã, nã, não
concordo! Eles esmagam
os prazos para ganhar, mas
depois não cumprem e lá
acabamos por voltar ao prazo
ue í ha os dei ido. Nós
se p e ixá os o p azo, u a
o pusemos a concurso.
Beatriz – Ora! Esta é capaz de
ser a altura certa de alterar
velhos hábitos. Se eles veem
que não conseguem cumprir
o prazo, põem mais pessoal a
trabalhar ou fazem trabalho
suplementar, sei lá…
Alberto – Ah, pois claro! E lá
voltamos ao mesmo. Quem
se lixa são os trabalhadores,
obrigados a trabalhar mais
– ainda se lhes pagassem
decentemente –, ou os
desgraçados recrutados
à pressa que depois têm
acidentes de trabalho que os
matam ou marcam para toda
a vida. Eu não concordo, já
disse.
Beatriz – Isso não interessa!
A ós o ue os i te essa ue
as coisas estejam prontas no
prazo…
Alberto – Maquiavel não diria
melhor!
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ABC DO CONFLITO

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Reação II
A intervenção de Carlos cumpriu
todos os cânones da boa gestão
de conflitos. Manteve a calma, não
apoiou uma das partes e desviou a
atenção para outro assunto, certa-
mente mais pacífico, pois, caso con-
trário, nem sequer teria permitido
que a reunião prosseguisse.
Como assistira a tudo e conhecia
o historial dos dois técnicos, per-
cebeu que se tratara, afinal, de
uma discussão do foro particular
do casal. Caso esta incidisse sobre
qualquer assunto relativo à ati-
vidade da direção achar-se-ia no
direito de opinar igualmente, po-
dendo, neste caso, intervir num de
dois sentidos:
– ou solicitando a ambos que apro-
fundassem as suas razões sobre a
questão dos prazos, como forma de
os fazer concentrarem-se mais em
argumentos técnicos do que sobre
a pessoa do adversário e, dessa for-
ma, tentar recentrar a conversa na
questão que tinha originado a diver-
gência, evitando o verdadeiro moti-
vo da discussão;
– ou apoiando uma das partes, sem-
pre sobre a questão dos prazos, de-
sequilibrando a discussão, de forma
a que a parte vencida percebesse a
inutilidade de prosseguir e se calas-
se. Neste caso, o diretor teria tam-
bém a preocupação de enaltecer a
opinião vencida e de encorajar o/a
técnico a expor os seus pontos de
vista em todas as ocasiões, a fim de
enriquecer a discussão e aumentar
a possibilidade de escolha da me-
lhor solução.
Depois do conflito
Ação III
Carlos precipitou o fim da reunião,
consciente de que se havia tornado
um incómodo para todos. Logo
que acabou, quando todos já se
levantavam, repetiu o convite:
Carlos – Beatriz, Alberto,
i ue ais u pou o, po
favor, para vermos aquilo dos
prazos.
Visivelmente contrafeitos, ambos
ainda esboçaram desculpas
para não ficarem, mas depressa
perceberam que Carlos não estava
a convidá-los mas a ordenar-lhes
que ficassem. Logo que ficaram
sozinhos, Carlos não perdeu tempo.
Carlos – Bom, meus caros,
digam-me lá o que se passou
há bocado. Beatriz?
Beatriz – Peço desculpa, mas
ele não tem razão. Fixar o
prazo...
Carlos (interrompendo) – Tenho
muita pena Beatriz, mas já deve
ter percebido que não vamos
agora tratar de prazos. O que
ue o sa e o ue jusii ou
aquela discussão entre ambos,
a i de ve ual se á a elho
medida a adotar para que não
se repita.
O tom e a expressão de Carlos eram
secos, como nunca os dois tinham
visto.
Beatriz – Ah, isso... são coisas
a igas...
Carlos – Vossas.
Beatriz – Sim, nossas. Peço
desculpa, mas ele irritou-me
e não me consegui controlar.
Carlos – E tu, Alberto?
Alberto – É pá, desculpa lá. Ela
também me irrita… e claro que
não tem razão, não é?
Carlos – Se ela, ou tu, têm razão
ou ão os assu tos ue só vos
dizem respeito, o problema é
vosso. Quando vocês trazem os
vossos problemas pessoais para
aqui, então já é outra coisa. Aí
tenho de entrar. Não é?
30| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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TEMA DE CAPA

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Alberto – É pá, tá bem.
Da minha parte, podes estar
descansado que não volta
a acontecer.
Beatriz – Foi um erro ter vindo
para aqui... Não sabia que ele
cá estava.
Carlos – Não foi erro nenhum
e não interessa se ele cá está
ou não. O que me interessa é
que vocês são bons técnicos e
até arrisco dizer que são boas
pessoas. O que me interessa
é que trabalhem como têm
feito até aqui e tentem
encontrar uma plataforma
de entendimento que evite
estas cenas. Não estou a dizer
que caiam nos braços um do
outro. Apenas estou a dizer
ue t de te u a aitude
p oissio al e ua to a ui
estão. Fora daqui, se quiserem
a minha opinião sobre o
vosso problema terei muito
gosto em os convidar para um
copo, um destes dias, num
síio o de se possa o ve sa
tranquilamente.
Reação III
Ultrapassada a fase aguda do con-
flito, há que fechar o ciclo para que
se possa passar novamente à pre-
venção. Depois da discussão, Alber-
to e Beatriz mergulham na postura
típica desta fase: cheios de ressen-
timentos, reassumem o corte inte-
gral de relações.
Carlos sabe disso e tenta contrariar
a atitude de ambos. Usa a superio-
ridade que decorre da sua posição,
como dirigente, claro, impondo
ordem e disciplina, indispensável
naquele momento. É fundamental
fazer sentir aos seus colaboradores
que erraram, «puxar-lhes as ore-
lhas». Mas é ainda mais importante
compreender, mostrar que está sin-
ceramente interessado em ajudar,
mediando. O diretor sabe também
que ambos são perdedores naquele
processo. Por isso tenta minimizar
as perdas. E mostra-se disponível
para o fazer, mas não naquele mo-
mento, em que os ânimos ainda
estão à flor da pele. Carlos tem de
assegurar a condução daquela con-
versa até ao fim, sem deixar que eles
entrem em diálogo. Nunca largar as
rédeas. Não era essencial pô-los de
acordo. O que era essencial era que
tomassem consciência do prejuízo
para ambos, que ambos sairiam dali
vencidos, não pelo outro mas pelo
conflito em si.
Alberto e Beatriz eram inteligentes e
reagiram bem à iniciativa de Carlos.
Minutos depois, o tom era mais ame-
no. Terá sido a imagem dos três nos
copos que os terá desconcertado,
talvez. Seja como for, restabeleceu-
-se a possibilidade de o casal voltar a
comunicar...฀ numa base estritamen-
te profissional, obviamente!
Epílogo
Algum tempo depois, Carlos deixou
a direção a caminho de outros voos
profissionais. O novo diretor era
completamente diferente. Muito
mais fechado, menos afável, tinha
uma postura quase militar. Gostava
de citar Napoleão, por exemplo, e
não hesitava em entrar em conflito
com os seus colaboradores, a quem
não inspirava simpatia.
Quanto a Alberto e Beatriz, contra-
riamente ao que muitos poderiam
pensar, depois de finda a influên-
cia apaziguadora de Carlos nunca
mais se ouviram a discutir. Pelo
contrário, eram vistos muitas vezes
em amena conversa. Mas o que os
colegas não sabiam era que essas
conversas giravam, quase sempre,
em torno do novo diretor, pois nesse
aspeto estavam de acordo, não gos-
tavam dele! Unidos na adversidade.
Ou como quando duas pessoas se
unem contra um inimigo comum.
Quem sabe se este novo diretor não
estaria a utilizar conscientemen-
te uma nova e radical estratégia de
gestão de conflitos? Uma em que
concentra em si todo o conflito como
forma de anular o conflito entre os
seus colaboradores. Seria verdadei-
ramente surpreendente e irónico.
Bom, pelo menos com Alberto e
Beatriz resultou.
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ABC DO CONFLITO

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COMUNICAçÃO E
TRABALHO EM EQUIPA
Por: Vitalino José Santos, jornalista, licenciado em Ciências Sociais
Fotografias: cedidas pelas empresas Dell Portugal, Penha Longa Resort e Sá Miranda & Associados
A forma mais rápida de procurar
definir «motivação» é, prova-
velmente, a consulta de um
bom dicionário, mas a mais adequada
para entender o conceito será a de o
contextualizar no tecido empresarial,
observando a aceitação dos merca-
dos e a satisfação lida nos trabalha-
dores.
Empresas com lideranças motivadoras
Uma liderança com uma «política de portas abertas», em termos comunica-
cionais, co-responsabiliza os colaboradores e dá azo às necessárias altera-
ções nos métodos e processos. Valorizar os recursos humanos, esclarecendo
dúvidas e partilhando objetivos é, entre outros aspetos, o que se pretende
fazer na Dell Portugal, na Penha Longa Resort e na Sá Miranda & Associa-
dos, empresas onde todos são chamados a participar na oferta de produtos e
de serviços com qualidade, inovando e surpreendendo os clientes.
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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DELL PORTUGAL:
UMA COMPANHIA
ONDE APETECE
TRABALHAR
A Dell é «uma das
empresas com maiores
rácios de motivação
a nível mundial»,
resultantes das
«modernas políticas
internas de recursos
humanos»
Na lista Fortune 500 de 2005, a Dell
(que é uma empresa norte-ameri-
cana de hardware de computado-
res) situou-se na 28.ª posição no
que respeita a vendas nos Estados
Unidos da América (EUA), onde se
apresenta como a maior empresa
de computadores.
Tida como a empresa que mais com-
putadores fabricou no planeta, o
seu modelo de negócios é paradig-
mático no que se refere ao «baixo
custo de operação» e ao «sistema
de vendas diretas», sob a visão em-
presarial do seu fundador Michael
Dell, que, aos 19 anos (em 1984,
quando ainda estudava na Univer-
sidade do Texas), terá arriscado mil
dólares na aventura de começar a
montar computadores a partir de
componentes em stock.
Como diria o filósofo espanhol Orte-
ga y Gasset, «liderar não é tanto uma
questão de mão pesada mas mais de
assento firme». Nessa perspetiva, a
companhia de hardware de compu-
tadores originária dos EUA, sendo
aí a mais admirada das empresas es-
crutinadas pela revista Fortune (em
2005), transmite a sua razão de ser à
Dell Portugal (Dell III – Comércio de
Computadores), focando-se muito
no segmento empresarial e na mo-
bilidade, áreas em que aposta for-
temente, com resultados que a dis-
tinguem da concorrência, sobretudo
por «desenvolver produtos, proces-
sos e serviços inovadores».
«Na medida em que a companhia se
distingue pela sua inovação, os mé-
todos de produção estão sempre a
regenerar-se», afirma Gonçalo Fer-
reira, na qualidade de diretor-geral
da Dell Portugal, reconhecendo que
a empresa «está presente em todos
os mercados de uma forma global».
No entanto, «encontra-se a fortale-
cer a sua estratégia de canal e par-
ceiros de negócio».
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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COMUNICAÇÃO E TRABALHO EM EQUIPA

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«Inova em tudo o
que faz, desde a sua
criação»
Com 103 mil colaboradores a nível
mundial e um volume de negócios
que atinge os 57 biliões de dólares,
«a Dell oferece produtos e soluções
com a mesma qualidade e inovação
de outras companhias concorren-
tes», mas «com muito mais recursos
humanos e unidades de negócio»,
diz Gonçalo Ferreira, acentuando
a singularidade desta empresa que
«inova em tudo o que faz, desde a
sua criação».
Segundo o responsável da Dell Por-
tugal, esta companhia diferencia-
-se pela «capacidade de se aproxi-
mar e ouvir os seus clientes, como
mais nenhuma empresa do setor,
que estão sempre muito suportadas
nos seus parceiros e não nos seus
clientes finais». Nessa conformi-
dade, «os processos produtivos, lo-
gísticos, consultoria e suporte são
também muito mais evoluídos, rápi-
dos e modernos», salienta Gonçalo
Ferreira, notando que «a empresa
foi criada nos EUA [em Austin, no
Texas] de forma a ocupar uma ne-
cessidade de mercado que não exis-
tia», privilegiando a «relação direta
entre produtor e consumidor».
Considerando a pegada ecológica
como um indicador de sustentabi-
lidade ambiental, o diretor-geral da
Dell Portugal garante que o respe-
tivo estilo organizacional implica
que, «atualmente», seja «a empre-
sa mais verde e ética do setor, de
acordo com fontes independentes».
«É também a empresa que melhor
suporte oferece aos seus clientes
desde há muitos anos», sublinha.
«capacidade de regeneração», na
«proximidade com todos os seus
clientes» e num «sistema financei-
ro de gestão inovador» razões para
explicar «uma das marcas mais va-
lorizadas do mundo».
«A maioria dos
colaboradores da Dell é
altamente qualificada»
Com um olhar atento na análise das
aplicações pessoais e interpessoais
da estrutura empresarial que dirige
no nosso país, Gonçalo Ferreira re-
fere que «a maioria dos colaborado-
res da Dell é altamente qualificada
nas áreas de engenharia, gestão,
design, consultoria e logística»,
adiantando que «todos têm acesso
a um plano de formação trimestral
muito rigoroso e completo». Daí
que a Dell seja «uma das empresas
com maiores rácios de motivação
a nível mundial», resultantes das
«modernas políticas internas de re-
cursos humanos».
Planos de Recursos Humanos (RH)
adaptados a cada colaborador é o
que a Dell faz para motivar os seus
trabalhadores, sendo «chamados a
participar e a opinar». «Estes pla-
nos facultam graus de autonomia
muito elevados e adaptados às mais
modernas práticas de RH a nível
mundial», expressa Gonçalo Ferrei-
ra ao admitir que «a singularidade
destas políticas e a sua constante
regeneração asseguram elevados
graus de motivação».
Convidado a caraterizar o estilo de
liderança da companhia, o diretor-
-geral da Dell Portugal declara
que, aqui, «as hierarquias internas
esbatem-se e não são muito pro-
nunciadas». Ou seja, «a autonomia
e a competência são incentivadas»,
diz o mesmo responsável, para
quem esta «é uma das melhoras
formas de motivar os recursos hu-
manos» numa empresa que, entre
outros pontos fortes, encontra na
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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฀฀฀฀฀฀฀«AMBIENTE DE
COMUNICAçÃO
ABERTA» NO PENHA
LONGA
Uma maior participação dos co-
laboradores do Penha Longa Re-
sort (Ritz-Carlton) tem muito a
ver com «um tipo de liderança
baseado na confiança»
«Nós temos uma cultura muito for-
te, com valores focados na inova-
ção e no empreendedorismo, que
nos levam a participar ativamente
no que nos compete», principia
Jaume Valldaura, no âmbito da sua
entrevista, a propósito da unida-
de hoteleira Penha Longa Hotel &
Golf Resort, ao pé da Lagoa Azul,
na serra de Sintra. «O que espe-
ramos das pessoas que trabalham
connosco é que participem nas de-
cisões e estejam envolvidas no dia-
-a-dia, e que os processos possam
ser mudados à medida que vão
mudando também as necessida-
des dos nossos hóspedes», decla-
ra o diretor de Recursos Humanos
(RH).
«Somos uma empresa totalmente
orientada para a melhoria contí-
nua, em que a comunicação é mui-
to importante», frisa Jaume Val-
ldaura, assumindo o compromisso
de «promover um ambiente de co-
municação aberta entre todas as
“senhoras e senhores” [expressão
muito usual neste grupo hotelei-
ro], estimulando a sugestão de no-
vas ideias, soluções» ou a informa-
ção relacionada com problemas
junto das chefias e diretores de
departamento, o que facilita o ali-
nhamento de toda a organização.
A comunicação externa ganha
igualmente relevo, na convicção de
que uma empresa que não se dá a
conhecer põe em risco a sua própria
existência. «Há muitos públicos e
mercados. Tentamos diversificar
ao máximo. Este ano, por exemplo,
temos apostado mais no mercado
europeu», particulariza o diretor de
RH, notando que, em 2014, a em-
presa atendeu sobretudo ao merca-
do norte-americano.
«Cada colaborador
é estimulado para
surpreender o hóspede»
«Assim, conseguimos ter uma
ocupação mais estável e manter
alguma vantagem competitiva em
face dos nossos concorrentes», ex-
pressa Jaume Valldaura a respeito
do desenvolvimento de novos pro-
dutos e serviços, e alegando que
este grupo hoteleiro dispõe de «fer-
ramentas de qualidade muito úteis
para que os departamentos e os
funcionários – senhoras e senhores
– possam implementar métodos ou
mesmo mudar os processos de em-
preendedorismo».
«A nossa empresa é capaz de inovar
e de surpreender, principalmente
no que se refere ao serviço. Cada
colaborador é estimulado para
surpreender o hóspede. O que pro-
curamos é fornecer experiências
de luxo, únicas e memoráveis, ines-
quecíveis!», realça o diretor de RH
do Penha Longa Resort, unidade
hoteleira escolhida, em 2014, como
«o melhor lugar para trabalhar» na
sua categoria (hotéis, restaurantes
e serviços) e uma das cem melho-
res empresas no ranking geral (cuja
seleção prévia envolveu quase três
mil candidatas), tendo ascendido
do oitavo para o quinto lugar, com
base num estudo efetuado pela
companhia Accenture e pela revis-
ta Exame, que analisa anualmente
as práticas das empresas (públicas
ou privadas, a operar no território
nacional) no domínio da gestão do
capital humano.
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COMUNICAÇÃO E TRABALHO EM EQUIPA

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«A criatividade de cada uma dessas
pessoas para mexer com as emoções
e os sentimentos dos nossos hóspe-
des fará com que as estadias sejam
diferentes das de outros hotéis, que
apenas inovam no produto», reforça
Jaume Valldaura, responsável pela
área de RH desta empresa que, um
ano antes, tinha sido premiada pelo
seu ambiente de trabalho e satis-
fação dos funcionários: Prémio de
Excelência em Workplace 2013 (de
acordo com a Heidrick & Struggles
e o Diário Económico).
Entre a «cultura de
serviço» e o reforço
do «empowerment»
Evidenciando tratar-se de um «óti-
mo local de trabalho multicultural
que constroi a lealdade do cliente e
uma conexão emocional ao hotel e à
marca», como então (em 2013) cara-
terizou o gerente David Martinez, o
Penha Longa Resort está também a
inovar na conceção do produto. «Não
há nada, nos últimos dois anos, que
não tenha mudado a nível de produ-
tos», confirma o diretor de RH.
Mas Valldaura insiste que o que
mais diferencia esta empresa hote-
leira «é mesmo a possibilidade de
criar experiências únicas, memo-
ráveis e personalizadas aos hóspe-
des». «E isso depende de cada uma
das nossas “senhoras ou senhores”,
sendo mais criativos», acentua,
especificando que o Penha Longa
Resort tem uma «missão» que, pra-
ticamente, coincide com o «credo»
da Companhia Ritz-Carlton: «a ge-
nuína atenção aos nossos hóspedes
e o seu bem-estar são o nosso maior
compromisso», avivando os senti-
dos e realizando, sempre que possí-
vel, «os desejos não expressos» dos
clientes.
A formação e a progressão na car-
reira dos seus colaboradores são ti-
das em conta no Penha Longa Hotel
& Golf Resort, cuja administração
«deseja que cada funcionário seja
o melhor e que se comprometa na
partilha do desenvolvimento da sua
carreira profissional».
Por conseguinte, o plano de forma-
ção anual da empresa tem agenda-
do ações de desenvolvimento profis-
sional, para os seus trabalhadores
em função das necessidades de
serviço, passando pela orientação e
integração dos novos funcionários,
pelo denominado «Dia 21» (em que
o elemento recém-admitido na em-
presa tem «a oportunidade para de-
cidir se pretende ou não continuar a
sua aprendizagem da filosofia Ritz-
-Carlton», além de «rever de que
modo a sua formação está a pro-
gredir») e pela etapa formativa «Dia
365», em que o novo colaborador
celebra o seu primeiro aniversário
na companhia, podendo retificar os
seus planos de carreira.
Para Jaume Valldaura, a formação
externa é indispensável na aquisi-
ção de outro tipo de competências,
a exemplo da vertente comunica-
cional, das noções de protocolo (e
procedimentos no setor hoteleiro
e turístico) ou de uma língua es-
trangeira. «Também pretendemos
fazer muita formação on-the-job»,
manifesta o diretor de RH, aludin-
do à formação prática, em que o
trabalhador é colocado no posto
de trabalho sob a supervisão de um
colega mais antigo na empresa, que
lhe transmite a «cultura de serviço»
e os «standards points» ou padrões
de progressão adequados àquele
clima organizacional.
A descentralização de poderes é
identificada pelo reforço do empo-
werment, que Valldaura considera
importante para «decidir e resolver
os problemas na primeira pessoa».
Ou seja, uma maior participação
dos colaboradores do Penha Longa
Resort (Ritz-Carlton) tem muito a
ver com «um tipo de liderança ba-
seado na confiança» e com a von-
tade de lhes dar mais autonomia de
decisão e responsabilidade. «Isso
faz com que as pessoas estejam
muito mais motivadas!», expressa o
diretor de RH, que não quer ali ro-
bots, mas «pessoas criativas, livres
e genuínas».
36| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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SOCIEDADE DE
ADVOGADOS PROPõE
SOLUçõES E
SOLIDARIEDADE
«Procuramos que a Sá Miranda,
na qual passamos grande parte do
dia, seja um local onde todos gos-
tem de estar. Acreditamos que ao
criar uma atmosfera de trabalho
favorável melhoramos também a
prestação do nosso serviço», diz
Helena Marques
Maioritariamente composta por
mulheres, a sociedade de advoga-
dos Sá Miranda & Associados é con-
siderada uma das empresas em que
dá mais gosto trabalhar no nosso
país, orientando a sua gestão diária
consciente da respetiva função so-
cial na área da Justiça.
«The Legal DNA» é o lema desta
empresa fundada em 2005 e que,
graças à sua dinâmica, constitui
uma das mais representativas so-
ciedades de advogados do Norte.
Helena Braga Marques e Miguel
Sá Miranda são os timoneiros des-
te projeto empresarial que conta
com três dezenas de colaboradores,
cuja idade média ronda os 33 anos.
O lado descontraído da vida, mesmo
em período de trabalho, é uma das
facetas da Sá Miranda & Associa-
dos, onde se procura dar visibilida-
de a uma atitude menos convencio-
nal e mais festiva.
«O respeito pelos princípios éticos
e deontológicos ESTÃO intrínsecos
à atividade», bem como o «cultivo
da autonomia, da criatividade» e «a
inovação e melhoramento, de forma
sistemática, da qualidade dos pro-
cessos e serviços» são os valores que
pautam o quotidiano da empresa.
A advogada Helena Marques, que
entrevistámos na qualidade de sócia,
diz que «trabalhar na Sá de Miranda
& Associados é um desafio constan-
te», distinguindo-se das sociedades
congéneres pelos «resultados» que
apresenta e pela «criatividade das
soluções jurídicas propostas». Ali,
«o Direito faz parte do ADN indivi-
dual e coletivo», alega.
 As colaboradoras da empresa Sá Miranda &
Associados num cocktaill de verão, que se repete
anualmente no final de julho.
Inauguração dos novos escritórios da Sá
Miranda & Associados, na cidade do Porto.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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COMUNICAÇÃO E TRABALHO EM EQUIPA

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«Incentivamos uma
cultura saudável de
exigência»
«A nossa missão é mostrar ao clien-
te que merecemos a sua confiança,
estabelecendo uma relação dura-
doura e sólida, baseada na lealda-
de, na transparência e na disponi-
bilidade total», esclarece a jurista,
adiantando que «esta relação só
existe com a salvaguarda dos inte-
resses do cliente, que estão em pri-
meiro lugar». Além deste compro-
misso, procurando defender os seus
clientes «de forma implacável e
intransigente», o coletivo que cons-
titui a Sá Miranda & Associados
pretende que a sua empresa «seja
uma referência de organização e de
qualidade na advocacia nacional e
internacional», numa perspetiva
«transgeracional».
Assim, sem prescindir da boa dispo-
sição e das condições que permitam
conjugar a vida profissional com
o contexto pessoal e familiar dos
seus colaboradores, Helena Mar-
ques considera importante a aposta
«na evolução da aprendizagem»,
de modo a que a sociedade de ad-
vogados esteja sempre preparada
para responder aos novos desafios
e às expetativas e necessidades dos
que requisitam os seus serviços.
«Incentivamos uma cultura saudá-
vel de exigência, de trabalho e de
formação contínua, premiando o
mérito e assegurando a igualdade
de oportunidades dos colaborado-
res, procurando que, na sociedade,
cada um consiga alcançar a reali-
zação profissional e pessoal», ob-
serva a jurista, argumentando que
na gestão da empresa tem, neces-
sariamente, de se planificar e de se
estabelecer os objetivos nos vários
departamentos para, comunicando
de forma eficaz, também se poder
controlar, avaliar e criar entusias-
mo.
Mão-cheia de fatores
de motivação
Helena Marques refere que, «além
da melhoria contínua da remunera-
ção, existem outros fatores de moti-
vação», como sucede com a licença
parental remunerada e com o esta-
belecimento de parcerias com in-
fantários (para os filhos dos colabo-
radores), a par da adoção do cartão
de refeição, das comparticipações
em cursos (envolvendo pós-gradua-
ções e mestrados), da flexibilidade
nos horários de trabalho, da possi-
bilidade de trabalhar à distância e
38| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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 Conferência «Legal Talks», em janeiro do
corrente ano.
 Entrega de prémio às melhores empresas para
trabalhar, pela revista Exame.
em rede (já que a Sá Miranda & As-
sociados dispõe de um sistema de
gestão documental a que cada um
acede facilmente a todos os proces-
sos, recorrendo à Internet), da con-
tingência de uma «política de pon-
tes» e da oportunidade do trabalho
a tempo parcial.
Recentemente mudada de Gaia para
o Porto, a sociedade de advogados
instalou-se num prédio tido como
«assombrado» na cidade nortenha.
Assim, Helena Marques apaziga-
da da eventual superstição por um
espanta-espíritos, feito e oferecido
pelas suas colaboradoras, realça as
vantagens da copa ali existente, es-
paço para descomprimir e conversar
com os colegas à volta de um café,
de um chá ou mesmo de uma refei-
ção, ou ainda partilhar os sucessos
pessoais e festejar aniversários.
«Procuramos que a Sá Miranda, na
qual passamos grande parte do dia,
seja um local onde todos gostem de
estar. Acreditamos que ao criar uma
atmosfera de trabalho favorável
melhoramos também a prestação
do nosso serviço», expõe.
Segundo aquela responsável, na
empresa fortalece-se «a partilha
enquanto grupo, com respeito pela
individualidade de cada colabo-
rador, reconhecendo o papel es-
sencial de cada um e de todos no
desenvolvimento do projeto». «A
Sá Miranda & Associados foi alvo
de vários prémios internacionais e
pela segunda vez considerada pela
revista Exame [edição de feverei-
ro de 2015] uma das 100 melhores
empresas para trabalhar, tendo fi-
cado em 27.º lugar, o que nos faz
acreditar que estamos no caminho
certo», conclui Helena Marques,
acrescentando que a sociedade de
advogados tem realizado um traba-
lho de aproximação à comunidade
em várias iniciativas, a exemplo dos
eventos «Legal Talks», que ocor-
rem mensalmente na FNAC (nos
espaços comerciais GaiaShopping,
Santa Catarina e NorteShopping),
tratando de diversos temas alusivos
ao Direito e à sua relação prática
com as múltiplas dimensões da vida
das pessoas e das empresas. Refira-
-se, igualmente, que esta sociedade
nortenha colabora com instituições
de solidariedade social, como a Pro
Bono Portugal (facilitando o acesso
à Justiça de pessoas carenciadas,
em complemento ao apoio judiciá-
rio público), propiciando caminha-
das solidárias e contribuindo para
a consolidação de uma cultura de
solidariedade e voluntariado.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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COMUNICAÇÃO E TRABALHO EM EQUIPA

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LIDERAR PARA OPORTUNIDADES
EMPREENDEDORAS
Por: Ruben Eiras, especialista em segurança energética e recursos estratégicos;
reiras@gmail.com e Vanda Vieira (vanda.vig@gmail.com)
Fotografias: cedidas pelos entrevistados
A capacidade de lide-
rança é passível de ser
desenvolvida. Investir
nas pessoas é reconhecer os
seus conhecimentos, aptidões
e competências; as preferên-
cias, hábitos e motivações.
É analisar o potencial das pes-
soas e orientá-las para o bem-
-estar pessoal e profissional
através do autoconhecimento
e motivação, ensinar a desen-
volver uma boa comunicação
interpessoal, a promover um
bom marketing pessoal, a
aumentar as capacidades em-
preendedoras e a liderar o seu
próprio percurso profissional,
criando novas oportunidades
de carreira.
Investir nas pessoas é igual-
mente benéfico para as or-
ganizações. São as pessoas, competentes, motivadas e
orientadas para dar o seu melhor, que contribuem para
a excelência e diferenciação das organizações. Para que
tal aconteça há que valorizar e reconhecer o seu poten-
cial. Um bom líder é aquele que consegue que cada um
contribua com o seu melhor para a organização.
Um bom líder deve deter competências técnicas, so-
ciais, capacidade de antecipação e de estratégia no
negócio e liderança pessoal; saber criar e reconhecer
a cultura da sua própria organização e desenvolver um
clima de confiança e de justiça; ser capaz de implemen-
tar procedimentos transparentes e justos, nos quais as
pessoas confiem.
O coach é aquele profissional cujo trabalho visa contri-
buir para que as pessoas ganhem consciência de que há
sempre uma solução para os seus desafios. E ganhando
novas perspetivas, a solução surge naturalmente.
Por isso, o líder deve desenvolver capacidades de coach,
no sentido de promover equipas coesas e motivadas:
valorizar a colaboração e o espírito de equipa, encora-
jando a partilha de ideias, de conhecimento e de boas
práticas. O líder deve ser capaz de criar condições para
a aprendizagem ao longo da vida, por forma a promover
oportunidades para que os trabalhadores aprendam e
desenvolvam o seu potencial.
Para ilustrar alguns dos aspetos referidos e que consi-
deramos essenciais ao nível da liderança e da motivação
de equipas, a D&F entrevistou um gestor de Recursos
Humanos de uma grande empresa, uma profissional da
área de gestão e consultoria e, por último, um jovem
que, face às dificuldades de entrada no mercado de
trabalho, optou por realizar formação numa área profis-
sional diferente, reconvertendo as suas competências
profissionais.
40| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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D&F: De que forma o líder pode e deve promover a cul-
tura organizacional? Pode dar exemplos concretos?
C. R.: A liderança deve lançar novos desafios e metas
mais ambiciosas e promover um enquadramento que
encoraje os elementos das equipas a estarem sempre
prontos a questionar o status quo. Neste capítulo, é im-
portante conseguir transmitir às equipas e indivíduos
uma cultura que combina a inovação contínua com o
crescimento. Se, para fora, a cultura é o que distingue
uma empresa de outras, para dentro é o que une e é co-
mum a todos os seus elementos. Por isso, todos os dias
trabalhamos para a fortalecer.
D&F: Promover equipas coesas e motivadas com senti-
do de pertença, isto é, como é hábito referir, «que vis-
tam a camisola», é considerado um fator-chave para
o desenvolvimento de um negócio. Concorda com esta
afirmação? Como motiva a sua equipa? A formação e
a aprendizagem contínuas são práticas valorizadas na
Samsung?
C. R.: O processo passa por saber partilhar os sucessos
com a equipa e a comunidade – promovendo a «copros-
peridade», que é um dos nossos valores mais perenes,
num processo em que é importante saber identificar e
potenciar o talento e privilegiar a ética e a transparên-
cia. A formação contínua é algo que faz parte do código
genético da Samsung e sempre foi encarada como um
dos pilares essenciais para que a marca tenha chegado
onde chegou, sendo hoje considerada a 7.ª Mais Valiosa
do Mundo no ranking Interbrand. As empresas são pes-
soas. E é graças a elas que a nossa atingiu o nível de
excelência que lhe é reconhecido à escala global. Natu-
ralmente, só uma força de colaboradores perfeitamente
identificada com os objetivos da Samsung podia ter le-
vado a conseguir este nível de desempenho, não só em
Portugal mas, também, no mundo.
D&F: Ouvimos muito falar da importância para uma
empresa/organização da retenção de talentos. Quais
as práticas que são desenvolvidas na Samsung nesse
sentido?
C. R.: A melhor estratégia de retenção de talento é a que
está adequada aos objetivos do negócio, que são cres-
cer e inovar. Ou seja, conseguir que as pessoas estejam
disponíveis para responder e melhorar continuamente
a resposta às exigências dos clientes. Paralelamente,
são decisivas as políticas de compensação assentes em
objetivos da organização, da equipa e individuais. Como
somos todos diferentes, é importante reconhecer o
CARLOS RODRIGUES
SAMSUNG PORTUGAL
• Desde janeiro de 2013 – Head of HR
and Legal na Samsung Electrónica Por-
tuguesa, S.A. em Oeiras, multinacional
do setor do Electrónica de Consumo.
• Responsável pela equipa de Recursos
Humanos e pela coordenação da
equipa legal e compliance.
• Desde junho de 2010, HR Manager na
Samsung Electrónica Portuguesa, S.A.
Dirigir&Formar: É difícil liderar e motivar equipas?
Carlos Rodrigues: É, sobretudo, um desafio aliciante,
que nos obriga a um aperfeiçoamento permanente da
nossa capacidade de conhecer as pessoas, identificar o
talento e potenciar as capacidades de cada um em favor
da organização. E isso, para mim, é um privilégio.
D&F: Da sua experiência enquanto responsável pela
área de Recursos Humanos de uma grande empresa,
quais as competências que considera mais importan-
tes ao nível da gestão diária de pessoas?
C. R.: Numa empresa com as caraterísticas da Samsung,
onde a ambição é a pedra-de-toque, a prioridade do lí-
der passa por entender, e saber transmitir à equipa, os
objetivos de negócio. Por isso, é decisivo conhecer bem
os fatores críticos de sucesso e trabalhá-los, de modo
a enquadrar, em cada momento, cada indivíduo e cada
talento com esses objetivos.
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LIDERAR PARA OPORTUNIDADES EMPREENDEDORAS

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PONTO DE VISTA | Em FOCO
desempenho de acordo com o nível de desenvolvimento
de cada membro da equipa. No caso da Samsung Elec-
trónica Portuguesa temos um programa de talentos as-
sente em planos de desenvolvimento de acordo com o
perfil e estágio de liderança de cada pessoa.
D&F: E para a redução da taxa de absentismo e dimi-
nuição da rotatividade?
C. R.: Para diminuir o absentismo e motivar as pessoas
é decisivo ter em prática políticas de recursos humanos
que privilegiam a autonomia, a flexibilidade, o desen-
volvimento profissional e o bem-estar. E ter disponíveis
ferramentas que permitam monitorizar em contínuo os
efeitos reais dessa política, corrigindo e inovando per-
manentemente.
D&F: Recentemente a Samsung estabeleceu um pro-
tocolo com o CINEL com o objetivo de dotar os jovens
com algumas das competências técnicas em áreas tec-
nológicas avançadas mais requeridas pelo mercado
de trabalho atual. Quais as mais-valias que considera
que este investimento pode trazer ao nível do desen-
volvimento de competências para formar novos líde-
res, aumentar a motivação e estimular a criatividade
e inovação?
C. R.: O Tech Institute, instalado no CINEL e agora tam-
bém nos centros do IEFP do Porto e de Aveiro, é uma
iniciativa inédita em Portugal que assegura o acesso
dos formandos a equipamentos, materiais e manuais
técnicos em áreas tecnológicas avançadas, como as
Smart TV ou os Smartphones, contribuindo a Samsung
também com a formação dos formadores dos Tech Insti-
tute nestas áreas.
A primeira razão de ser do Tech Institute é formar jovens
qualificados para o país, preenchendo uma lacuna sen-
tida no ensino e no mercado de trabalho. Queremos con-
tribuir para que os formandos sejam profissionais ainda
melhor qualificados, com o objetivo de ir ao encontro
das exigências das empresas. Nesse sentido, o objetivo
é facilitar o acesso ao mercado de trabalho de mais e
melhores profissionais, que as empresas poderão recru-
tar em função das suas necessidades. Sabemos que o
CINEL inclui o Tech Institute não só no âmbito da for-
mação inicial mas também na reconversão profissional.
Com esta iniciativa estamos a contribuir para a empre-
gabilidade dos jovens e, ao mesmo tempo, a reforçar a
relação entre as empresas e a área da educação e for-
mação, com benefícios mútuos para a qualidade do en-
sino e da aprendizagem.
Dirigir&Formar: Considera gratificante a sua expe-
riência profissional como consultora? Porquê?
Ana Sousa: Sem dúvida que sim. Responder aos desafios
que os clientes nos colocam e ver acontecer mudanças
muito positivas e geradoras de resultados efetivos e signifi-
cativos, é mesmo muito gratificante. Acredito nas pessoas,
no seu potencial e que, quando há compromisso, «o céu
é o limite». O meu trabalho tem contribuído para que as
pessoas ganhem consciência de que há sempre uma solu-
ção para os seus desafios. E ganhando novas perspetivas,
a solução surge naturalmente.
É muito gratificante para um consultor sentir que após uns
meses da sua intervenção lhe dizem ter havido mudanças
no agir das pessoas, chegando a haver novas oportunida-
des de desenvolvimento de carreira, assim como muito
maior e genuína comunicação entre as pessoas.
D&F: Quais as expetativas dos clientes quando a con-
tatam? O que pretendem concretamente?
A. S.: Os clientes procuram soluções inovadoras para
os seus desafios. Procuram preço justo, veracidade e
qualidade na entrega do que contratam. Procuram pro-
gramas que gerem mudança positiva e sustentada. Os
resultados não podem surgir só como fruto de entusias-
mos temporários. Os clientes procuram resultados que
perdurem no tempo e isso obtém-se quando as pessoas
ganham novos horizontes. Quando as pessoas acreditam
que são capazes e assumem querer ser e fazer melhor.

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Tenho desenvolvido formação em áreas como Comu-
nicação, Gestão de Conflito, Liderança, Desenvolver
equipas SMART (SuperaM, ágeis e que trabalham
para ResulTados), Atitude Participativa, Negociação,
Planeamento e Gestão Comercial, Desenvolvimento
Estratégico para Pequenas e Médias Empresas, ativi-
dades de team bonding, ou para programas de desen-
volvimento pessoal como o «Seja o CEO de Si Próprio»
ou «BRAIN POWER», que desenvolvemos em resposta
a desafios comuns a diversas empresas.
D&F: Como trabalha o desenvolvimento das competên-
cias pessoais e profissionais?
A. S.: Primeiro há que diagnosticar a realidade envol-
vente ao desafio e conceber experiências poderosas
que permitam obter novas perspetivas. Frequentemente
recorro às artes para desenvolver as capacidades criati-
vas das pessoas e ajudar a que se conheçam melhor a si
próprias, aos outros e às relações que estabelecem. Fa-
cilitando a implementação imediata das aprendizagens
disponibilizam-se ferramentas úteis no dia-a-dia que
sustentam a mudança.
D&F: De que forma considera que podem desenvolver-
-se competências de liderança e gestão de equipas?
E a capacidade de influência? Como fixar objetivos,
animar e motivar, delegar?
A. S.: Acredito que as capacidades de liderança são pas-
síveis de serem desenvolvidas em todas as pessoas. Esta
liderança acontece tando a nível individual como nas
organizações.
As competências que refere são algumas das muitas
que um bom líder manifesta. Desenvolver a capacidade
de liderança é ganhar autoridade, é influenciar tendo
em vista o bem comum, a aquisição de competências de
liderança pode fazer-se através de abordagens especí-
ficas, como o coaching individual ou de equipas, como
também através de programas mistos que incluem for-
mação e coaching e que recorrem a metodologias que
facilitam o desenvolvimento das competências que um
líder precisa de ter. Deepak Chopra tem a seguinte fra-
se: «Um líder precisa de uma visão suficientemente cla-
ra para que possa guiar e inspirar a sua equipa. Depois
ANA SOUSA, DA WIFPARTNERS
• Licenciou-se em Gestão e Administração de Empresas na Universidade Católica Portuguesa.
• Especializou-se em Marketing e Vendas (contando com mais de 20 anos de experiência em Grande Consumo
e Telecomunicações), onde aprofundou a Gestão de Marcas, Produtos e Serviços, a Gestão Estratégica, a Lide-
rança, a Gestão por Objetivos de Pessoas e de Equipas.
• Assertividade, fazer acontecer, gestão de equipas complexas e resolução de conflitos, entre outras, são skills
adquiridas nas várias funções desempenhadas de Marketing Manager, Direção de Negócio e Direção Comercial.
• Mais recentemente é coach (com formação reconhecida pela ICF – International Coach Federation). Desen-
volve a sua atividade como executive coach, orientando-se pelas linhas do Coaching Ontológico, procurando
maximizar o melhor de cada Ser como um todo.
• É especialista em Total Quality Leadership, é formadora de Gestão de Crises, Marketing e Vendas. Exerce con-
sultoria de Processos, Marketing e Vendas.
LIDERAR PARA OPORTUNIDADES EMPREENDEDORAS

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de articular essa visão, um líder tem de ser capaz de a
manifestar.» Esta sua manifestação, sendo verdadeira,
cativa e anima. Os objetivos surgem naturalmente da
visão que tem e quer executar. A delegação surge do
desenvolvimento da própria equipa e confiança que a
relação que se estabelece gera. Delegamos quando con-
fiamos. E confiamos em quem é competente, credível e
sincero (no sentido de autêntico ou verdadeiro).
D&F: Quais as condições que considera facilitadoras
da comunicação de pessoas e equipas?
A. S.: Respeitarmo-nos como seres igualmente dignos.
Nesta base, conseguirmos compreender que a nossa
perceção da realidade não é a mesma que a perceção
da realidade do outro. Ainda ao conseguirmos não estar
cheios de nós mesmos, das nossas crenças, preocupa-
ções e sentimentos e escutarmos o outro com todos os
nossos sentidos focados nele, na mensagem verbal e
não verbal que nos transmite, vamos conseguir enten-
der e interpretar melhor a mensagem que o outro nos
envia.
A linguagem utilizada é outro fator crucial a ter em con-
sideração. Ao escolhermos desenvolver uma comuni-
cação não violenta estamos a evitar ativar as barreiras
à conexão, ganhando capacidade para gerar encontro
entre as pessoas enquanto indivíduos ou participantes
de uma equipa. Ou seja, se não impusermos pela lin-
guagem os nossos julgamentos ao outro, provavelmente
este não sentirá necessidade de se defender, justificar
ou contra-atacar. Assim será mais fácil a comunicação
fluir e gerar bons resultados.
D&F: O coaching é atualmente uma ferramenta de ges-
tão de RH muito utilizada. Qual a sua opinião sobre a
sua mais-valia?
A. S.: Considero que a mais-valia do coaching é obter
novos resultados que provêm da abertura a novas pers-
petivas e possibilidades e da transformação real dos
comportamentos das pessoas. Através do coaching ga-
nhamos a capacidade de romper com crenças, medos e
juízos, substituindo-os por outros comportamentos que
nos sejam mais úteis. Tendo por base a visão do futuro
que se quer alcançar, recorrendo ao coaching ganha-
mos a capacidade de nos energizarmos, desencadeando
ações geradoras de resultados acima do expetável. No
entanto, e de acordo com os valores e princípios da ICF,
que defendo, o coaching deve ser utilizado para promo-
ver o bem-estar e desenvolvimento do indivíduo ou da
equipa enquanto pessoa digna.
D&F: Promover a criatividade e inovação é, nos tempos
que correm, essencial para o sucesso pessoal e empre-
sarial. Existem técnicas de facilitação da criatividade
para incentivar a equipa para a inovação? Como se de-
senvolve esse processo?
A. S.: Diria que o ambiente em que vivemos e desenvol-
vemos a nossa atividade é um fator crucial no desen-
volvimento da criatividade. A pessoa sentir-se livre de
participar, de contribuir, de dar, é um forte estímulo à
obtenção de soluções criativas e inovadoras. Identificar
e analisar com clareza uma oportunidade é uma boa
base geradora de inovação.
Aprender com os erros torna-nos muito mais criativos e
eficazes. Um processo que não penaliza o erro, mas que
aprende com o erro e pede opiniões, sugestões, propos-
tas, é gerador de criatividade e de inovação.
Utilizando uma metodologia inovadora que integra as
artes e o processo criativo com aplicabilidade na bus-
ca da inovação aplicada às organizações, acredito que
podemos obter bons resultados. Acredito que se per-
mitirmos que as pessoas desenvolvam cada vez mais
tarefas criativas que tragam valor acrescentado às em-
presas e organizações em substituição das tarefas re-
petitivas, passíveis de serem executadas por máquinas,
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PONTO DE VISTA | Em FOCO

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novas tecnologias, é urgente, pois o mercado de traba-
lho assim o exige.
D&F: Optou por um curso de Automação Robótica e
Controlo Industrial bem diferente da sua formação ini-
cial. O que o levou a tomar essa opção?
V. L.: As novas tecnologias estão aí, temos que «apanhar
o comboio», o mundo está em grande mudança a nível
tecnológico. Este curso CET em Automação Robótica e
Controlo Industrial vai de encontro ao que o mercado
de trabalho exige. Não optei por uma licenciatura pois
achei que seria demasiado teórico e com pouca ligação
ao mundo de trabalho real. A falta de técnicos especia-
lizados em algumas áreas é notória. O CINEL, onde me
encontro a realizar a minha especialização, pareceu-me
a melhor escolha, estou consciente e preparado para
cumprir todos os requisitos que o curso exige, temos
bons formadores e salas de formação especialmente
equipadas para a vertente de formação tecnológica/es-
pecialização.
D&F: Quais as suas expetativas de empregabilidade?
V. L.: Estaria a mentir se não dissesse que as expetativas
são elevadas. Trabalho todos os dias para alcançar os
objetivos a que me propus. Sei que não vai ser fácil, o
acesso ao mercado de trabalho é difícil, mas somos nós,
os jovens de hoje, que temos que dar a volta por cima,
adquirir novos conhecimentos e criar as nossas próprias
oportunidades e, sobretudo, acreditar em nós mesmos.
VALTER LAÇO
Reconversão profissional
• Técnico de cadastro, servidões, topógrafo
e desenhador AutoCad.
• Certificado em Ciências da Construção pelo
Cork Institute of Technology – Irlanda.
• Frequenta o curso de Automação, Robótica
e Controlo Industrial, de Nível 5 no CINEL –
Centro de Formação Profissional da Indústria
Eletrónica, Energia, Telecomunicações e
Tecnologias da Informação.
encontraremos níveis de empenho, motivação e criati-
vidade inigualáveis por desenvolver e melhor utilizar o
valor que cada colaborador tem para dar à sua organiza-
ção. Acredito que a imaginação e criatividade humanas
não têm limite!
Se ter capacidade e deter competências para liderar e
motivar os nossos colaboradores é essencial numa boa
gestão de RH e fundamental para a prosperidade de um
negócio, não menos importante, senão essencial, é que
cada um de nós tenha a capacidade de se automotivar e
liderar o seu próprio percurso profissional. Este é o caso
do Valter Laço, o nosso próximo entrevistado.
Dirigir&Formar: Qual o motivo que esteve na base da
sua reconversão profissional?
Valter Laço: Considero que a automotivação é crucial
para dar início a um processo de reconversão profis-
sional. No meu caso o principal motivo que me levou a
considerar a optar por essa solução foi a falta de oportu-
nidades no mercado de trabalho e a necessidade de me-
lhorar as minhas competências. Também sabemos que
o emprego garantido, seguro e para toda a vida já não
existe. Por isso, temos que nos manter na linha da frente
e criar os nossos novos desafios, o empreendedorismo,
e a criação de um novo futuro está um passo à nossa
frente e temos que o agarrar. Perante tudo isto, adqui-
rir novos conhecimentos, em novas áreas de negócio,
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LIDERAR PARA OPORTUNIDADES EMPREENDEDORAS

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BÚSSOLA GEOPOLíTICA*
Por: Ruben Eiras — Especialista em segurança energética e recursos estratégicos, reiras@gmail.com
Eficiência energética:
uma vantagem competitiva das nações
Todavia, no período de 2000 a 2010,
a indústria representou 1% no au-
mento da eficiência energética. No
entanto, é de frisar que durante a
década de 90 do século passado au-
mentou 6%. Por sua vez, o setor dos
transportes teve um contributo po-
sitivo de cerca de 0,9%, sobretudo
pela maior eficiência energética no
segmento dos automóveis ligeiros
de passageiros.
O estudo mostra que a indústria
portuguesa é 13% menos energe-
ticamente eficiente do que a média
da UE e 15% menor do que alemã.
Mas a indústria espanhola é supe-
rior em 13% à germânica. A fatura
energética é uma das maiores fon-
tes de encargos no tecido indus-
trial português, representando em
muitos casos cerca de 30% do total
de custos. Além disso, esta variável
também é fonte da maioria das ex-
ternalidades ambientais negativas
da atividade industrial. Contudo,
esta situação também constitui uma
oportunidade transformacional da
indústria nacional se a política pú-
blica incrementar a disseminação
de equipamentos energeticamente
eficientes e de uma cultura de ges-
tão de energia, sobretudo nas PME
industriais.
Ou seja, verifica-se que existe ainda
um enorme potencial de melhoria
da gestão da energia por explorar
no mercado português.
Mas, afinal, o que é a eficiência
energética? Por definição significa
produzir o mesmo, ou garantir idên-
ticos níveis de conforto, consumin-
do menos energia. Consumir menos
energia reduz os custos operacio-
nais das organizações, contribuin-
do assim para um aumento da sua
competitividade.
Há duas formas essenciais de tor-
nar um sistema mais eficiente:
eliminar o desperdício ou recorrer
a equipamentos mais eficientes.
A redução de desperdício implica
um maior controlo sobre os equi-
pamentos consumidores de forma
a garantir que o seu funcionamen-
to esteja limitado aos períodos em
que realmente são utilizados e que,
nesses períodos, trabalhem para
garantir os níveis de produção ou
conforto efetivamente necessários.
Por outro lado, a substituição de
equipamentos menos eficientes por
outros com melhor desempenho,
ou de maior potência por outros de
menor potência com um rendimen-
to superior, só tem justificação eco-
nómica quando há uma utilização
continuada dos mesmos. Isto por-
que a poupança terá de permitir o
retorno do investimento num prazo
inferior ao tempo de vida útil dos
equipamentos.
O preço da energia tem aqui um
papel importante. Quanto mais ele-
vado este se tornar, mais cedo se
Na última década, Portugal – um
país com uma elevada dependência
energética (média de 75%) – só au-
mentou a eficiência da utilização de
energia em cerca de 0,4% ao ano.
Em contraste, no mesmo período a
União Europeia conseguiu um cres-
cimento médio anual da eficiência
energética de 1,5%.
Este é um dos principais resulta-
dos de um estudo elaborado pela
empresa de consultoria Enerdata
baseado nos indicadores Odyssee.
Estes avaliam as evoluções que os
vários países europeus realizaram
ao nível da redução da intensidade
energética, da utilização de ener-
gias renováveis e também do con-
tributo da substituição de fontes de
energia primária por alternativas
menos poluentes.
No caso português, o estudo indica
que os maiores ganhos na gestão
eficiente de energia verificaram-se
no setor residencial, com uma me-
lhoria de 1,9% anual. Este segmen-
to representa cerca de 17% do con-
sumo de energia final. O contributo
situa-se essencialmente por via de
uma maior utilização de gás natu-
ral, considerada uma energia mais
«limpa», em detrimento de outras
fontes fósseis.
46| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
P
PONTO DE VISTA | RADAR GLOBAL

Page 49
BANCO DE
IDEIAS VERDES
O e-diesel da Audi
A Audi continua o seu caminho de inovação nos combustíveis sin-
téticos. Desta feita criou um «e-diesel» que pode ser misturado
com o convencional, fabricado através de água, CO2 e eletricidade
verde.
Ver em http://www.audi-technology-portal.de/en/mobility-for-
-the-future/audi-future-lab-mobility_en/audi-future-energies_en/
audi-e-diesel-and-e-ethanol
Economia circular
A eficiência na gestão de materiais tem vantagens ao nível da re-
dução de custos e da proteção ambiental, por via da otimização do
consumo. Por isso, a reutilização dos resíduos e aproveitamento de
subprodutos em processos produtivos levando a que a produção
possa ser feita em circuito fechado, ou seja, em economia circular.
Este é um dos novos motes de negócio da década.
Saiba mais em http://ec.europa.eu/environment/circular-eco-
nomy/index_en.htm
Bateria da Tesla para casas
A Tesla criou uma bateria para armazenar energia renovável nas
habitações, a um custo de 3000 euros, prometendo 80% de auto-
nomia energética. Revolução à vista?
Leia mais em http://www.greenbiz.com/article/teslas-3000-po-
werwall-battery-utility-killer
Negócios em verde
Se está a pensar tornar-se um empreendedor «verde», aqui vai uma
lista dos mercados e nichos de mercado.
Veja em https://www.sba.gov/content/green-businesses
Por: Ruben Eiras – Especialista em segurança energética
e inteligência económica, reiras@gmail.com
obtém o retorno do investimento.
A melhor altura para realizar es-
tas alterações é mesmo no fim de
vida útil dos equipamentos. Apro-
veitando a inevitabilidade de se ter
de adquirir um equipamento novo,
compensa, na maior parte das ve-
zes, investir em equipamentos mais
eficientes, já que as poupanças irão
mais rapidamente compensar o
acréscimo de investimento.
Como se verifica, o tema da efi-
ciência energética é complexo e
tem sido bastante recorrente nos
últimos anos, quer por questões
ambientais quer por razões econó-
micas.
Por estas razões, nos últimos anos
foram dados passos importantes
na implementação e no desenvol-
vimento de novos sistemas e equi-
pamentos mais eficientes, embora
exista ainda, neste âmbito, um lon-
go caminho a percorrer. Com efeito,
de acordo com um recente estudo
da Agência Internacional de Ener-
gia, a nível global é possível tornar
mais energeticamente eficientes a
indústria em 50%, os edifícios em
80%, os transportes em 65% e as
centrais de produção de energia em
75%.
Portanto, é altamente estratégica
para o reforço da segurança ener-
gética de Portugal a implementa-
ção de estratégias de cooperação
de investigação, desenvolvimento e
inovação industrial e de negócio en-
tre as empresas, os investidores e as
universidades no domínio da gestão
sustentável da energia.
*com a colaboração de Ricardo Leite
|47
revista Dirigir&Formar n.º 11
RADAR GLOBAL | PONTO DE VISTA
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«A ImPORTÂNCIA DE Um
PLANO DE COmUNICAÇÃO
INTERNA – mENOS É mAIS!»
Por: João Alberto Catalão, especialista em Comunicação, Marketing, Vendas e Negociação; diretor do INV – Instituto
de Negociação e Vendas (www.inv.pt) e da SalesUP – Assessoria Comercial
Fotografias: Opticreative®
«Torno-me eficiente
a comunicar quando
elimino as palavras
inúteis dando espaço
e voz às palavras que
são úteis.»
João Alberto Catalão
Quanto mais tempo passa mais con-
victo estou de que o tempo, a ges-
tão eficaz do mesmo e a comunica-
ção são as dimensões mais críticas
para o sucesso do desempenho de
qualquer organização. Irremedia-
velmente, para o bom e para o mau,
pertencemos todos à sociedade dos
sem tempo.
O grande desafio que me propus
neste artigo foi o de conseguir,
através de palavras muito simples
e objetivas, consciencializar e
mobilizá-lo para a importância de
conceber e implementar um Plano
de Comunicação Interna capaz de
envolver e mobilizar toda a organi-
zação.
Esta não é uma ideia minha, mas
sim o resultado de muitos e variados
estudos realizados por esse mundo
fora: a qualidade da comunicação
48| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
G
GESTÃO RH. TEMAS DE GESTÃO

Page 51
• aumenta a performance;
• estimula a inovação;
• contribui para a retenção de
talentos;
• focaliza;
• valoriza o capital humano.
Em conclusão, a comunicação efi-
ciente é uma decisão inteligente,
constituída por um processo intera-
tivo e contínuo de desenvolvimento
transversal.
Como espero que já esteja cons-
ciencializado, um Plano de Co-
municação Interna não se limita à
criação de uma newsletter interna
ou a outras peças soltas, mas algo
muito mais importante, integrado e
refinado.
O Plano de Comunicação Interna
eficiente tem um foco fundamental:
co-criação!
A «voz core» desse plano para pôr
esta questão fundamental: que va-
lores são transversais e estão sem-
pre presentes?
Depois de definida a «voz core» e
antes de qualquer outro passo, é
preciso ter presente duas ideias:
1. tudo tem que ter uma lógica
(O quê? e o para quê?)
2. e só depois identificar os meios
(como? Quando? Quem? etc.)
Um Plano de Comunicação Inter-
na eficiente deve estar sustentado
por uma cultura organizacional de
atmosfera positiva baseada em va-
lores, missão e processos. Por isso,
recomendamos que faça a seguinte
reflexão:
• Quais são os nossos valores,
missão e standards de atuação?
• Como estamos organizados?
• Qual é a nossa cultura organiza-
cional?
• Que ferramentas comunicacio-
nais já temos à nossa disposição?
• Como avalio os nossos fluxos de
comunicação interna?
• Quais são as metas e objetivos da
organização?
• Como definimos a nossa «au-
diência»?
• Que estratégias e táticas pode-
mos desenvolver para melhorar
os nossos fluxos de comunica-
ção?
Após estas reflexões, sugiro-lhe
que faça um «Assessment Comuni-
cacional» à sua organização. O que
é que isso significa? Significa per-
guntar a todas as pessoas:
• como avaliam os fluxos de
comunicação interna;
• que sugestões têm para os fazer
evoluir.
Com este termómetro consegue de-
terminar não só o que se está a pas-
sar, como também o que pode fazer.
Mas não tenha ilusões de que as pes-
soas lhe vão dizer tudo o que acham฀
já que é natural que considerem que
qualquer ruído de comunicação é
sempre culpa de outros.฀ Com uma
agravante: neste mundo tão acele-
rado tecnologicamente, a qualidade
das interações humanas nunca foi
tão importante. Por isso, ter a ca-
pacidade de integrar a tecnologia
como ferramenta integradora, e não
como substituta da comunicação in-
terpessoal, torna-se indispensável.
interna é fundamental para o su-
cesso da empresa. As organizações
são, acima de tudo, compostas por
pessoas que interagem entre si.
A qualidade dessas interações deter-
mina a qualidade das ações e estas
são diretamente responsáveis pela
qualidade dos resultados.
Em primeiro lugar, um Plano de
Comunicação Interna tem que ser
concebido num paradigma de 360°.
Quer isto dizer que todos na orga-
nização têm que estar mobilizados
para se assumirem como protago-
nistas na sua implementação.
A Internet está cheia de teoria e
de matrizes sobre processos de co-
municação interna. Existem muitas
consultoras capazes de o ajudarem
a desenvolver muitos processos de
comunicação interna mas, acredite,
a semente para um Plano de Comu-
nicação Interna eficaz está na mão
de todos, e em particular do líder da
organização.
Um Plano de Comunicação Interna
passa, acima de tudo, pela eficácia
dos fluxos de comunicação. A bidi-
recionalidade é fundamental! Isto é,
qualquer comunicação interna só é
eficaz se houver feedback. Isto não
quer dizer que o recetor tenha que
responder, mas sim garantir que a
mensagem foi escutada, percebida
e interiorizada.
Vantagens para si de uma comuni-
cação eficiente:
• evita distorções, mal-entendidos
e tudo o que daí advém;
• melhora o ambiente de trabalho;
• reforça sentido de pertença;
• promove o espírito de equipa;
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revista Dirigir&Formar n.º 11
G
A IMPORTÂNCIA DE UM PLANO DE COMUNICAÇÃO INTERNA — MENOS É MAIS

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Não deve dar qualquer passo em
frente sem ter as pessoas envolvi-
das na ideia de que Comunicação é
igual a Co-Operação!
Quando sentir que há esta cons-
ciência a 360° de a importância da
comunicação interna ser acarinha-
da e gerida por todos, como fator in-
tegrante e decisivo de todas as fun-
ções, passe à fase de definição de
um Plano de Comunicação Interna.
5 ETAPAS DE UM PLANO
DE COMUNICAÇÃO
INTERNA (PCI):
1. PROPÓSITO
2. FOCO
3. OBJETIVIDADE
4. MEIOS
5. OPERACIONALIzAçÃO
1. PROPÓSITO:
Defendo que a sustentabilidade das
empresas passa pela humanização
de todo e qualquer processo. Como
tal, o propósito do PCI deve ser de
humanização comunicacional e não
de formatação de interações. Isso
significa que o PCI deve respeitar
as assimetrias culturais, académi-
cas, etc. Num PCI, menos é mais!
Descomplique para que todos pos-
sam entender. Não é na forma como
comunica que revela o seu estatu-
to, mas sim na capacidade que terá
de fazer entender a mensagem por
toda a organização.
2. FOCO:
O seu foco deve ser nas consequên-
cias positivas que a comunicação
terá em todos os níveis da organi-
zação. Se não tem consequências
positivas para a organização: tole-
rância zero. Deve ser considerado
ruído!
3. OBJETIVIDADE:
É aqui que entra a técnica dos 3 C:
curto, claro e conciso!
4. MEIOS:
Qualquer meio que utilize para di-
fundir a comunicação interna, como
por exemplo newsletter, intranet,
mensagens nos espaços comuns, e-
-mails, reuniões, etc., deverão inte-
grar as seguintes dimensões:
Imagem corporativa coerente
e consistente, de acordo
com o Manual de Identidade
Corporativa (caso exista).
Mensagens apelativas (vale mais
uma mensagem forte do que
muitas fracas).
Despertar curiosidade e
interesse.
Inclusiva (sempre que possível
envolver as pessoas através de
fotografias, frases ou textos
da autoria de pessoas da
organização, etc.).
Ter uma dimensão emocional e
lúdica.
Privilegie a simplicidade dos meios.
Sempre que puder, opte por solu-
ções mais simples em detrimento
de soluções mais complexas. Torna-
-se mais rápido, mais barato e mais
eficaz. Lembre-se que menos é mais!
50| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE GESTÃO

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«As palavras
são os desenhos
dos nossos
pensamentos.»
John Dryden
Em conclusão: uma cultura organi-
zacional eficiente integra um Plano
de Comunicação Interna participa-
tivo, co-criador e fluido, onde todos
se reveem tanto na sua estrutura-
ção como na pertinência da infor-
mação e nas decisões que decorrem
da mesma.
5. OPERACIONALIZAÇÃO:
A operacionalização das ações de
um Plano de Comunicação Interna
deve contemplar três pressupostos:
serem concisas, oportunas e apro-
priadas.
Dicas para uma newsletter interna
num paradigma de humanização
comunicacional e de “mais é me-
nos”:
Capa – coloque apenas um título
e uma grande imagem positiva
congregadora e surpreendente
(lembre-se que as pessoas se
focam primeiro na imagem).
Mensagem inicial – escolha
um protagonista com carisma
consensual, que não tem que ser,
necessariamente, o dono ou CEO
da empresa.
Partilhe estórias, casos de
sucesso.
Reserve um espaço para o
reconhecimento (por exemplo,
colaborador que trabalha há
muitos anos na empresa, etc.).
Admissões, promoções,
transferências. O «quem é
quem?» deve ser aproveitado
para dar estatuto à pessoa e à
função e não limitar-se à simples
fotografia com título da função.
Atos relevantes da vida social e
familiar dos colaboradores (por
exemplo, casamento, batizados,
formatura dos filhos, etc.).
Os esclarecimentos sobre normas
e procedimentos devem ter um
espaço dedicado onde constem
testemunhos positivos de
utilizadores dos mesmos em vez
de regulamentos.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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A IMPORTÂNCIA DE UM PLANO DE COMUNICAÇÃO INTERNA — MENOS É MAIS

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APRENDIzAGEM
AO LONGO DA
VIDA: CONCEITO
E POLíTICAS
Por: Etelberto Costa, vice-presidente APG e da EUCIS-LLL
Fotografias: cedidas pelo autor
educação e formação. Em Learning: The Treasure Wi-
thin (1996) a aprendizagem ao longo da vida é entendi-
da como «um contínuo de aprendizagem, que se expan-
diu para o conjunto da sociedade, aberta no tempo e no
espaço, e que se torna uma dimensão da própria vida».
Esta abordagem tem influenciado a União Europeia. «O
objetivo da ALV é o de proporcionar às pessoas de todas
as idades um acesso equitativo e aberto às experiências
de aprendizagem de alta qualidade em toda a Europa»
(Eurostat, 2009a).
No entanto, nos últimos anos o foco da UE para a ALV
passou a enfatizar a empregabilidade, o desenvolvi-
mento (profissional) e habilidades (superiores) para a
mobilidade no trabalho. Esta perspetiva é claramente
articulada nas conclusões do Conselho Europeu sobre o
papel da educação e da formação na implementação da
estratégia «Europa 2020»1 (2011 / C 70/01), que foram
publicadas em março de 2011. Ao considerar uma das
1 The current growth strategy of the EU, «Europe 2020 strategy», sets two main
flagship initiatives for education, training and youth: «The Agenda for New
Skills and Jobs» and «Youth on the Move».
O que queremos dizer com
aprendizagem ao longo da vida (ALV)?
As definições sobre educação ao longo da vida
variam de acordo com as perspetivas e priori-
dades dos formuladores de políticas num dado
momento. A Comissão Europeia definiu aprendizagem
ao longo da vida como «uma atividade de aprendizagem
ao longo da vida, com o objetivo de melhorar os conhe-
cimentos, habilidades e competências numa perspetiva
pessoal, cívica, social e/ou profissional».
A definição literal da aprendizagem ao longo da vida
é simplesmente «toda a aprendizagem que as pessoas
adquirem ao longo de toda a sua vida que se adquire em
contextos formais, não formais ou informais». Portanto,
a aprendizagem é uma tarefa contínua da sociedade e do
indivíduo, que se estende a todas as áreas da vida, «do
berço ao túmulo». Este conceito surgiu nos documen-
tos de política da União Europeia nos anos 90. No en-
tanto, não é novo na literatura internacional (UNESCO,
OCDE, Conselho da Europa). De particular importância,
as duas publicações da UNESCO, Learning to Be (1972)
e Learning: The Treasure Within (1996, 2013), foram
fontes importantes para os formuladores de políticas
de educação e profissionais de nível internacional. Têm
sido influentes na promoção de uma visão integrada e
humanística da educação enquadrada pelo paradigma
da aprendizagem ao longo da vida e pelos quatro pilares
da aprender a ser, a conhecer, a fazer e viver juntos.
O paradigma da aprendizagem ao longo da vida, inicial-
mente introduzido em Learning to Be (1972), está rela-
cionado com o princípio da igualdade de oportunidades
na perspetiva da democratização das oportunidades de
52| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE FORMAÇÃO

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iniciativas emblemáticas dentro do Quadro ET2020 – a
«Agenda para novas qualificações e novos empregos»2,
que destaca a necessidade de melhorar as competên-
cias e aumentar a empregabilidade – o Conselho obser-
va que: «O progresso tem que ser feito para melhorar a
identificação das necessidades de formação, aumentar
a relevância da educação e formação para o mercado
de trabalho, facilitar o acesso dos indivíduos às opor-
tunidades de ALV e garantir transições suaves entre os
mundos da educação, formação e emprego. Conseguir
isso exige uma colaboração mais estreita e parcerias
entre os serviços públicos, na educação e formação e os
empregadores a nível nacional, regional e local. A tran-
sição para a aprendizagem de sistemas de qualificação
baseados em resultados e uma maior validação das ap-
tidões e competências adquiridas em contextos não for-
mais e até informais também são de grande importância
no reforço da empregabilidade.»
Esta abordagem foi confirmada na recente comunicação
da Comissão «The Communication on Rethinking Edu-
cation (2012)»3. A primeira frase da comunicação refe-
re que «o investimento na educação e formação para o
desenvolvimento de competências é essencial para es-
timular o crescimento e a competitividade e para a ca-
pacidade da Europa aumentar a produtividade». Neste
documento, o conceito da ALV é reduzido a serviços de
educação de adultos e de participação na educação de
adultos. O conceito parece estar assim a perder peso a
nível da UE e, como tal, suscitou viva reação das institui-
ções da sociedade civil que fazem lobbYing em Bruxelas.
Outras instituições, como a UNESCO, lançaram uma re-
flexão global de revisitar o conceito. As conclusões pre-
liminares são: «Parece haver consenso geral de que a
visão integrada e humanística de aprendizagem descri-
to por Faure e Delors continuam a ser indispensáveis.»
A visão atual é vista como uma alternativa válida em
que a abordagem utilitária e produtivista tem dominado
o discurso internacional para o desenvolvimento desde
a década de 1970.
Ao repensar a educação hoje é necessária uma nova
reavaliação dessa visão, tomando em conta as condi-
ções contemporâneas.
2 Agenda para «new skills for new jobs» no original.
3 A iniciativa Repensar a Educação foi lançada em 2012 com o objetivo de
incentivar a reforma dos sistemas educativos na UE, para satisfazer a procura
crescente de competências mais elevadas e reduzir o desemprego. (http://
ec.europa.eu/digital-agenda/en/node/67583)
Que implicações para as organizações
de ensino/formação?
A ALV representa uma mudança de paradigma4 que exi-
ge, por sua vez, uma mudança cultural dentro das insti-
tuições de ensino e formação. Enquanto as instituições
de ensino tradicionais (porque as há) se preocupam
principalmente com o conhecimento de transmitir opor-
tunidades de aprendizagem modernas, a abordagem de
ALV coloca ênfase no desenvolvimento das capacidades
individuais e competências pessoais de aprender.
No cerne do conceito de ALV está a ideia de permitir e
incentivar as pessoas para o aprender a aprender. Numa
estratégia sistémica os aprendentes, em cada fase da
vida, não precisam de ter oportunidades de aprendiza-
gem, mas de uma visão e uma estratégia que os prepare
e motive a aprofundarem a sua aprendizagem/compe-
tência, se necessário, de forma auto-organizada e auto-
dirigida. Na prática, isto requer que cada cidadão tenha
um percurso de aprendizagem individual, adequado às
suas próprias necessidades e interesses em todas as fa-
ses da sua vida5.
Um dos principais desafios para a UE no próximo perío-
do6 é enfrentar o descompasso entre os níveis de quali-
ficações e as necessidades dos postos de trabalho e da
sua criação com abertura de percursos de aprendizagem
4 Formação ou aprendizagem: mudança de paradigma (SOUSA, M. J. e COSTA,
E., 2014) http://www.amazon.com/Forma%C3%A7%C3%A3o-aprendizagem-
Mudan%C3%A7a-paradigma-Portuguese/dp/3639742141
5 Em Portugal e para quem nos lê, mesmo sendo um especialista, isto é uma
miragem...
6 E particularmente para Portugal que não deixa os lugares mais baixos entre
os seus pares.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA: CONCEITO E POLÍTICAS

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flexíveis. As organizações educativas e formativas são
incentivadas a reformarem-se a fim de adaptarem a sua
oferta de aprendizagem.
Tem havido um interesse crescente na aprendizagem ao
longo da vida a nível da União Europeia desde o início de
1990. À aprendizagem ao longo da vida é dado um papel
central na educação e políticas de formação e emprego.7
É um facto que as políticas de educação e formação da
UE ganharam impulso desde a adoção da Estratégia de
Lisboa em 2000, a estratégia global da UE centrada no
crescimento e no emprego. O tópico foi utilizado para
um programa de financiamento integrado no domínio
da aprendizagem ao longo da vida, em 2007, o Progra-
ma de Aprendizagem ao Longo da Vida (hoje Erasmus
mais). A ALV é, portanto, amplamente apoiada e promo-
vida através de programas de financiamento da UE, no
âmbito do Método Aberto de Coordenação8 ou adoção
de documentos e instrumentos de política.
Assim se chega aos objetivos estratégicos de longo pra-
zo das políticas de educação e formação da UE e que
são:
Tornar a aprendizagem ao longo da vida e a
mobilidade uma realidade.
Melhorar a qualidade e eficiência da educação e
formação.
Promover a igualdade, a coesão social e a cidadania
ativa.
Incentivar a criatividade e a inovação, incluindo o
empreendedorismo, em todos os níveis de educação
e formação.
7 O artigo 165.o do Tratado de Lisboa estabelece «The Union shall contribute to
the development of quality education by encouraging cooperation between
Member States and, if necessary, by supporting and supplementing their
action, while fully respecting the responsibility of the Member States for
the content of teaching and the organisation of education systems and their
cultural and linguistic diversity».
8 Reducing school drop-out rates below 10% and at least 40% of 30-34–year-
olds completing third level education.
O progresso na ALV tem sido feito num número de áreas-
-chave. Por exemplo, estratégias explícitas de aprendi-
zagem ao longo da vida foram desenvolvidas por um
grande número de países da UE. A maioria incorporou
uma visão abrangente da ALV, abrangendo todos os
tipos e níveis de educação e formação. Além disso, os
quadros de qualificações nacionais ligados ao Quadro
Europeu de Qualificações estão a ser desenvolvidos na
maioria dos países, no horizonte de 2018. Embora em
ritmo mais lento, os sistemas de validação das aprendi-
zagens não formal e informal também são visíveis. Neste
aspeto Portugal continua a ser uma referência europeia.
É evidente que as principais lacunas que persistem con-
sistem em garantir que as políticas atuais da UE são de-
senvolvidas e implementadas a nível nacional. A imple-
mentação da ALV continua a ser desigual e está ausente
um forte compromisso político na maioria dos países.
Isto é particularmente verdade nestes tempos de crise
económica nas restrições orçamentais de assumir o in-
vestimento de longo prazo necessário em capital huma-
no. Isto pode explicar a mudança para uma abordagem
mais utilitária ou económica (nova comissão Juncker)
contra uma holística que envolva os objetivos sociais e
culturais.
A ALV representa uma mudança radical a partir de nor-
mas e padrões de aprendizagem existentes, quando
comparada com a educação front-end tradicional. Atin-
gir benchmarks UE exige medidas eficazes para imple-
mentar a aprendizagem ao longo da vida. Precisamos de
passar da teoria à prática!
Se a aprendizagem pode ser entendida como parte de
um processo ao longo da vida e de toda a vida natural, a
sua tradução para a política manteve-se mais problemá-
tica nas sociedades, se não menos importante por causa
da mobilização de recursos que implica.
54| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE FORMAÇÃO

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O projeto europeu LLL-HUB9 é um
passo nessa direção
O projeto LLL-HUB é um projeto da UE financiado pelo
Lifelong Learning Programme que pretende iniciar um
novo mecanismo para envolver diretamente os deciso-
res políticos e os atores regionais/nacionais em estraté-
gias da UE para a ALV.
Cada país parceiro (oito no total) estuda a nível regio-
nal/nacional a situação sobre a implementação dessas
diferentes estratégias (pelos designados LLL-Labs). Em
seguida, os parceiros irão organizar um fórum regional/
nacional (LLL-Forum) com base na pesquisa realizada
e envolvendo os decisores políticos e outras partes in-
teressadas representativas em trazer uma contribuição
prática. Em Portugal a APG – Associação Portuguesa de
Gestores de Pessoas envolveu 15 peritos para esta ini-
ciativa. A última fase do projeto consiste num agrupa-
mento transnacional de conhecimentos («Conferência
Europeia: LLL-Àgora», a realizar em Bruxelas em 2016)
para fazer uma análise comparativa dos fatores críticos,
identificar os desafios comuns e elaborar recomenda-
ções políticas.
Como surgiu a ideia do projeto e com
que objetivos?
A plataforma europeia EUCIS LLL (www.eucis-lll.eu) –
The European Civil Society Platform on Lifelong Lear-
ning, no quadro das suas iniciativas europeias e da sua
missão, respondeu a uma call da CE (Comissão Euro-
peia) – Lifelong Learning Programme – Key Activity 1
– Policy cooperation and innovation – «Networks» – em
2012 que foi aprovada. A APG detém uma vice-presi-
dência nessa plataforma europeia.
O projeto pretende atingir os três seguintes objetivos
transversais:
1. Fomentar um sentido compartilhado de aprendiza-
gem ao longo da vida.
2. Ativar, a nível multissetorial, a cooperação multi-sta-
keholders.
3. Estruturar a aprendizagem política transnacional ba-
seada numa investigação e diálogo a nível regional/
nacional sobre as estratégias de ALV na UE.
9 Creating a space for Lifelong Learning. Ver em www.lll-hub.eu
Quais os países envolvidos no projeto
e qual a responsabilidade de Portugal?
São dez parceiros de oito países – Bélgica, Bulgária,
França, Holanda, Polónia, Portugal, Espanha e Turquia.
Portugal, através APG10, é líder do Working Package 6,
relativo à disseminação do projeto, e assume assim o
papel maior de fazer comunicar o projeto a nível mun-
dial. É ainda a promotora e organizadora do concurso
LLL-HUB, uma competição que visa a concessão de mais
inovadoras boas práticas identificadas pelos parceiros
nos seus estados de reprodução em cada uma das qua-
tro áreas estudadas.
As redes sociais, geridas pela equipa portuguesa, já
acolheram a iniciativa LLL-HUB, que pode ser acompa-
nhada através da sua página do Facebook e do Twitter11.
A APG foi anfitriã da segunda reunião do projeto nos pri-
meiros dias de outubro de 2014.
A rede nacional LwG@pt12
tem aqui uma plataforma
para se posicionar e todos podem juntar-se à APG neste
esforço nacional para uma colocação a nível europeu e
mundial.
A Fundação Calouste Gulbenkian
(FCG) alia-se à APG e seus parceiros
no projeto europeu LLL-HUB
A FCG integra o grupo de 15 especialistas portugueses
do projeto. Estes peritos desenvolveram até ao final do
mês de janeiro estudos de testemunhos e boas práticas
de ALV em Portugal, no âmbito da primeira etapa deste
projeto, os LLL-Labs. A união destes estudos vai resultar
num «National State of Play» que será apresentado no
LLL-Fórum nacional.
A FCG junta-se assim ao grupo de peritos, onde se podem
encontrar representadas outras entidades de referência
em ALV em Portugal, nomeadamente Advancis, ANQEP,
CITEFORMA, Dianova, Centro de Estudos dos Povos e Cul-
turas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica
Portuguesa (CEPCEP/UCP), INOVA+, ISCTE/Universidade
Europeia, Universidade Aberta e a Universidade de Évora
e, obviamente, três associados da APG.
10 A ANQEP é parceiro associado.
11 www.facebook.com/LLLHUB e www.twitter.com/LLLHUB
12 Pt Learning Working Group - www.lwgportugal.org
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APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA: CONCEITO E POLÍTICAS

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Quais os produtos e resultados
esperados do projeto?
O primeiro é a nível nacional, como resultado dos LLL-
-Labs, em que, em cada país, são identificadas boas prá-
ticas, as perspetivas e as estratégias, e resulta num rela-
tório de conclusões. Serão criados, portanto, oito «State
of Play» de nível europeu.
O segundo output será conhecido posteriormente, no
LLL-Agora, em Bruxelas, num documento que irá reunir
os oito «State of Play» para fazer uma análise compara-
tiva dos fatores críticos, identificar os desafios comuns e
elaborar recomendações políticas à Comissão Europeia.
O projeto tem já as suas páginas de comunicação nas re-
des sociais e o seu sítio na web que vão continuar após
o fecho do projeto.
O parceiro holandês Leido, que prepara a wp7-explora-
ção, está a desenvolver uma plataforma e um modelo de
negócio que sustente o projeto após terminar o período
de financiamento.
O que vai ser o LLL-Fórum
Em Portugal, o fórum de lançamento realizou-se na se-
gunda quinzena de abril13.
O quadro sintetiza o nível e a qualidade das interven-
ções. Tal foi possível porque alicerçadas, obviamente,
em trabalho sustentado nas reflexões dos especialistas
nos LLL-Labs e do estado da arte em Portugal.
13 Teve lugar no dia 23 de abril na ESCE IPS | Escola Superior de Ciências
Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal.
Questão de partida
Síntese conclusiva
1 Estão os sistemas de
educação e formação
orientados para
caminhos flexíveis de
aprendizagem?
Estes sistemas continuam focados principalmente nos curricula, construídos com base em princípios
que estão longe das competências exigidas, desconsiderando-se assim as aprendizagens adquiridas em
contextos não formais e informais.
Continuam a privilegiar-se sistemas clássicos e académicos no que diz respeito à avaliação; até mesmo
nos processos mais flexíveis, como no caso dos RVCC, a certificação de competências é garantida por
uma prova escrita, oral ou prática diante de um júri.
2 Para onde caminhamos
afinal? Aprendizagem
centrada no formador
ou no aprendente?
O formador também é um aprendente, por isso não nos devemos focar exclusivamente no binómio for-
mador/formando, mas sim no conteúdo – compreender o que levou à sua necessidade e em que partes
dele nos devemos focar. Sempre, afinal, perspetivando o objetivo último de chegar ao aprendente e à
razão última que está na origem da necessidade da aprendizagem.
3 As parcerias/redes
têm ajudado? Qual o
seu papel em termos
de responsabilidade
partilhada?
As parcerias/redes permitem conhecer outras culturas educacionais e formativas, e sobretudo aprender
a: ouvir perspetivas diferentes (línguas, culturas, métodos de trabalho), treinar as competências com-
portamentais (liderança, relações interpessoais, trabalho em equipa, assertividade, gestão do tempo e
de conflito฀), perceber o que é estratégico e do interesse comum e reconhecer que para os parceiros se
trata sempre de uma autoaprendizagem contínua.
4 O que pode/deve ser
recomendado em
termos de políticas
para o desenvolvimento
da ALV?
1. Portugal deve reconhecer que uma grande faixa da sua população ativa apresenta ainda competên-
cias de nível muito baixo, pelo que deve prosseguir com os programas de desenvolvimento das aprendi-
zagens não formais e informais.
2. Desejável encontrar soluções mixed (entre aprendizagem formal, não formal e informal) para as pes-
soas com idade acima dos 40 anos, que correspondem a uma grande percentagem da população desem-
pregada com qualificações desajustadas às necessidades do mercado de emprego.
56| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE FORMAÇÃO

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Aqui chegados, e não havendo obrigação nem recursos
financeiros, passa a funcionar a vontade e determina-
ção dos parceiros nacionais. Existe um calendário para
a realização de mais quatro edições em diferentes pon-
tos do país, colhendo apoios e cooperação nos parcei-
ros mas também em entidades e pessoas que queiram
apropriar-se deste reconhecimento e trabalho. Desses
quatro fóruns agendados (Porto, Lisboa, Évora), um de-
les decorre em parceria com o CNQF do IEFP e decorre
no Citeforma.
Estes resultados, lembramos, convergem para uma Con-
ferência Europeia em Bruxelas (a Àgora) a realizar em
março de 2016, onde se vão juntar todos os especialis-
tas dos dez parceiros com decisores e altos funcionários
da DG EAC – Directorate-General for Education and Cul-
ture e da DG for Employment, Social Affairs & Inclusion
e representantes das plataformas e stakeholders mem-
bros da EUCIS LLL.
O Fórum LLL de Setúbal foi integrado na 19.ª Confe-
rência de Formadores da APG que decorreu sob o Lema
«Aprendizagem ao Longo da Vida: Aprender ou For-
mar?» Além dos participantes (cerca de 150) teve uma
presença europeia, a diretora executiva da plataforma
EUCIS LLL, autoridades nacionais e um debate conse-
quente e estruturado em tópicos concretos, a prestigiar
o conhecimento feito em Portugal e a contribuir para
as políticas públicas na educação/formação/aprendiza-
gem ao longo da vida.
Já não ficamos apenas pelo acesso aos slides das apre-
sentações, mas queremos obter e ser parte do processo
de interpretação e de transformação de «informação»
em «conhecimento» apropriando-nos dele.
Qual a influência do projeto na criação
de novas políticas de ALV a nível
europeu?
O projeto LLL-HUB permite fazer uma análise compara-
tiva de oito países da União Europeia e de como estes,
através de uma noção comum de ALV, adotam interpre-
tações e estratégias diferentes consoante os seus ato-
res políticos. Não só identifica esta discordância, mas
dá também a entender que as diferentes interpretações
produzem uma diversidade de boas práticas e propostas
que podem ser exemplo para os restantes países. Reve-
la, portanto, «os dois lados da moeda».
A nível europeu, o produto final, apresentado no LLL-
-Àgora, vai ser apresentado aos decisores políticos da
Comissão Europeia e deverão ser feitas sensibilizações
para esta necessidade de pensar melhor numa estra-
tégia comum para toda a União Europeia sobre a ALV.
O projeto LLL-HUB propõe, mas a iniciativa e motivação
finais cabem aos responsáveis na Comissão Europeia e
aos Estados-membros.
A EUCIS LLL, como plataforma única a nível europeu
que tem audiência com o diretor-geral da Agência Euro-
peia (dgeac) e agrega 36 redes europeias neste domínio,
está em boas condições de ser consequente na explora-
ção das conclusões e recomendações e existe uma boa
expetativa dos responsáveis europeus.
A ambição do projeto e dos parceiros é contribuir para
uma visão europeia sobre a ALV que seja alicerce para
garantir o seu futuro e assegurar valor na competição e
valorização dos seus povos.
Estamos em condições de acrescentar um passo e assim
possamos colher vontades junto dos nossos agentes do
conhecimento e da cultura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COMISSÃO EUROPEIA, Communication on Rethinking Education. http://
ec.europa.eu/digital-agenda/en/node/67583.
EUCIS LLL (www.eucis-lll.eu) – Tomadas de posição.
SOUSA, M. J. e COSTA, E., Formação ou Aprendizagem: Mudança de
Paradigma, 2014.
UNESCO, Learning to be – http://www.unesco.org/education/pdf/15_60.pdf ,
1972.
UNESCO, Revisiting Learning: The Treasure WiThin Assessing the influence of
the 1996 DeloRs RepoRt, 2013.
http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002200/220050e.pdf
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA: CONCEITO E POLÍTICAS

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LIDERAR, MOTIVAR
E COMUNICAR COM
O SKYPE
Por: Fernando Ferreira – engenheiro informático
O QUE É O SKYPE
O Skype é um sistema que lhe per-
mite ligar, ver, enviar mensagens
e partilhar conteúdos com outras
pessoas, onde quer que estejam.
Algumas das funcionalidades do
Skype são gratuitas e outras terão
de ser pagas. Por exemplo, são gra-
tuitas:
A sua conta Skype e os últimos
descarregamentos.
INTRODUÇÃO
Seja para comunicar a nível pes-
soal, seja a nível empresarial, o Sky-
pe, um serviço de webconferência,
poderá ser para si uma ótima opção,
seja para liderar grupos, aumentar
a motivação dos colaboradores de
uma empresa ou instituição. O Sky-
pe funciona em vários dispositivos,
como computador, telemóvel, ta-
blet, TV e mesmo como telefone fixo
de casa!
Videochamadas e chamadas
de voz para qualquer pessoa (que
utilize o Skype).
Mensagens instantâneas e
partilha de ficheiros.
Outras funcionalidades são pagas,
como as chamadas em grupo, para
telefones e telemóveis, acesso via
hotspots públicos com o Skype Wi-
-Fi.
O Skype é muito flexível, possuindo
ainda outras potencialidades, a ní-
vel de mensagens e vídeo, como o
número Skype, reencaminhamento
de chamadas, ID de chamadas, Sky-
pe to Go, mensagens de voz, Group-
Me, envio de ficheiros, partilha do
ecrã em grupo, envio de contactos,
associação Skype Facebook, Skype
Manager, Skype Connect, Skype
para Outlook.
58| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE FORMAÇÃO

Page 61
PARA COMEÇAR
Para começar a usar o Skype, terá
de possuir uma webcam, para que
as pessoas o vejam, uma ligação
à Internet, um computador ou um
dispositivo móvel, um microfone e
colunas ou dispositivo com auscul-
tadores com microfone incorpora-
do. Se usar um computador portátil,
em princípio este já terá webcam e
microfone incorporados.
Caso não possua ainda o Skype ins-
talado no seu dispositivo terá de o
instalar, processo este rápido e gra-
tuito.
Para obter e instalar o Skype
Para obter o Skype deve entrar, por
exemplo, no portal www.skype.com
e procurar a opção de instalação.
Depois deve escolher o tipo de sis-
tema: computador, telemóvel ta-
blet, etc. Se gosta de conversar,
trabalhar e fazer muitas outras coi-
sas no computador, o Skype para
computadores com Windows será a
melhor opção.
Para instalar, terá de fazer clique no
botão «Obter o Skype para compu-
tadores com Windows».
Para efetuar a configuração, deve
seguir vários passos:
1. Guarde o ficheiro de configura-
ção Skype no seu computador.
2. Localize e clique duas vezes no fi-
cheiro de configuração Skype e, em
seguida, siga as indicações do pro-
grama para concluir a instalação.
UTILIZAR O SKYPE
Depois de instalar o programa, terá
acesso ao ícone no seu ambiente de
trabalho:
Se fizer duplo clique nesse ícone
executará a aplicação Skype, para
iniciar uma sessão com o seu Nome
Skype e a respectiva palavra-passe.
Caso não possua uma conta Skype
terá de criar uma nova conta, preen-
chendo o formulário respetivo:
Criada a conta, é altura de começar
a explorar algumas das opções do
Skype. Para começar, entre então
com a conta criada:
O ambiente de trabalho
Após entrar na sua conta terá aces-
so ao ambiente de trabalho do Sky-
pe, com várias barras de comandos
e a sua identificação. Se entrar com
um Nome Skype, o nome que inse-
riu no seu perfil será apresentado
aí. Se estiver ligado com a sua conta
da Microsoft, o endereço de e-mail
dessa conta será exibido.
As barras de comandos organizam-
-se em grupos:
Barra de menus: inclui todas
as opções que irão ajudá-lo a
aproveitar o Skype ao máximo.
Barra de status: pode alterar
o seu status do Skype e nome de
exibição, se o desejar.
Barra de ferramentas: permite
que aceda aos recursos mais
usados do Skype de um modo fácil.
Lista de contatos: mostra os
seus contactos e permite que veja
o respetivo status.
Lista recentes: apresenta as
conversas mais recentes que teve
no Skype.
No fundo do ecrã tem disponíveis os
contactos já adicionados.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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LIDERAR, MOTIVAR E COMUNICAR COM O SKYPE

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A opção Echo/Sound Test Service
permite testar se o som está a fun-
cionar corretamente.
Ligar a um dos contactos
Quando seleciona um contacto é
apresentado um resumo, o qual
indica aos amigos o seu status e
mensagem de humor; se quiser ob-
ter mais informações sobre o seu
amigo, clique no nome dele e será
apresentada uma janela pop-up
com as informações completas do
seu perfil.
Os botões no lado direito das infor-
mações de contacto permitem que
ligue ou faça chamadas com vídeo
no Skype ou adicione mais pessoas
para uma conversa em grupo.
Para ligar a um dos contactos ape-
nas precisa de fazer duplo clique
sobre esse contacto, obtendo infor-
mação se está online e quando foi
feita a última comunicação.
Do lado direito do ecrã possui três
botões que pode usar: Videochama-
da, Ligar, Adicionar pessoas.
Se optar por Videochamada ou Li-
gar, obterá um ecrã de ligação para
videochamada/ligação para a pes-
soa selecionada nos contactos.
Caso o destinatário esteja online
será estabelecida a ligação e o pro-
cesso de comunicação pode então
iniciar-se:
• Na chamada janela de conversa é
mostrada a conversa por chat na
qual está a participar.
• A caixa de conversas é usada para
digitar e enviar as suas mensa-
gens de chat e SMS.
Acionar ou eliminar o vídeo
Acionar ou eliminar o vídeo da sua
conversa pode ser feito mesmo com
a chamada em andamento.
Os ícones abaixo podem ser usados
para acionar a webcam e o som, res-
petivamente.
Enviar ficheiros
Durante uma sessão pode enviar fi-
cheiros para Skype ou SMS usando
o botão Enviar ficheiros.
Adicionar pessoas
Se optar pelo botão Adicionar pes-
soas obterá a caixa para seleção dos
contactos.
Partilhar o ecrã
Se desejar partilhar o seu ecrã, por
exemplo para mostrar um ficheiro
pdf ou demonstrar algum comando,
por exemplo numa formação sobre
informática, recorra ao comando
Chamada/Partilhar ecrã.
60| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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GESTÃO RH. TEMAS DE FORMAÇÃO

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CONFIGURAÇÕES
Existem imensas hipóteses de con-
figurar o seu Skype.
Personalizar o perfil
Para alterar os dados do seu perfil
use o comando Ver/Perfil.
Pode definir se o seu perfil deve ou
não ser público.
Definir estado
Com o comando Skype/Estado onli-
ne pode definir o seu estado atual,
para ser visto por outros utilizado-
res:
Gerir contactos
Para gerir contactos, como adicio-
nar, eliminar, alterar, etc., deve usar
o comando Contactos.
Outra hipótese é optar por Adicio-
nar contacto, no topo do ecrã de
videochamada, sendo possível pro-
curar no diretório Skype ou por nú-
mero de telefone:
CONCLUSÃO
O Skype tem sido usado ao longo do seu aparecimento
em imensas aplicações, como reuniões de negócios, for-
mação, intercâmbio cultural, comunicações pessoais,
etc. O limite tem sido mesmo a imaginação!
Caso prático
Um exemplo disto é o recente projeto-piloto que lancei
para apoio às Provas de Aptidão Profissional e da For-
mação em Contexto de Trabalho, do Curso Profissional
Técnico de Multimédia, no Agrupamento de Escolas
Soares Basto (Oliveira de Azeméis), intitulado «SB De-
sign Multimédia | Skype».
A ideia é permitir maior flexibilidade, eficácia e eficiên-
cia na comunicação entre alunos e professores para es-
clarecer dúvidas, analisar ou corrigir um trabalho dire-
tamente no computador, demonstrar o funcionamento
de algum comando de determinado software, etc. Todas
as possibilidades permitidas pelo Skype podem ser aqui
utilizadas, acreditando que este projeto será um ótimo
complemento às sessões presenciais de apoio entre alu-
nos e professores realizadas na escola.
Seja para trabalhar, seja para diversão, o Skype é, de
facto, uma ótima opção. Experimente!
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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LIDERAR, MOTIVAR E COMUNICAR COM O SKYPE

Page 64
APOIOS À
CRIAÇÃO DE
EmPREGO
PROGRAMA
INVESTE JOVEM
A política de emprego tem um papel fundamental
na melhoria da organização e do funcionamento
do mercado de trabalho. De entre os seus vários
objetivos específicos é oportuno destacar três medidas,
cujos objetivos são promover o empreendedorismo jo-
vem – Investe Jovem, a contratação de desempregados –,
Medida Estímulo Emprego e a Promoção da Mobilidade
Geográfica, incentivando a redistribuição geográfica e
profissional da mão-de-obra.
No texto abaixo poderá o leitor encontrar um breve resu-
mo destas medidas.
Trata-se de um programa destinado a promover a cria-
ção de empresas por jovens desempregados, através das
seguintes modalidades de apoio:
• Apoio financeiro ao investimento.
• Apoio financeiro à criação do próprio emprego dos
promotores.
• Apoio técnico na área do empreendedorismo para re-
forço de competências e para a estruturação e conso-
lidação do projeto.
Tem como principais objetivos:
• Incentivar o empreendedorismo.
• Promover a criação de emprego e o crescimento eco-
nómico.
Os seus destinatários são:
Jovens com idade igual ou superior a 18 anos e inferior
a 30 anos, inscritos como desempregados no IEFP, e que
possuam uma ideia de negócio viável e formação ade-
quada para o desenvolvimento do negócio.
Os projetos de criação de empresas devem respeitar, no-
meadamente, os seguintes requisitos:
• apresentar um investimento entre 2,5 e 100 x IAS;
• apresentar viabilidade técnico-financeira;
• não incluir, no investimento a realizar, a compra de ca-
pital social de empresa existente.
Notas:
(i) A realização do investimento e a criação dos postos de
trabalho dos promotores associados ao projeto devem estar
concluídas no prazo de 6 meses a contar da data da disponi-
bilização inicial do apoio financeiro.
(ii) Durante esse período o projeto de criação de empresas
não pode envolver a criação de mais de 10 postos de trabalho,
incluindo os dos promotores.
(iii) Os projetos devem manter a atividade da empresa e, ne-
cessariamente, assegurar a criação do respetivo posto de tra-
balho a tempo inteiro dos destinatários promotores, durante
um período nunca inferior a 3 anos.
(iv) Podem participar no capital social outras pessoas desde
que 51% do capital social seja detido pelos destinatários pro-
motores.
62| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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PÁGINA INSTITUCIONAL

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Apoios disponíveis:
Apoios ao investimento
• Apoio financeiro até 75% do investimento total elegível.
• Este apoio só pode financiar o fundo de maneio indexado ao projeto até 50% do investimento elegível, no limite de
5 x IAS.
• Os promotores devem assegurar, pelo menos, 10% do investimento total elegível em capitais próprios.
• O apoio financeiro é atribuído sob a forma de empréstimos sem juros, amortizável no prazo de 54 meses, nas se-
guintes condições:
Investimento total
aprovado
Prazos
≥ 2,5 x IAS e ≤ 10 x IAS
• Período de diferimento de 6 meses, a contar da data da contratualização do apoio
• Reembolso nos 18 meses imediatamente subsequentes ao término do período de diferimento
> 10 x IAS e ≤ 50 x IAS
• Período de diferimento de 12 meses, a contar da data da contratualização do apoio
• Reembolso nos 36 meses imediatamente subsequentes ao término do período de diferimento
> 50 x IAS e < 100 x IAS
• Período de diferimento de 12 meses, a contar da data da contratualização do apoio
• Reembolso nos 48 meses imediatamente subsequentes ao término do período de diferimento
Investimento total
Apoios à criação do próprio emprego dos
promotores
• Apoio financeiro sob a forma de subsídio não reem-
bolsável, até ao montante de 6 x IAS por destinatário
promotor que crie o seu posto de trabalho a tempo in-
teiro, até ao limite de quatro postos de trabalho objeto
de apoio.
Apoio técnico
• Para desenvolvimento de competências na área do
empreendedorismo e na estruturação do projeto –
apoio assegurado por iniciativa e responsabilidade do
IEFP.
• Para consolidação de projetos – apoio assegurado
pela Rede de Entidades Prestadoras de Apoio Técnico
(EPAT), credenciadas pelo IEFP.
Nota:
Os apoios financeiros não podem, no seu conjunto,
ultrapassar o valor do investimento total.
Condições de atribuição dos apoios
• As novas empresas não podem ter iniciado a atividade
à data da entrega do pedido de financiamento.
• Desde a data da contratualização dos apoios e até à
extinção das obrigações associadas à execução do
projeto, as novas empresas devem reunir, cumulativa-
mente, os seguintes requisitos:
› ฀ encontrarem-se regularmente constituídas e regis-
tadas;
› ฀ disporem de licenciamento e demais requisitos le-
gais exigidos para o exercício da atividade ou apre-
sentarem comprovativo de terem iniciado o proces-
so aplicável;
› ฀ terem a situação contributiva regularizada perante
a administração tributária e a Segurança Social;
› ฀ não se encontrarem em situação de incumprimen-
to no que respeita a apoios financeiros concedidos
pelo IEFP;
› ฀ terem a situação regularizada em matéria de resti-
tuições no âmbito dos Fundos Estruturais;
› ฀ disporem de contabilidade organizada de acordo
com o previsto na lei, quando aplicável.
Estes apoios são cumuláveis com os da medida de Apoio
à Mobilidade Geográfica no Mercado de Trabalho.
As candidaturas são apresentadas ao IEFP, no período
definido e divulgado no portal do IEFP (www.iefp.pt).
Enquadramento Legislativo e Normativo
• Portaria n.º 151/2014, de 30 de julho
• Regulamento Específico
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revista Dirigir&Formar n.º 11
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APOIOS À CRIAÇÃO DE EMPREGO

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MEDIDA ESTíMULO
EMPREGO
Trata-se de um apoio financeiro aos empregadores que
celebrem contratos de trabalho a termo certo por pra-
zo igual ou superior a 6 meses ou contratos de trabalho
sem termo, a tempo completo ou a tempo parcial, com
desempregados inscritos nos serviços de emprego, com
a obrigação de proporcionarem formação profissional
aos trabalhadores contratados.
Nota: Este apoio pode ser cumulável com a dispensa
temporária do pagamento de contribuições para a
Segurança Social na parte relativa à entidade empre-
gadora, regulada pelo Decreto-Lei n.º 89/95, de 6 de
maio, da responsabilidade da Segurança Social, quan-
do se trate de contratação de jovens (até 30 anos) à
procura do primeiro emprego ou de desempregados de
longa duração.
Tem como principais objetivos:
• Combater o desemprego, fomentando a criação líqui-
da de postos de trabalho.
• Promover a contratação de públicos mais desfavoreci-
dos.
• Reforçar vínculos laborais mais estáveis e combater a
segmentação e a precariedade no mercado de traba-
lho.
Os seus destinatários são:
Desempregado inscrito nos serviços de emprego, numa
das seguintes situações:
• Beneficiário de prestações de desemprego.
• Beneficiário do Rendimento Social de Inserção.
• Cujo cônjuge ou pessoa com quem viva em união de
facto se encontre igualmente em situação de desem-
prego e inscrito no IEFP.
• Inscrito há pelo menos 60 dias consecutivos, no caso
de desempregados com idade inferior a 30 anos ou
com idade mínima de 45 anos, ou ainda outros de-
sempregados que não tenham registos na Segurança
Social como trabalhadores por conta de outrem nem
como trabalhadores independentes nos últimos 12
meses que precedem a data da candidatura.
• Que integre família monoparental.
• Vítima de violência doméstica.
• Com deficiência e incapacidade.
• Ex-recluso e aquele que cumpra ou tenha cumprido
penas ou medidas judiciais não privativas de liberda-
de e esteja em condições de se inserir na vida ativa.
• Toxicodependente em processo de recuperação.
• Inscrito há pelo menos 6 meses consecutivos.
Notas:
(i) São equiparadas a desempregados as pessoas inscritas no
serviço de emprego como trabalhadores com contrato de tra-
balho suspenso com fundamento no não pagamento pontual
da retribuição.
(ii) O tempo de inscrição não é prejudicado pela frequência
de estágio profissional, formação profissional ou outra medi-
da ativa de emprego, com exceção das medidas de apoio dire-
to à contratação ou que visem a criação do próprio emprego.
(iii) O contrato de trabalho não pode ser celebrado entre o
desempregado e o último empregador a que esteve vinculado
por contrato de trabalho antes de ficar na situação de desem-
prego, exceto quando esta situação de desemprego tenha
ocorrido há mais de 24 meses.
Podem ser Entidades Candidatas:
Pessoas singulares ou coletivas, de natureza jurídica
privada, com ou sem fins lucrativos
Nota: Não são elegíveis as pessoas coletivas que, em-
bora sujeitas a um regime de direito privado, tenham
natureza jurídica pública, nomeadamente as funda-
ções públicas com regime de direito privado.
64| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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PÁGINA INSTITUCIONAL

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Apoio à celebração de contrato de trabalho a termo certo:
• 80% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS*) multipli-
cado por metade do número inteiro de meses de dura-
ção do contrato de trabalho a termo certo, não poden-
do ultrapassar o valor de 80% do IAS x 6;
• 100% o valor do IAS multiplicado por metade do nú-
mero inteiro de meses de duração do contrato, até ao
limite de 6 x IAS, no caso de contratação de desempre-
gado que se encontre numa das seguintes situações:
› ฀ Inscrito há pelo menos 12 meses consecutivos.
› ฀ Com idade inferior a 30 anos.
› ฀ Com idade igual ou superior a 45 anos.
› ฀ Beneficiário de prestações de desemprego.
› ฀ Que integre família monoparental.
› ฀ Cujo cônjuge ou pessoa com quem viva em união
de facto se encontre igualmente em situação de
desemprego e inscrito no IEFP.
› ฀ Vítima de violência doméstica.
› ฀ Com deficiência e incapacidade.
› ฀ Ex-recluso e aquele que cumpra ou tenha cumprido
penas ou medidas judiciais não privativas de liber-
dade e esteja em condições de se inserir na vida
ativa.
› ฀ Toxicodependente em processo de recuperação.
› ฀ Beneficiário do Rendimento Social de Inserção.
Apoio à celebração de contrato de trabalho sem termo:
› ฀ 110% do IAS x 12, no caso de contratos de trabalho
sem termo.
Apoio à conversão de contrato de trabalho a termo cer-
to em contrato de trabalho sem termo:
› ฀ No valor de idêntica percentagem do IAS aprovada
inicialmente x 6.
Nota: No caso de celebração de contrato de trabalho a
tempo parcial, o apoio é reduzido proporcionalmente,
tendo por base um período normal de trabalho de 40
horas semanais.
*Valor do IAS: € 419,22
฀ Ao abrigo da medida Promoção de Igualdade de Género
no Mercado de Trabalho (Portaria n.º 84/2015, de 20 de
março), quando se trate de contratação de desemprega-
dos de sexo sub-representado em determinada profis-
são (profissão em que não se verifique uma representa-
tividade de 33,3% em relação a um dos sexos), os apoios
são majorados nos seguintes termos:
• 20% do apoio atribuído no caso de celebração de con-
tratos de trabalho a termo;
• 30% do apoio atribuído no caso de celebração de con-
tratos de trabalho sem termo ou de conversão de con-
trato de trabalho a termo em contrato de trabalho sem
termo.
Os apoios da medida Estímulo Emprego são cumuláveis
com os da medida de Apoio à Mobilidade Geográfica no
Mercado de Trabalho.
Quando se trate de apoios à contratação de jovens (até
30 anos) à procura do 1.º emprego ou de desemprega-
dos de longa duração (no âmbito na medida Estímulo
Emprego) estes podem ser cumuláveis com a dispensa
temporária do pagamento de contribuições para a Se-
gurança Social, na parte relativa à entidade empregado-
ra, regulada pelo Decreto-Lei n.º 89/95, de 6 de maio, da
responsabilidade da Segurança Social.
Formação Profissional
A entidade empregadora tem a obrigatoriedade de pro-
porcionar formação profissional ajustada às competên-
cias requeridas pelo posto de trabalho, numa das se-
guintes modalidades:
• Formação em contexto de trabalho, pelo período de
duração do apoio, mediante acompanhamento de um
tutor designado pelo empregador.
• Formação, em entidade formadora certificada, com
uma carga horária mínima de 50 horas, e realizada,
preferencialmente, durante o período normal de tra-
balho.
Condições de atribuição dos apoios
Constituem condições de atribuição do apoio:
• Celebração de contrato de trabalho sem termo ou a
termo certo, por prazo igual ou superior a 6 meses.
• Criação líquida de emprego.
• Manutenção do nível de emprego atingido por via do
apoio.
• Garantia de formação profissional aos trabalhadores
contratados, durante o período de duração do apoio.
• Remuneração tem de respeitar o previsto em termos
de Retribuição Mínima Mensal Garantida e, quando
aplicável, no respetivo instrumento de regulamenta-
ção coletiva de trabalho.
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APOIOS À CRIAÇÃO DE EMPREGO

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Nota: Cada empregador não pode beneficiar, ao abrigo
da medida, em cada ano civil, de apoios à contratação
de mais de 25 trabalhadores através de contrato a ter-
mo certo, não existindo limite ao número de contrata-
ções em caso da celebração de contratos de trabalho
sem termo.
Condições de candidatura
Para efeitos de candidatura, a entidade promotora deve
reunir, cumulativamente, os seguintes requisitos:
• Estar regularmente constituída e registada.
• Preencher os requisitos legais exigidos para o exer-
cício da atividade ou apresentar comprovativo de ter
iniciado o processo aplicável.
• Ter a situação contributiva regularizada perante a ad-
ministração fiscal e a Segurança Social.
• Não se encontrar em situação de incumprimento no
que respeita a apoios financeiros concedidos pelo
IEFP.
• Ter a situação regularizada em matéria de restituições
no âmbito do financiamento pelo FSE.
• Dispor de contabilidade organizada de acordo com o
previsto na lei.
• Não ter salários em atraso (com exceção das empre-
sas que iniciaram processo especial de revitalização
previsto no Código da Insolvência e da Recuperação
de Empresas ou processo no Sistema de Recuperação
de Empresas por via Extrajudicial).
• Não ter sido condenada em processo-crime ou con-
traordenacional por violação, praticada com dolo ou
negligência, de legislação de trabalho sobre discrimi-
nação no trabalho e emprego.
Nota: A observância dos requisitos é exigida no
momento da apresentação da candidatura e du-
rante o período de duração do apoio financeiro.
As candidaturas são efetuadas no portal NetEmprego
através do registo da oferta de emprego relativa aos pos-
tos de trabalho a preencher, devendo a entidade indicar
a intenção de beneficiar do apoio no âmbito da medida
Estímulo Emprego. A entidade pode indicar o desempre-
gado que pretende contratar.
Enquadramento Legislativo e Normativo
• Portaria n.º 149-A/2014, de 24 de julho
• Regulamento Específico
MEDIDA DE APOIO
À MOBILIDADE
GEOGRáFICA NO
MERCADO DE
TRABALHO
Esta medida pretende contribuir para o ajustamento
quantitativo e qualitativo entre a oferta e a procura de
emprego, no sentido de reduzir as assimetrias regionais
do emprego e qualificação dos trabalhadores, e facilitar
a mobilidade profissional e geográfica dos trabalhadores.
Reconhecendo-se quer uma tendência para o aumento
do âmbito espacial das mobilidades, quer a persistên-
cia de desajustamentos territoriais entre a oferta e a
procura, entendeu o Governo criar uma nova medida de
apoio à mobilidade geográfica no mercado de trabalho,
visando melhorar a dinâmica de satisfação das ofertas
de emprego e a redistribuição geográfica e profissional
da mão-de-obra.
Esta medida, criada pela Portaria n.º 85/2015, de 20 de
março, dirigida aos desempregados inscritos nos ser-
viços de emprego há pelo menos três meses, traduz-se
na concessão de apoios financeiros aos desempregados
66| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
I
PÁGINA INSTITUCIONAL

Page 69
que celebrem contratos de trabalho ou criem o seu pró-
prio emprego e cujo local de trabalho implique a sua
mobilidade geográfica, dentro do território continental,
de e para as Regiões Autónomas em relação ao território
continental, bem como de país terceiro para o território
continental.
A medida compreende duas modalidades de apoio:
• Apoio à mobilidade temporária, no caso de celebração
de contrato de trabalho com duração superior a um
mês e cujo local de trabalho diste, pelo menos, 50 Km
da residência do desempregado.
• Apoio à mobilidade permanente, no caso de mudan-
ça de residência e celebração de contrato de trabalho
com duração igual ou superior a 12 meses ou criação
do próprio emprego, cujo local de trabalho diste, pelo
menos, 100 Km da anterior residência do desempre-
gado.
Os apoios financeiros variam consoante a natureza tem-
porária ou permanente da mobilidade, de acordo com os
valores e critérios que a seguir se apresentam.
Apoios à mobilidade temporária
• ฀ 50% do IAS* (€209,61) por mês, ou fração, de duração
do contrato de trabalho até ao máximo de 6 meses.
Apoios à mobilidade permanente
• ฀50 % do IAS (€209,61) por mês, ou fração, de duração
do contrato de trabalho, até ao máximo de 6 meses.
• ฀ Comparticipação nos custos da viagem dos membros
do agregado familiar para a nova residência.
› 100 % do valor da ajuda de custo por cada mem-
bro do agregado familiar que se desloca para a nova
residência, com o limite máximo total de 1,5 IAS
(€628,83).
› Despesa de deslocação paga por quilómetro (Km),
relativa à distância mais curta entre a antiga e a
nova residência, não podendo a distância conside-
rada para este efeito ser superior à distância mais
curta entre a antiga residência e o novo local de tra-
balho, acrescida de 30 Km.
• ฀ Comparticipação nos custos de transporte de bens
para a nova residência, no valor de 100% do IAS
(€419,22).
*IAS (Indexante dos Apoios Sociais) = €419,22
Estes apoios são cumuláveis com os apoios concedi-
dos no âmbito de outras medidas, designadamente as
seguintes: Estímulo Emprego, dispensa temporária do
pagamento de contribuições para a Segurança Social,
Incentivo à Aceitação de Ofertas de Emprego, Programa
de Apoio ao Empreendedorismo e à Criação do Próprio
Emprego e Investe Jovem.
Reconhecendo-se a complexidade da questão dos in-
centivos à mobilidade geográfica, decorrente da diversi-
dade de fatores que a influenciam (refira-se o mercado
imobiliário a título de exemplo), pretende-se, com esta
medida de política de emprego, diminuir alguns dos
custos inerentes à mobilidade geográfica das pessoas,
viabilizando assim a concretização de oportunidades
de emprego que surjam em locais distantes dos locais
de residência dos interessados. Medidas desta natureza
poderão ter um impacto reforçado quando conjugadas
com incentivos noutros setores da governação e com
iniciativas de base local e regional que contribuam para
promover a atratividade e o desenvolvimento dos terri-
tórios.
Para obter informações mais detalhadas
sobre estas medidas ou esclarecer dúvidas:
• Consulte o portal do IEFP (www.iefp.pt )
• Utilize o email: iefp.info@iefp.pt
• Contacte pelo telefone 808 200 670 (dias úteis das 8h
às 20h)
• Dirija-se a um centro de emprego ou centro de empre-
go e formação profissional
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revista Dirigir&Formar n.º 11
I
APOIOS À CRIAÇÃO DE EMPREGO

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EUROFLASH
Por: Nuno Gama de Oliveira Pinto – Consultor, investigador sénior (TE-DG COMM/UE – CEI/ISCTE-IUL)
FUNDO EUROPEU DE
INVESTIMENTO ESTRATÉGICO
Apresentado pelo novo presidente da Comissão Eu-
ropeia, o Plano Juncker, como ficou conhecido, pre-
tende relançar o crescimento e o emprego na União
Europeia. Com o lançamento deste fundo a Comis-
são Europeia espera conseguir mobilizar, entre in-
vestimentos públicos e privados, 315 mil milhões
de euros para apoiar projetos em diversas áreas,
nomeadamente as infraestruturas de transportes, a
energia, a inovação e a investigação científica.
PLANO JUNCKER PODE CRIAR
MAIS DE 2 MILHÕES DE EMPREGOS
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) esti-
ma que o plano de investimento anunciado pelo pre-
sidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker,
poderá criar cerca de 2,1 milhões de empregos até
meados de 2018. Para atingir esse objetivo, a OIT
defende que a prioridade deverá ser dada ao investi-
mento no setor privado e nas pequenas e médias em-
presas, beneficiando, sobretudo, os países europeus
confrontados com elevadas taxas de desemprego.
REDE EUROPEIA DE APOIO
ÀS EMPRESAS
A Associação Empresarial de Portugal passou a in-
tegrar a Enterprise Europe Network, a maior rede
europeia de serviços de informação e apoio às em-
presas, com cerca de 600 pontos de atendimento em
mais de 50 países.
Em Portugal, a rede é coordenada pelo IAPMEI –
Agência para a Competitividade e Inovação, inte-
grando 12 entidades de diferentes regiões do país.
Em todos os países onde a rede se encontra presente
disponibiliza serviços transversais de apoio à ativi-
dade empresarial, apoiando, nomeadamente, as pe-
quenas e médias empresas em processos de inova-
ção, cooperação e internacionalização.
DESEMPREGO JOVEM NA UNIÃO
EUROPEIA
O número de desempregados com idades compreen-
didas entre os 15 e os 25 anos no conjunto dos paí-
ses da União Europeia equivale a cerca de metade
da população portuguesa. Os dados divulgados pelo
Eurostat, relativos a novembro de 2014, indicam que
há 5,1 milhões de jovens nessa situação.
O Estado-membro com menos jovens desemprega-
dos é a Islândia, com 9,9%, sendo a Espanha e a Itá-
lia os países que registam os valores mais elevados,
53,5% e 43,9%, respetivamente. Em Portugal, se-
gundo o gabinete de estatística da União Europeia,
a taxa de desemprego jovem era de 34,5%.
68| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
E
EUROPA EM NOTÍCIAS

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TROCA DE DADOS BANCÁRIOS
AVANÇA EM 2017
Os Estados-membros da União Europeia (UE) vão
passar a trocar entre si, a partir de 2017, um vasto
conjunto de informações para combater a fraude e
a evasão fiscal por parte de cidadãos que têm ren-
dimentos fora do país em que residem. Com a apro-
vação das novas regras, as autoridades fiscais dos
países da UE passam a ser obrigadas a fornecer in-
formação sobre todos os rendimentos considerados
relevantes, nomeadamente sobre o pagamento de
juros e dividendos, mas também sobre os saldos de
contas bancárias e receitas provenientes da venda
de ativos financeiros.
MARCA DO PATRIMÓNIO EUROPEU
A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra está
entre os 16 nomeados para receber a Marca do Patri-
mónio Europeu.
A iniciativa pretende celebrar a diversidade cultural
do continente e reforçar um sentimento de pertença
e de partilha dos valores europeus. Entre os nomea-
dos encontra-se também a Carta de Lei com a qual
D. Luís sancionou o Decreto das Cortes Gerais, de 26
de junho de 1867, que aprovou a reforma penal e das
prisões, com abolição da pena de morte em Portugal.
COMISSÃO EUROPEIA DEVOLVE 13
MILHÕES DE EUROS A PORTUGAL
A Comissão Europeia vai devolver aos agricultores
europeus um total de 868 milhões de euros. Relati-
vamente a Portugal serão devolvidos 13 milhões de
euros de dotações orçamentais que não foram utili-
zados em 2013. O reembolso destas verbas terá de
ser realizado, o mais tardar, até outubro de 2015.
NOVA NOTA DE 20 EUROS
Depois do que sucedeu com as notas de 5 e de 10
euros, é agora a vez de ser posta em circulação uma
nova nota de 20 euros. Semelhante à anterior, é a
terceira nota da «série Europa» a ser lançada, tendo
sido reforçada a sua segurança e durabilidade.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
E
EUROFLASH

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BREVES | SABIA QUE?
NOVO INSTRUMENTO PARA AS PME APOIA
LIDERANçA EM TECNOLOGIAS INDUSTRIAIS
Por: Nuno Gama de Oliveira Pinto – Consultor, investigador sénior (TE-DG COMM/UE – CEI/ISCTE-IUL)
A Comissão Europeia prevê que pelo me-
nos 20%, ou cerca de 9 mil milhões de
euros, do orçamento disponível para os
pilares «Liderança em Tecnologias In-
dustriais» e «Desafios Societais», do Programa-
-Quadro Horizonte 2020, venha a beneficiar dire-
tamente as pequenas e médias empresas (PME),
sob a forma de subvenções, através, nomeada-
mente, da intervenção do novo «Instrumento para
as PME».
Dispondo de um orçamento de 3 mil milhões de euros
ao longo de sete anos, este novo instrumento de apoio
pretende ajudar as empresas mais inovadoras, e com
elevado potencial de crescimento, a levarem as ideias
do laboratório para o mercado. Poderá conceder sub-
venções para estudos de viabilidade de inovação empre-
sarial (fase 1) e projetos de demonstração (fase 2). Os
conceitos maduros, do ponto de vista do financiamento,
poderão, além disso, beneficiar de consultoria em ma-
téria de desenvolvimento empresarial e outros serviços
de apoio (fase 3).
Paralelamente, através do «Processo Acelerado para a
Inovação» a Comissão Europeia poderá também apoiar
o desenvolvimento de conceitos inovadores maduros
que tenham sido testados em condições operacionais.
As atividades que poderão beneficiar destes apoios in-
cluem sistemas de validação em condições de trabalho
reais, ensaios, programas-piloto, validação de modelos
empresariais, bem como o estabelecimento de normas
e a investigação pré-normativa.
Nova modalidade de financiamento
para as PME portuguesas
As pequenas e médias empresas (PME) portuguesas
poderão, a partir de agora, aceder a uma nova linha de
crédito, no valor global de 200 milhões de euros, disponi-
bilizada pelo «InnovFin Garantia para as PME». O acordo
foi assinado pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI) e
pelo Banco Português de Investimento (BPI) e destina-se
a apoiar financeiramente projetos inovadores.
O «InnovFin Garantia para as PME» é um dos vários
instrumentos financeiros lançados pela União Euro-
peia (UE) e pelo Grupo Banco Europeu de Investimento
para apoiar a inovação no âmbito do Horizonte 2020, o
Programa-Quadro de Investigação e Inovação da UE. «A
inovação é a peça-chave do crescimento e da criação de
emprego na Europa e o programa Horizonte 2020 o seu
principal instrumento. Ao facilitar o acesso das PME a
financiamento para investigação e inovação estamos a
investir no crescimento da economia portuguesa e da
União Europeia», referiu o comissário europeu da Inves-
tigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.
O «InnovFin Garantia para as PME» faz parte do «Innov-
Fin – Financiamento da UE para Inovadores», a nova ge-
ração de instrumentos financeiros da União Europeia, e
de serviços de aconselhamento, desenvolvida no âmbi-
to do Programa-Quadro Horizonte 2020 para facilitar o
acesso ao financiamento por parte de empresas inova-
doras. Com este objetivo, pretende apoiar investimentos
nos domínios da investigação e da inovação na Europa,
que poderão atingir 48 mil milhões de euros.
70| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
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DIVULGAÇÃO | NOVO INSTRUMENTO PARA AS PME APOIA LIDERANÇA EM TECNOLOGIAS INDUSTRIAIS

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BREVES | TOME NOTA
FUNDOS ESTRUTURAIS APOIAM
EMPREGO E INCLUSÃO SOCIAL
Por: Nuno Gama de Oliveira Pinto – Consultor, investigador sénior (TE-DG COMM/UE – CEI/ISCTE-IUL)
Portugal vai receber mais de 2 mil milhões de eu-
ros para apoiar diversas iniciativas destinadas
a promover a inclusão social, a redução da po-
breza e a criação de mais e melhores postos de
trabalho.
As prioridades e os objetivos definidos no programa
operacional «Inclusão Social e Emprego», que será
apoiado pelo Fundo Social Europeu e pela Iniciativa
para o Emprego dos Jovens, já foram aprovados pela Co-
missão Europeia.
O programa terá uma dotação global no valor de 2,478
mil milhões de euros, dos quais 2,130 mil milhões serão
provenientes do orçamento da União Europeia. Metade
da verba total aplicada no programa será dirigida para a
Os investimentos incidirão sobre os seguintes domínios:
• Melhoria do acesso ao emprego e apoio à mobilidade dos trabalhadores.
Espera-se que mais de 950 mil novas competências e qualificações possam ser adquiridas pelos candida-
tos a emprego e pelos desempregados de longa duração.
• Implementação da Garantia para a Juventude através da Iniciativa para o Emprego dos Jovens.
Cerca de 44 mil jovens irão receber apoio para os ajudar a encontrar emprego ou estágios profissionais.
• Promoção da igualdade entre homens e mulheres; apoiar a adaptação de trabalhadores e empresas à
mudança e à modernização do trabalho.
Cerca de 30 mil pessoas, que se encontram a trabalhar na economia social, poderão beneficiar de medi-
das de reforço das suas capacidades, como a formação, com o objetivo de tornar o setor mais moderno e
profissional.
• Aplicação de medidas de inclusão ativa; promoção da igualdade de oportunidades e melhorar o acesso a
serviços para os grupos desfavorecidos.
Cerca de 40 mil pessoas com deficiência irão receber formação profissional para acederem a oportunida-
des de trabalho adequadas. O «Programa Escolhas», que se encontra em curso nas escolas, irá dar apoio a
46 mil crianças e jovens provenientes de meios desfavorecidos.
A Iniciativa para o Emprego dos Jovens será objeto de atenção especial para aumentar a visibilidade e garantir
uma maior focalização e resiliência nos esforços destinados aos jovens à procura de emprego.
promoção da inclusão social e para a luta contra a po-
breza e a discriminação.
Como foi referido em edições anteriores da revista
Dirigir&Formar, a Comissão Europeia e Portugal assina-
ram um acordo de parceria que estabelece a estratégia
para otimizar a utilização dos Fundos Europeus Estrutu-
rais e de Investimento até 2020.
Os objetivos do «Acordo de Parceria 2014-2020» en-
contram-se distribuídos por dez programas operacio-
nais, repartidos em prioridades de investimento e ações
concretas, o que irá permitir a seleção, a execução, o
acompanhamento e a avaliação dos projetos individuais
de acordo com as prioridades e os alvos estabelecidos
naquele documento.
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revista Dirigir&Formar n.º 11
D
DIVULGAÇÃO | FUNDOS ESTRUTURAIS APOIAM EMPREGO E INCLUSÃO SOCIAL

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COMO REALIzAR APRESENTAçõES COM SUCESSO
Como se sentiria se lhe dissessem que tem de fazer uma apresentação na próxima
semana? Iria instintivamente começar a fazer planos para tal ou delegar a tarefa a
outra pessoa?
As capacidades de comunicação eficientes são uma parte essencial do sucesso dos
negócios e da vida em geral. Desde a formação de novos colaboradores ao estabeleci-
mento de rapport com potenciais clientes, a capacidade de transmitir informação de
forma clara e impactante é necessária a quem pertence ao mundo dos negócios, mas
muitos consideram-na difícil de dominar. Como Realizar Apresentações com Sucesso
facilita a aprendizagem dessas capacidades.
Este livro guia o leitor através das capacidades de apresentação básicas, desde o pla-
neamento inicial passando pela estruturação e elaboração de guiões até chegar à
apresentação em si, da introdução à conclusão, incluindo os seguintes tópicos:
• Construir confiança.
• Ser conciso.
• Compreender a linguagem corporal.
• Conceber e utilizar ajudas visuais de forma eficiente.
Título:
Como Realizar Apresentações
com Sucesso
Autor: Andrew Bradbury
Editor: SmartBook
Coleção: Criando Sucesso
N.º de páginas: 174
Ficha Técnica
À venda nas livrarias
LIVROS A LER
PAPA FRANCISCO – AS LIçõES DE LIDERANçA
As experiências de vida, a ação, as virtudes e os «pecados» do papa Francisco são
fontes de aprendizagem para quem pretende desenvolver-se como líder na vida em-
presarial ou noutros tipos de organizações. Este livro explica porquê e discute dezoito
importantes lições de liderança, entre as quais as seguintes:
• O poder importa (tanto quanto o modo como é usado) e deve «casar» com
humildade.
• Ser amável não implica ser piegas.
• Os atos e os gestos simbólicos comunicam mais do que as palavras.
• O contexto atrai os líderes – e também os «faz».
• Os liderados devem ser tratados como adultos.
• O humor e a alegria são coisas muito sérias.
• A liderança é uma maratona.
• «O poder autêntico é serviço».
O livro interessa a crentes, ateus ou agnósticos interessados em aprofundar a com-
preensão dos fenómenos da liderança e o potencial da mesma para a construção de
um mundo mais sustentável.
Título:
Papa Francisco
As Lições de Liderança
Autor: Arménio Rego e Miguel Pina
e Cunha
Editor: Edições Sílabo, Lda.
N.º de páginas: 164
Ficha Técnica
À venda nas livrarias
72| revista Dirigir&Formar |abr./jun. 2015
D
DIVULGAÇÃO | LIVROS

Page 75
A porta
que lhe abre
portas.
Estamos perto de si
www.iefp.pt
Apoios à contratação, criação do próprio emprego e
empreendedorismo, ofertas de emprego, estágios,
formação profissional, integração de pessoas com
deficiência e incapacidade. É tudo isto e muito mais, o
que pode esperar quem bate a uma das nossas muitas
portas, em todo o país. Porque, sempre que precisar, o
IEFP estará cá para o ajudar. Perto de si.

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A outra forma
de ler a revista